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Como a educação brasileira pode aprender com o modelo de gestão do Reino Unido

Redação Bett Blog
Como a educação brasileira pode aprender com o modelo de gestão do Reino Unido
Educadores brasileiros durante visita ao King’s College. Foto: Bett Brasil
Especialista analisa práticas pedagógicas, uso de tecnologia e organização curricular, com alerta para a necessidade de adaptação às normas e ao contexto das escolas do país

A incorporação de referências internacionais ao contexto educacional brasileiro exige mais do que a simples reprodução de modelos bem-sucedidos. É preciso reflexão e uma adaptação crítica das experiências, respeitando as diretrizes nacionais e a realidade das escolas no país.

Nesse contexto, o principal diferencial do modelo britânico reside na valorização do professor como profissional em desenvolvimento contínuo e na construção de uma cultura escolar centrada na aprendizagem, colaboração e no uso crítico da tecnologia.

Para o professor do King’s College London, Arthur Galamba, o modelo de educação britânico tem diferenças importantes em relação ao sistema brasileiro, especialmente no que diz respeito à formação de professores, organização da carreira docente e estrutura curricular.

“O que fica mais evidente é o modelo de formação inicial. Na Inglaterra, predomina o formato 3+1, no qual o futuro professor realiza primeiro uma graduação em sua área de conhecimento e, posteriormente, um curso profissionalizante intensivo. No Brasil, a formação ocorre de forma simultânea, com conteúdos pedagógicos e disciplinares distribuídos ao longo da licenciatura”, diz Galamba.

Pensando nisso, o docente e conselheiro da Bett Brasil aponta os principais modelos de gestão, práticas de ensino e tecnologias emergentes observadas durante a Delegação Bett UK, promovida pela Bett Brasil, em Londres, e que poderiam ser adaptadas para o Brasil. Confira:

  • Gestão Escolar

No campo da gestão escolar, o potencial está na criação de estruturas de liderança pedagógica intermediária, que são capazes de fortalecer o trabalho colaborativo entre professores e de valorizar o desenvolvimento profissional dentro da própria escola.

“A existência de funções voltadas especificamente ao acompanhamento da aprendizagem, à inclusão e ao apoio pedagógico contribuem para uma gestão mais próxima do processo educativo”, reflete Galamba.

Arthur Galamba

Professor Arthur Galamba reflete sobre o modelo educacional britânico. Foto: Reprodução.

  • Práticas de Ensino

No que se refere às práticas pedagógicas, o currículo inglês apresenta princípios que contribuem de forma significativa. A organização da atividade docente a partir de grandes ideias, retomadas ao longo do tempo com níveis progressivos de complexidade, e a valorização da avaliação para a aprendizagem que além de gerar impacto na vida do docente contribui com intervenções pedagógicas mais assertivas.

O sistema britânico também segue as chamadas Key Stages, etapas de ensino orientadas pelos princípios de progressão e continuidade, inspirados no currículo espiral, onde os alunos avançam por idade, e cabe à escola identificar dificuldades e oferecer apoio pedagógico sempre que necessário.

  • Tecnologia

No que diz respeito às tecnologias emergentes, Galamba acredita que o maior potencial está no apoio ao trabalho docente. “Ambientes digitais colaborativos podem auxiliar para a documentação da aprendizagem, a construção de portfólios e o acompanhamento do percurso dos estudantes ao longo do tempo. Além disso, a inteligência artificial pode ser incorporada de forma crítica e responsável como ferramenta de apoio ao planejamento de aulas, à diferenciação pedagógica e à análise do desenvolvimento dos mesmos, reduzindo a carga administrativa do professor e ampliando o tempo dedicado ao ensino”, conta.

A inteligência artificial generativa vem sendo aplicada de forma gradual e cautelosa no contexto britânico. Professores, gestores, universidades e o próprio Governo reconhecem que estão em um processo de aprendizado para incorporar a ferramenta de maneira educacional, entendendo como e por que usá-la durante o ensino. O objetivo não é que ela assuma o controle na relação entre pessoas e tecnologia, mas que funcione como forma de apoio para agilizar, revisar e aprimorar o trabalho humano, mantendo o protagonismo e o pensamento do estudante no centro de todo o processo.

Para Claudia Valério, diretora Geral da Bett Brasil, que fez parte da Ddelegação Bett UK em visita às principais escolas e universidades britânicas, a inteligência artificial segue sendo um dos temas centrais: “Ainda que tratada de forma equilibrada, a IA segue em diálogo com a inteligência humana. Isso é um sinal muito positivo de maturidade do debate: não se trata apenas de adotar a tecnologia, mas de entender como ela pode potencializar o papel do educador, do estudante e da aprendizagem como um todo. Para mim, esse é um claro indicativo de que estamos avançando na direção certa”.

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