Anuário da Educação Básica 2026 aponta desafios na formação docente e na aprendizagem de matemática e português
A formação de professores, os resultados de aprendizagem e a expansão da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) estão entre os principais destaques do Anuário da Educação Básica 2026. A publicação chega à 13ª edição reunindo indicadores e séries históricas da Educação Básica no Brasil, com dados dos 26 estados e do Distrito Federal.
Entre os dados apresentados, o perfil dos estudantes que ingressam nas licenciaturas chama atenção: entre os ingressantes em cursos de licenciatura com notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apenas 14,7% dos ingressantes em 2024 estavam entre os 20% de melhor desempenho na prova do ano anterior.
O percentual é inferior ao observado em outros cursos de graduação. Em Direito, os ingressantes de maiores médias eram 32,6%, e, em Medicina, somavam 81,2%.
Os dados também apontam desafios na formação inicial dos futuros professores. Em 2025, apenas 20,2% dos concluintes dos cursos de licenciatura avaliados atingiram o nível adequado no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Ao mesmo tempo, 42,2% ficaram abaixo do nível básico.
A situação é ainda mais preocupante entre os estudantes de cursos a distância: 53,1% ficaram abaixo do nível básico, contra 26,1% na modalidade presencial.
“Os dados apresentados no Anuário mostram que o Brasil ainda não conseguiu consolidar aquilo que caracteriza os melhores sistemas educacionais no mundo: políticas docentes capazes de atrair estudantes de alto desempenho para a carreira, oferecer uma formação inicial que prepare efetivamente para o exercício da docência e garantir remuneração e carreiras capazes de desenvolver, valorizar e reter bons professores ao longo do tempo”, explica o diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa.
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Aprendizagem permanece como desafio
O Anuário 2026 também incorpora os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados pelo Inep em agosto. Os indicadores mostram diferenças no nível de aprendizagem dos estudantes ao longo das etapas da Educação Básica.
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, 11% dos alunos do 5º ano da rede pública estavam no nível abaixo do básico em Língua Portuguesa. Em Matemática, o percentual chegou a 16,9%.
Nos Anos Finais, os resultados mostram um cenário mais desafiador em Matemática. Apenas 18,8% dos estudantes do 9º ano da rede pública apresentavam aprendizagem adequada na disciplina. Em Língua Portuguesa, o percentual foi de 38,3%.
No Ensino Médio, 8,5% dos jovens da rede pública apresentavam aprendizagem adequada em Matemática em 2025. Em Língua Portuguesa, o índice foi de 35,2%.
Os resultados permitem acompanhar a aprendizagem dos estudantes em diferentes etapas e áreas do conhecimento, além de compor uma série de indicadores sobre a Educação Básica brasileira.
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Matrículas da educação profissional mais que dobram em dez anos
Outro destaque da publicação é a expansão da Educação Profissional e Tecnológica de nível médio. Segundo os dados reunidos no Anuário, o número de matrículas passou de 764 mil, em 2015, para 1,58 milhão, em 2025.
O crescimento representa mais que o dobro do volume registrado dez anos antes. Apenas entre 2024 e 2025, foram acrescentadas 244 mil matrículas, o maior aumento registrado no período apresentado.
Entre os cursos de EPT de nível médio, os eixos de Gestão e Negócios e Informação e Comunicação concentram parcela significativa das matrículas. Em 2025, o primeiro reunia 499 mil alunos, enquanto o segundo registrava 362 mil. Juntos, os dois eixos representavam mais da metade das matrículas da EPT de nível médio no país.
Com a reunião de séries históricas e indicadores sobre diferentes dimensões da Educação Básica, o Anuário da Educação Básica 2026 oferece um panorama sobre acesso, aprendizagem, formação docente e educação profissional em diferentes regiões e etapas de ensino no país.
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