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11 set. 2026

Cultura escolar sustenta inovação baseada em relações humanas

Bett Blog Editorial Team
Cultura escolar sustenta inovação baseada em relações humanas
Photo: Bett Brasil
Propósito, diálogo e desenvolvimento de competências humanas são os fatores que determinam a incorporação de novas tecnologias nas escolas, sem perder de vista as relações

As mudanças tecnológicas colocam novas demandas para as escolas, mas a forma como cada instituição responde a elas passa pela cultura construída no cotidiano. Propósito, relações de confiança, diálogo e desenvolvimento de competências humanas estão entre os elementos apontados como necessários para orientar decisões pedagógicas e preparar os estudantes para diferentes contextos.

Para a gestora de Soluções Educacionais da CESAR School, Carla Alexandre, a cultura escolar é construída gradualmente a partir das ações e comportamentos da comunidade. Por isso, antes de definir quais mudanças devem ser implementadas, a escola precisa estabelecer objetivos claros sobre aquilo que pretende fomentar.

“A cultura escolar não é feita de um dia para a noite”, afirma. Na avaliação de Carla, pensar a cultura escolar também significa considerar as transformações pelas quais passam o mundo do trabalho e as próprias formas de aprendizagem.

“Com a inserção tecnológica e a velocidade das mudanças, a escola precisa ampliar seu olhar sobre as competências que pretende desenvolver nos estudantes para profissões que ainda nem existem. Acredito que a cultura escolar precisa pensar de forma múltipla”, explica.

Conteúdo e competências humanas

Para responder a diferentes desafios simultaneamente, Carla defende que a escola redimensione suas prioridades. “A escola ainda dá muita ênfase ao conteúdo. Ele é importante, mas precisamos ampliar esse olhar para as habilidades e competências humanas que devem ser fortalecidas nos estudantes, para que eles desenvolvam responsabilidade e consciência no uso das tecnologias que também influenciam seu comportamento”, diz.

Carla Cesar School

Carla Alexandre explicou como comportamentos sociais ajudam na construção da cultura escolar. Foto: Bett Brasil

Segundo a gestora, essa combinação entre práticas, competências e comportamentos também contribui para a construção da própria cultura escolar. “E aí a gente cria um ciclo cultural”, completa.

Relações humanas como base para inovar

A relação entre cultura escolar e inovação também é destacada pelo professor e head de Pedagogia da Proz Educação, Luciano Meira. Para ele, a cultura é formada pelas relações humanas e, por isso, ambientes que valorizam as pessoas criam condições para que novas práticas sejam desenvolvidas.

“A cultura é, em grande parte, constituída pelas relações humanas. Uma cultura forte, robusta, que dá atenção às pessoas, é o substrato, a plataforma humana sobre a qual se constrói a inovação”, afirma.

Na avaliação de Meira, inovação não se resume à adoção de recursos tecnológicos. Ela envolve mudanças de comportamento diante de novos desafios, o que exige relações de confiança entre as pessoas envolvidas nesse processo.

Por isso, diante da chegada de novas tecnologias, como a inteligência artificial, o professor defende que as escolas fortaleçam as relações entre seus integrantes. “Você precisa ter as relações humanas muito fortalecidas e estabelecer um ambiente de confiança, porque a inovação também envolve risco. É um salto, seja no imaginário, seja na concretude do cotidiano, mas é um salto para futuros possíveis”, ressalta.

Para Meira, a confiança é necessária porque inovar envolve experimentar possibilidades e assumir riscos. “Você precisa confiar em quem você vai fazer inovação. E confiança, em essência, é a possibilidade de estabelecer com um outro uma relação”, diz.

Diálogo orienta mudanças

Ao pensar nas decisões que podem orientar uma escola conectada, inclusiva e centrada no desenvolvimento humano, Meira aponta o diálogo como um dos princípios orientadores.

“O diálogo é um princípio fundamental. Para provocar mudanças e buscar aliados, precisamos de pessoas que compartilhem dessa direção e contribuam para fortalecê-la. Afinal, qualquer mudança exige muitos aliados para construir e sustentar o caminho que queremos seguir”, explica.

Luciano Meira na Jornada Bett

Para Luciano Meira, o diálogo tem papel essencial na educação. Foto: Bett Brasil.

Para o professor, o diálogo ocupa um lugar particularmente importante nas instituições educacionais porque está relacionado à própria atividade de ensinar. A escola, além disso, não funciona de maneira isolada: está inserida em redes, comunidades e diferentes estruturas sociais, seja no ensino público ou privado.

Essa característica exige que a instituição considere as relações que mantém com diferentes grupos e organizações. Nesse contexto, o diálogo pode funcionar como um ponto de partida para orientar decisões e construir acordos sobre os caminhos que a escola pretende seguir.

“Dar aula é, em certo sentido, estabelecer um diálogo com a ciência e com o conhecimento e, ao mesmo tempo, com os estudantes. Se estamos falando da posição de professor, o diálogo é um dos princípios fundamentais da educação”, complementa.

A cultura escolar, nesse sentido, não se resume a normas ou projetos isolados. Ela é construída nas relações e nos comportamentos cotidianos. Ao combinar propósito, desenvolvimento de competências humanas, confiança e diálogo, as escolas podem criar condições para incorporar novas tecnologias e práticas sem deixar de colocar as pessoas no centro das decisões.

Este conteúdo tem como base a participação de Carla Alexandre, gestora de Soluções Educacionais da CESAR School, e Luciano Meira, professor e head de Pedagogia da Proz Educação, na Jornada Bett Nordeste 2026.

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