16 jun 2022

Bilinguismo e o mercado de trabalho

Bilinguismo e o mercado de trabalho
Especialistas em educação bilíngue explicam que a proficiência em uma ou mais línguas pode resultar em uma influência direta na empregabilidade dos jovens no país

O objetivo de formar uma geração bilíngue é um ponto de consenso entre as marcas expositoras da Bett Brasil, que têm soluções voltadas para o ensino de um segundo idioma. Porém, para tornar essa meta realidade, há um longo caminho que precisa ser percorrido. De acordo com levantamento feito pelo British Council, apenas 5% da população brasileira sabe se comunicar em inglês e, destes, apenas 1% apresenta algum grau de fluência.  

Um dos argumentos que explica a importância do bilinguismo no país, em especial a fluência em inglês, é o direto impacto na empregabilidade no futuro dos estudantes, uma vez que existe um gap entre a demanda do mercado brasileiro e a oferta de mão-de-obra com esse conhecimento. Uma pesquisa salarial feita pela Catho - plataforma de classificados de empregos - em 2021, constatou que um profissional com inglês fluente pode receber em média 83% a mais, considerando o seu nível hierárquico. A mesma pesquisa, feita em 2017, apontava um aumento salarial de 38%, o que mostra a importância que o idioma vem ganhando nos últimos anos.  

A diretora Acadêmica no Edify Education, Raquel Carlos, afirma que a evolução desse quadro de baixa adesão de uma outra língua passa por estimular a prática do idioma na grade curricular, oferecendo opções de aprendizado, além de material didático de qualidade. “É preciso também incentivar os professores por meio de treinamentos e programas de formação”, destaca Raquel.  

Na avaliação da equipe de Teacher Development da Cel.Lep, Nancy Lake e Inara Couto, a educação bilíngue, em especial de idiomas de ampla penetração mundial, como o inglês e o espanhol, tem papel fundamental e insubstituível para que indivíduos e comunidades possam estar integrados ao novo desenho das relações internacionais. Elas apontam que é urgente que o Brasil redobre os esforços e recursos para capacitar seus cidadãos nas duas frentes, com o ensino do espanhol,  porque estamos inseridos na cultura da América Latina, e do inglês, porque é o maior instrumento de comunicação entre os povos da contemporaneidade. 

O diretor de Operações e Pedagógico da Simple Education, Fernando Rodrigues, destaca que a relação da proficiência em inglês sempre teve relevância direta com a empregabilidade e os brasileiros precisam alcançar um maior protagonismo nas relações comerciais internacionais e em negócios, como uma economia global. “O inglês é um meio para acessar tudo isso. Tudo começa na escola e nosso desafio é levar esta possibilidade para cada vez mais alunos”, disse Rodrigues.  

Para a Raquel, da Edify Education, atualmente a necessidade do inglês é um requisito para muitas vagas de emprego ligadas à tecnologia, uma área que desperta o interesse de muitos jovens. “Desenvolvedor de softwares, analista de Big Data, especialista em inteligência artificial são algumas áreas em constante crescimento. Para atuar nesses segmentos é imprescindível o conhecimento da língua inglesa. Por essa razão, estimular o aprendizado do idioma na rotina dos estudantes é fundamental para que eles tenham excelentes oportunidades no futuro”, destaca ela.  

Já o coordenador geral da Equipe Pedagógica Be - Bilingual Education, Pedro Brandão, concorda que aprender um outro idioma deixou de ser uma questão de status e passou a ser uma necessidade para a formação de cidadãos globais. Ele pontua também que a relação entre "dominar um segundo idioma" e o mercado de trabalho pode ser ultrapassada e superficial quando olhamos para a educação bilíngue como uma possibilidade de transformação da realidade global e como uma ponte que oferece aos seus agentes a possibilidade de interação com o mundo de maneira integral, o que extrapola as necessidades do mercado de trabalho. 

A VP Lifecycle & Innovation na International School, Virgínia Garcia, opina que com o avanço da tecnologia muitas perguntas foram levantadas sobre quais serão as profissões do futuro e quais correm o risco de desaparecer. “Precisamos de conteúdo que venha a apoiar o aluno na sua caminhada profissional e social por meio de comunicação eficaz. A educação bilíngue oferece mais um canal que viabiliza tal comunicação com o mundo e, sem dúvida, irá propiciar ao atual aluno a capacidade de se tornar empregável em um mundo em constante mutação”, afirma Virgínia. 

Para a equipe da Cel.Lep, o bilinguismo abre um leque muito mais amplo de oportunidades profissionais. Essa capacitação é revertida para a projeção do país na esfera internacional. Um exemplo disso é a indústria do turismo e a hospitalidade, um campo onde há inúmeras oportunidades de atuação e é beneficiado amplamente com a qualificação de seus colaboradores em línguas internacionais. 

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