Congresso aborda o futuro da educação e avaliação das competências da BNCC

Autor convidado: Educador 21

Carolina Pavanelli, head Pedagógica dos Sistemas de Ensino Eleva e Ético, foi a palestrante no painel “Inovação e Tecnologia: 3 passos para o futuro da Educação”, onde destacou que educação e tecnologia precisam caminhar juntas para maximizar o processo de ensino e aprendizagem. A pedagoga trouxe para o Congresso da Bett Brasil  uma apresentação que abordou gamificação, transformação digital e intencionalidade pedagógica.

De acordo com a especialista, há três pontos de atenção no sentido de trazer o futuro para a educação agora:

1) Inovar não significa necessariamente fazer algo novo, mas melhorar o que já existe;
2) É preciso educar as novas gerações para o uso consciente dos recursos digitais;
3) Todo e qualquer uso de tecnologia em sala precisa ter uma intencionalidade pedagógica.

Ainda segundo Carolina Pavanelli, estamos vivendo um momento não só de transformação, mas também de adequação. Um exemplo para ilustrar a afirmativa foi o seu ponto de vista sobre o livro didático. Na sua opinião, o livro didático é um recurso pedagógico muito importante para o professor e para a educação. Embora acredite que o livro digital deva, eventualmente, se sobrepor ao livro físico, com novos pensamentos e recursos para engajamento de alunos, Carolina Pavanelli não acredita que isso aconteça a curto ou médio prazo.

“Mas o livro didático precisa se adaptar à nova realidade. Trazer um QR code que vá para um vídeo para o aluno assistir, uma vinheta de uma pesquisa, de um trabalho em grupo, de um PBL para os alunos colocarem mais a mão na massa”, opinou a educadora, que também destacou que a escola investir em formação dos professores é ainda mais importante do que investir nas tecnologias que esse professores deverão usar.

“O pai não vai acreditar porque você está falando, mas se você mostrar dados em plataformas, puxar relatório mostrando que o filho assistiu a X videoaulas de história e a nota dele na prova foi tal, assistiu a duas videoaulas de inglês e a nota foi mais baixa. Dados são a melhor forma de convencimento dos responsáveis para uma aceitação de toda essa transformação da educação”, disse Carolina Pavanelli, e indicou a leitura do livro “Como usar dados na educação”, de Andréa Filatro, para ajudar a entender melhor esse caminho data driven do setor.

Avaliação das competências socioemocionais ainda é um ponto de interrogação para muitos educadores

Com a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma preocupação recorrente entre os educadores passou a ser como trabalhar as soft skills desenvolvidas na escola. Não apenas isso, mas também como enfrentar um dos principais desafios que surgiu junto com ela: descobrir como analisar a empatia de um estudante da mesma forma que avaliamos seu entendimento de uma teoria matemática, por exemplo. Porque o aprendizado socioemocional não pode ser medido por uma simples prova.

Para clarificar essa dúvida, o painel “As competências gerais da BNCC: como planejar e avaliar?” reuniu as especialistas Helena Singer, vice-presidente da Ashoka América Latina, e Beatriz Ferraz, diretora executiva da Escola de Educadores. A palavra-chave, de acordo com as educadoras, para bem implementar a BNCC e avaliar as competências propostas é intencionalidade pedagógica. Mas, para parte dos educadores, a BNCC continua contraditória frente ao sistema avaliativo nacional onde o aluno é avaliado com conteúdos memorizados, sem considerar a individualidade — e o Enem, nesse caso, é apontado como um dos principais exemplos.

“A BNCC é um documento contraditório nele mesmo. Todas as provas avaliativas em vigor primam por uma perspectiva conteudista que estimula a competição, e não a colaboração, que estimula um caminho totalmente individualista, e não o caminho do bem-comum. Tudo contrário ao que incentiva a BNCC. Tem avançado todo um debate sobre o que os professores podem mudar nas suas práticas, o que as escolas podem fazer de diferente. Mas ainda não sabemos como transformamos essas ‘camisas de força’, porque o único indicador de qualidade que temos na educação, o Ideb, se baseia nessas provas”, declarou Helena Singer.

Outra contradição apontada pelos educadores é a dificuldade de trabalhar o emocional diante de tantas metas estipuladas pela BNCC. De acordo com Beatriz Ferraz, a base como um documento traz princípios que ainda não são princípios que se encontram como condições das práticas pedagógicas. “Na minha visão, a base foi um movimento muito importante para o país, que ajudou a ter referências em comum para pensar a qualidade da educação pública, mas o processo foi muito atrapalhado, muito corrido, e precisava de continuidade no processo de implementação, porque a base não é currículo”, frisou a educadora.

 

 

 

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