Allan Dias Castro: “Por trás de toda cobrança e expectativa, existe um ser humano que precisa ser visto”
A urgência de olhar para quem somos além do crachá, das métricas e dos algoritmos será o ponto de partida da participação de Allan Dias Castro na Jornada Bett Nordeste, que acontece nos dias 19 e 20 de agosto de 2026, no Recife Expo Center, em Recife (PE). O credenciamento para o evento pode ser feito aqui.
Poeta, escritor best-seller e um dos principais nomes da poesia falada no Brasil, Castro defenderá que a sensibilidade, a escuta e o reconhecimento da própria essência são elementos fundamentais para fortalecer a saúde mental e as relações humanas.
Nesta entrevista ao Bett Blog, ele fala sobre como a poesia se tornou um caminho de autoconhecimento, analisa os impactos da lógica da produtividade na construção da identidade e compartilha reflexões sobre o cuidado com educadores.
Bett Blog – Sua trajetória como poeta, escritor e comunicador mostra que a sensibilidade pode provocar reflexões profundas. Como a poesia e a arte passaram a fazer parte da sua vida e influenciar a maneira como você se relaciona com as pessoas?
Allan Dias Castro: Por muito tempo, essa sensibilidade ficou guardada, quase escondida dentro do meu peito. A poesia surgiu como um bálsamo, uma forma de cura para esse acúmulo de sentimentos e palavras que estavam represados. Como grande parte do que escrevo é em primeira pessoa, meus textos refletem tanto realidades que já vivi quanto buscas que ainda fazem parte da minha caminhada.
Acredito na coragem de oferecer ao outro aquilo de que também preciso. Enquanto a poesia me ajudava a desentalar sentimentos da garganta, eu também buscava esse processo de cura na minha própria vida. Isso influenciou diretamente a maneira como passei a me relacionar com as pessoas, desde quem está mais perto de mim até as tantas amizades que a poesia me proporcionou. Sou muito grato à arte por essa possibilidade de cura por meio da descoberta da vulnerabilidade como uma potência humana.
Bett Blog – Em um mundo orientado por métricas, produtividade e algoritmos, por que se tornou tão importante olhar para quem somos além dos resultados e dos papéis que ocupamos?
Allan Dias Castro: Eu falo muito sobre reconexão pessoal. Esse resgate da nossa identidade não pode acontecer a partir de um olhar externo nem tomando como referência métricas que atendem a interesses muito maiores do que, muitas vezes, conseguimos perceber.
Acredito que a comparação é um dos principais fatores de adoecimento da nossa sociedade. As redes sociais mostram uma realidade distorcida e acabam impondo um padrão de realização e felicidade como se existisse um único caminho possível. Olhar para quem realmente somos é, para mim, uma forma de libertação. E se você fosse apenas quem você é? O alívio vem quando percebemos que esse 'apenas' já é suficiente.
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Bett Blog – O autocuidado costuma ser visto como uma prática individual, mas seus efeitos também fortalecem as relações com o outro. A partir da sua experiência, o que ajuda um educador a preservar a sensibilidade, a criatividade e a capacidade de inspirar seus estudantes?
Allan Dias Castro: A pressão sobre o educador é imensa, enquanto o reconhecimento está longe de ser proporcional. Diante disso, o autocuidado muitas vezes parece impossível e acaba sendo confundido com egoísmo.
A mudança passa por aprendermos a respeitar e valorizar, de fato, os profissionais da educação. Assim, eles não precisarão oferecer ao mundo aquilo que não recebem. Precisamos fortalecer essa base para suprir ausências que vão se acumulando ao longo do tempo. Só então o educador conseguirá transbordar esse cuidado no trabalho que realiza e nas relações que constrói com seus estudantes.
Bett Blog – Na Jornada Bett Nordeste, você estará em diálogo com educadores e gestores de diferentes contextos. Qual reflexão considera mais urgente para quem deseja fortalecer uma cultura de cuidado, escuta e colaboração nas escolas?
Allan Dias Castro: A reflexão mais urgente é lembrarmos que, por trás de toda cobrança e expectativa, existe um ser humano que precisa ser visto, ouvido e respeitado. É com esse ser humano por trás do crachá que eu quero conversar durante o nosso encontro na Jornada Bett Nordeste.
Quando reconhecemos e respeitamos a batalha de cada pessoa, muitas vezes invisível para quem está ao redor, conseguimos criar ambientes mais acolhedores e cuidadosos. Esse movimento começa em cada indivíduo, chega à sala de aula e, aos poucos, se reflete na sociedade como um todo.
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