Acessibilidade digital amplia possibilidades de aprendizagem para todos os estudantes
A acessibilidade digital costuma ser associada, de forma imediata, às necessidades de pessoas com deficiência. No entanto, o conceito de inclusão tem se ampliado à medida que escolas, universidades e plataformas educacionais passam a adotar estratégias que beneficiam diferentes perfis de estudantes. Esse foi o tema do Conexão Bett que recebeu o business development manager da ReadSpeaker Brasil, Rafael Rocha.
Com mais de 25 anos de atuação global, a ReadSpeaker desenvolve tecnologias de conversão de texto em áudio (text-to-speech), integradas a plataformas educacionais e ambientes virtuais de aprendizagem. As ferramentas permitem que conteúdos sejam lidos em voz alta, acompanhados por destaques visuais e recursos de personalização, oferecendo diferentes formas de acesso ao mesmo material. A ReadSpeaker é parceira da Bett Brasil.
Segundo Rocha, a adoção desse tipo de solução impacta diferentes áreas da instituição de ensino, desde a produção dos materiais até a experiência dos estudantes.
"A partir do momento que você pensa no conteúdo e coloca isso dentro do seu design institucional, aquele material que vai ser disponibilizado na plataforma passa a atender diferentes públicos — estudantes neurodivergentes, com baixa visão, com TDAH ou dislexia — sem que seja necessário fazer diferentes adaptações. Isso elimina essa pressão sobre o professor", explica.
Além de reduzir a necessidade de produzir versões específicas de um mesmo conteúdo, a tecnologia amplia as possibilidades de aprendizagem ao permitir que cada estudante escolha a forma como deseja consumir o material.
"O impacto mais importante é levar para o aluno a possibilidade de escolher de que maneira ele quer consumir aquele conteúdo, seja quem precisa de uma tecnologia assistiva ou qualquer outro estudante da escola", afirma.
Para ilustrar esse princípio, o executivo recorre ao conceito conhecido como Curb Cut Effect. Originalmente criadas para facilitar a circulação de pessoas com mobilidade reduzida, as rampas nas calçadas passaram a beneficiar diversos outros públicos, como pessoas com carrinhos de bebê, ciclistas, entregadores e viajantes com malas.
O conceito, segundo ele, também se aplica às tecnologias de acessibilidade: recursos desenvolvidos para atender necessidades específicas acabam melhorando a experiência de todos.
Assista ao episódio completo:
Resultados observados no ensino
Durante a conversa, Rocha apresentou exemplos de como o uso do TTS (Transcrição de Texto por Voz) pode contribuir para o processo de ensino e aprendizagem. Um dos casos citados envolve a parceria da ReadSpeaker com a Universidade de Barcelona e a plataforma Moodle.
De acordo com ele, ao avaliar o uso da tecnologia entre alunos, aqueles cuja língua materna era o espanhol, a utilização da leitura em voz alta contribuiu para melhorar o desempenho acadêmico e reduzir o tempo de conclusão de atividades em cerca de 20% dos participantes. Entre estudantes que consumiam conteúdos em outro idioma, o impacto foi ainda maior.
"Quando isso era levado para alunos que consumiam conteúdo em uma língua que não era a materna, 65% apresentaram melhorias nas notas e na conclusão dos cursos", relata.
Segundo Rafael, resultados semelhantes também têm sido observados em escolas bilíngues e internacionais que utilizam esse tipo de recurso.
Design Universal para Aprendizagem amplia o conceito de inclusão
Outro tema abordado no episódio foi o Design Universal para Aprendizagem (DUA), abordagem que propõe desenvolver ambientes e materiais educacionais capazes de atender diferentes perfis de estudantes desde a sua concepção, em vez de depender de adaptações posteriores.
Na avaliação de Rocha, esse é um dos principais diferenciais da proposta adotada pela ReadSpeaker. "Quando olhamos apenas para a deficiência, muitas vezes acabamos fazendo remendos na solução. Na ReadSpeaker, as ferramentas de acessibilidade fazem parte do produto desde o início, e não são adicionadas no meio ou no fim do processo", diz.
Ele destaca que essa lógica atende tanto estudantes que utilizam tecnologias assistivas quanto aqueles que apenas preferem consumir conteúdos em diferentes formatos.
Como exemplo, o executivo cita o consumo simultâneo de texto e áudio, prática já consolidada em plataformas digitais e redes sociais, por meio de legendas e conteúdos multimodais.
"O aluno pode ler, ouvir e acompanhar o texto destacado ao mesmo tempo. Isso é muito importante para pessoas com dislexia ou TDAH, mas também para quem simplesmente prefere estudar enquanto está em deslocamento ou fazendo outra atividade", ressalta.
Na perspectiva do Design Universal para Aprendizagem, conclui Rocha, oferecer múltiplas formas de acesso ao conteúdo deixa de ser uma estratégia voltada apenas à inclusão e passa a integrar uma proposta pedagógica que reconhece a diversidade das formas de aprender.
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