Jornada Bett Nordeste 2026 encerra edição com recorde de público e debates sobre o futuro da educação
A 5ª edição da Jornada Bett Nordeste encerrou nesta quinta-feira (20), no Recife Expo Center, registrando recorde de público, com mais de 2.500 participantes, um crescimento de 20% em relação à edição anterior. O evento reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor para uma programação dedicada aos desafios e transformações da educação, com debates sobre inteligência artificial, inclusão, inovação, aprendizagem e a dimensão humana que permanece no centro das mudanças em curso.
Para Adriana Martinelli, diretora de Conteúdo da Bett Brasil, a edição de 2026 cumpriu o propósito de aproximar os diferentes atores do setor e fortalecer o intercâmbio entre profissionais da educação. “Conseguimos promover boas conexões, bons encontros e reencontros. Vejo a Jornada Nordeste como uma prévia, um despertar, uma sensibilização para mostrar que, na Bett Brasil, haverá um número maior de possibilidades de aprendizagem e de conexões”, afirmou.
A advogada especialista em Direito Digital Alessandra Borelli abriu a programação de palestras do segundo dia, no auditório Plenária, com a apresentação “Educar em um mundo desenhado para distrair”. Ao abordar os desafios da presença da tecnologia no ambiente escolar, a especialista destacou a importância de políticas, diretrizes e protocolos institucionais para orientar professores, gestores e famílias diante de incidentes digitais, e defendeu que as escolas estejam preparadas para responder a essas situações, com fluxos de decisão previamente definidos.
“Mais do que tentar afastar os estudantes das telas, o desafio é formar competências para o uso consciente e responsável das tecnologias, que é muito mais do que bem-vinda, desde que haja política, diretrizes e que todo mundo esteja na mesma página. Não é vencer a tela, a gente precisa sustentar a presença dela”, destacou.

Alessandra Borelli no auditório Plenária durante a Jornada Bett Nordeste. Foto: Bett Brasil.
No auditório Educação Pública, Maraína Fernandes, secretária de educação de São Paulo, e Carla Mauch, coordenadora-geral do Mais Diferenças – Educação e Cultura Inclusivas, participaram do painel “Incluir é transformar: caminhos para uma escola que aprende com a diversidade”, com mediação da jornalista Gabriela Castello Buarque.
Maraína destacou que a inclusão exige uma transformação da própria escola, com mudanças na cultura, no planejamento pedagógico e na formação dos profissionais. “Não é o estudante que se encaixa no padrão, é a escola que precisa entender quais barreiras precisam ser vencidas para que esse estudante, de fato, seja incluído, ganhe autonomia e aprendizagem”, disse.
No auditório Educação Pública, o CEO do Instituto do Autismo, Kadu Lins, abordou o tema “Entender para acolher”, destacando que a inclusão efetiva nas escolas passa, sobretudo, pela compreensão das necessidades das pessoas neurodivergentes.
Segundo ele, apesar do aumento da presença de estudantes neurodivergentes nas escolas públicas e da busca por estratégias para lidar com os desafios do cotidiano, ainda existe falta de conhecimento sobre o tema. “A inclusão verdadeira vem quando a gente entende o que faz, a ideia é passar um pouquinho de conhecimento para que elas consigam fazer ações que vão ser efetivas para aquelas famílias”, explicou.
No auditório Plenária, a professora influente Débora Garofalo, da DG Educação, discutiu o tema “Muito Além da Inteligência Artificial: por que a aprendizagem humana será o maior diferencial do futuro”, destacando a necessidade de compreender a tecnologia de forma crítica, ética e integrada ao processo educacional.
O papel do professor permanece essencial na formação de valores, na mediação do conhecimento e no desenvolvimento de competências como criatividade, empatia, autonomia e pensamento crítico. “A IA não substitui o planejamento, mas dá tempo ao professor para aquilo que só ele sabe fazer: cuidar, formar valores, dar sentido ao que está aprendendo e mediar o conhecimento”, ressaltou.
No auditório Aquário, a roda de conversa “A escola do futuro não é digital, inclusiva ou inovadora. Ela é humana — e por isso precisa ser tudo isso ao mesmo tempo” reuniu o trio da CESAR School André Lopes, analista sênior de Soluções Educacionais, o professor Luciano Meira e a gestora de Soluções Educacionais Carla Alexandre.
O debate abordou os impactos da inteligência artificial, destacando a necessidade de repensar práticas e experiências de aprendizagem diante das novas tecnologias. Para Luciano Meira, a IA deve ser compreendida para além de uma ferramenta: “Ela é uma infraestrutura cognitiva, portanto muda a forma como você vê o conhecimento, os novos usos da tecnologia, como a produção de ensaios e resumos por estudantes, provocam mudanças profundas no sistema educacional e exigem estratégias que não busquem evitar a inteligência artificial, mas promover seus usos mais produtivos e saudáveis”, afirma.
Já o poeta e escritor best-seller Allan Dias Castro, da Voz ao Verbo Produções, conduziu a palestra inspiradora “O ser Humano por trás do crachá”, no auditório Plenária. Em uma reflexão que aproximou educação, aprendizagem, inovação e futuro da dimensão humana, Castro utilizou a poesia para falar sobre essência, vulnerabilidade, saúde mental e sonhos. “A gente acaba ficando tão competitivo que vive com medo de perder, mas por trás de cada profissional, existe uma história, com desafios, sentimentos e sonhos que também precisam ser considerados”, afirmou.
Escolas em ação
No segundo dia de apresentações dos cases de sucesso nas escolas, educadores de instituições pernambucanas apresentaram experiências voltadas à transformação do cotidiano escolar, reunindo estratégias para consolidar aprendizagens, fortalecer a cultura institucional e envolver as equipes na construção de novos modelos educacionais.
Alena Nobre, a diretora pedagógica do Colégio Saber Viver, compartilhou uma prática de realização semanal de quizzes digitais para reforçar os conteúdos trabalhados em sala de aula, estimular a autorregulação dos estudos e desenvolver a metacognição dos estudantes.
Já Sybele Barros Soares, diretora de unidade do Colégio CBV, apresentou o processo de reconstrução da cultura escolar após uma crise institucional e disciplinar, integrando a busca pela excelência acadêmica ao fortalecimento da convivência ética.
Paula Carneiro Leão, diretora de comunicação e inovação da Escola Vila Aprendiz, mostrou a experiência de um hackathon com professores e equipe pedagógica, criado para pensar coletivamente a escola capaz de responder às necessidades dos estudantes do presente e do futuro.
A Jornada Bett Nordeste também se apresentou como uma oportunidade de conhecer de perto as particularidades do mercado educacional da região para visitantes de outras regiões. A consultora Priscila Facci veio de São Paulo para participar do evento. “Já participamos da Bett Brasil, em São Paulo, nos últimos quatro anos, e esta é a primeira vez que estamos na Bett Nordeste. Tem sido uma experiência muito boa para entender como funciona o mercado aqui, conhecer oportunidades que muitas vezes não têm a mesma visibilidade e buscar bons investimentos em empresas que estão fazendo a diferença”, afirmou.
A próxima edição da Bett Brasil será entre 4 e 07 de maio de 2027, no Expo Center Norte, em São Paulo. Além disso, o grupo realiza as edições Bett Ásia em 23 e 24 de setembro deste ano, Bett UK, em Londres, nos dias 20 a 22 de janeiro de 2027 e Bett USA, em Nashville, nos dias 08 a 10 de novembro de 2027.
Outra iniciativa é a Delegação Bett, que promoverá uma imersão internacional em educação e inovação em Portugal e Inglaterra, entre os dias 13 a 22 de janeiro de 2027. Os educadores que quiserem continuar se capacitando, podem se preparar para as próximas jornadas de conhecimento e escolher a melhor oportunidade, enquanto aguardam a nova data da Jornada Bett Nordeste.
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