Delegação Bett Brasil amplia roteiro europeu com agenda em Portugal
A Delegação Bett à Europa terá, em 2027, uma nova etapa dedicada ao ensino superior e à educação a distância. Antes de seguir para Londres, onde acontece a Bett UK, a delegação brasileira fará uma imersão em Portugal, com visitas a universidades e encontros com instituições de ensino do país.
A ampliação do roteiro é resultado de uma parceria entre a Bett Brasil e a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e busca aproximar gestores e educadores brasileiros de experiências internacionais que possam servir de referência para diferentes realidades do ensino no Brasil. A programação completa da delegação está prevista para ocorrer entre 13 e 22 de janeiro.
Para Cláudia Valério, diretora da Bett Brasil, a inclusão de Portugal dá continuidade a um processo de transformação da própria delegação, realizada há cerca de uma década. Mais do que acompanhar a Bett UK, segundo ela, a proposta é proporcionar uma experiência de aprendizagem e relacionamento que começa antes do evento e se estende para além dele.
“O maior benefício são as conexões, os relacionamentos que construímos durante uma viagem como essa. A delegação, mais do que simplesmente uma viagem ou uma visita à Bett, conecta pessoas e cria laços muito abrangentes”, afirmou.
Portugal aproxima experiências do ensino superior
A escolha de Portugal não se deve apenas à proximidade linguística. Para o professor Cassio Santos, da ABED, as semelhanças culturais e a relação já existente entre instituições dos dois países criam condições para ampliar a cooperação no ensino superior.
“Portugal está muito mais próximo culturalmente do mercado brasileiro. Essa parada não está só ligada à língua portuguesa, mas também a uma proximidade cultural, ao intercâmbio entre instituições e à circulação de produtos e serviços entre os dois países”, explicou.
A agenda portuguesa começa no dia 14 de janeiro, com atividades no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e participação prevista de representantes de diferentes instituições portuguesas. No mesmo dia, a delegação fará uma visita à Universidade Aberta de Portugal, instituição com mais de 35 anos de experiência em educação a distância e atuação em cursos de graduação, mestrado e doutorado.
No dia seguinte, a programação prevê uma imersão na Nova School of Business & Economics, da Universidade Nova de Lisboa, em Carcavelos. A proposta inclui visita às instalações e encontro com representantes da instituição.
Na avaliação de Santos, a observação de outros modelos permite aos participantes sair dos limites impostos pelas referências com as quais convivem diariamente. “Esse momento de interação, quando conhecemos outras culturas do ponto de vista dos ecossistemas, é muito enriquecedor. A gente acaba aprendendo de forma global”, disse.
Internacionalização amplia repertório
A experiência internacional e seus possíveis reflexos sobre as instituições brasileiras também estiveram no centro da live realizada pela Bett Brasil para apresentar o novo roteiro.
Simone Telles, diretora de Internacionalização da Educação Básica do Estado de São Paulo, já participou de diferentes edições da Bett e destacou a possibilidade de transformar referências observadas no exterior em repertório para a atuação profissional.
“Quando você entra em uma instituição de ensino superior ou em uma instituição da educação básica no exterior e começa a trocar experiências com pesquisadores e professores de outros países, começa a fazer uma reflexão muito profunda sobre como está a sua atuação no Brasil e o que você gostaria de trazer para o Brasil”, afirmou.
Para ela, o contato com outras realidades também pode incentivar novas maneiras de pensar os desafios da educação. “Voltamos de uma experiência como essa com uma mente muito mais inovadora e um potencial de empreender muito grande, porque você olha e pensa: ‘Eu não me lembro de ter visto isso no Brasil ou em uma sala de aula; quero saber mais’.”
Atualmente à frente da área de internacionalização da educação básica paulista, Simone relaciona parte de sua trajetória profissional às experiências internacionais acumuladas ao longo dos anos. “A minha trajetória hoje de internacionalização, muito dela se deve ao fato de eu ter tido a oportunidade de conhecer pessoas e de participar das oportunidades que a própria Bett me ofereceu”, afirmou.

Modelos diferentes para problemas semelhantes
Presidente da Univesp, Marcos Borges já havia percorrido caminho semelhante ao que agora passa a integrar oficialmente a delegação. Em 2024, antes de participar da Bett em Londres, visitou com Simone instituições de ensino em Portugal.
Para ele, conhecer presencialmente diferentes modelos de educação a distância permite compreender aspectos que dificilmente aparecem com a mesma profundidade em estudos, artigos ou encontros virtuais.
“A gente conhece a nossa realidade e às vezes estuda alguma coisa em literatura, mas, para entender de fato o clima, a cultura e como as coisas funcionam, ir lá, conversar com quem está lá e interagir faz toda a diferença”, disse.
Borges cita as diferenças entre instituições de educação a distância que conheceu na Europa como uma das principais fontes de aprendizado. “Existe uma diversidade imensa de formas de aplicar e de atuar. Conhecer todas essas diferenças nos dá repertório para pensar em novas formas de resolver certos problemas”, afirmou.
O contato presencial, acrescentou, também abriu caminhos para relações que continuaram depois da viagem. Segundo Borges, algumas parcerias desenvolvidas pela Univesp tiveram origem em contatos realizados durante a Bett UK.
“Hoje, temos parcerias com a Univesp que estão acontecendo com players que eu conheci lá. Ter as universidades é excelente, mas também conhecer um conjunto grande de players, tecnologias e ferramentas é algo muito importante”, disse.
De Portugal a Londres
Depois da etapa portuguesa, a delegação segue para Londres, onde os participantes terão a programação tradicional de visitas técnicas e participação na Bett UK. A possibilidade de fazer apenas uma das etapas será mantida, embora o novo desenho permita combinar as experiências nos dois países.
Para Cláudia Valério, essa combinação amplia as referências oferecidas aos participantes. “Vamos ter dois momentos de conhecimento, de conhecer culturas e práticas diferentes, que depois poderão culminar em um resumo muito positivo e interessante para quem fizer o trajeto completo”, afirmou.
Mais do que acrescentar um destino à viagem, a entrada de Portugal no roteiro reforça, assim, um dos eixos que vêm ganhando espaço na delegação: usar a experiência internacional não para simplesmente importar modelos, mas para ampliar o repertório de gestores e educadores diante dos desafios encontrados nas instituições brasileiras.
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