Criatividade para superar os desafios da Educação

Prêmio Professor Transfomador

Veja como foi a conversa com o educador, que inspira toda a rede de professores transformadores:

 

 

Certamente, muitos dos desafios que superou ao longo da sua trajetória são desafios comuns a muitos educadores e educadoras. Quais foram os maiores e como os superou?

 

Prof. Jayse:  A meu ver, o maior desafio é a estrutura escolar, ou seja, termos escolas e comunidades com realidades muito diferentes. O meu maior desafio foi entender como trabalhar, em comunidades tão diversas, o conteúdo que eu tinha aprendido na universidade e que, talvez, poderia não fazer sentido em determinadas localidades. Então, o maior desafio foi entender aonde eu iria aplicar aquele conhecimento, onde eu iria trabalhar e, junto com os alunos, produzir algo que fizesse sentido para eles. O maior desafio, portanto, é você saber aonde vai trabalhar e como vai trabalhar com os poucos recursos que a escola pública tem. E para superar esses desafios, foi preciso muita criatividade. Quando eu queria dar aula de Artes, por exemplo: como fazer se não tenho uma sala de artes,  se os materiais são muito escassos?...Como superar essa dificuldade? Ouvindo os meus alunos, vendo o que é que funcionava e quais materiais a comunidade dispunha. E aquilo que a gente não tinha na escola, nós pedíamos emprestado ou então organizávamos “vaquinhas” para que a escola produzisse. Isso foi um desafio mas, ao mesmo tempo, incentivou muito a criatividade, já que nós tínhamos que produzir novidades com os materiais que estavam ao nosso alcance. Os alunos traziam materiais de casa para a sala de aula, criavam seu próprio material para estudo e tudo isso nos ajudou bastante a superar os desafios da escola pública brasileira.

   

 

Os desafios impostos à Educação pela pandemia não foram poucos. Muito foi feito com o apoio da tecnologia, mas.. e o papel do professor, como você avalia e define o papel do professor transformador neste novo contexto da Educação?

 

Prof. Jayse: Realmente, os desafios foram diversos. Primeiro, porque o professor teve que se reinventar: ninguém no mundo tinha resposta, todos ficaram procurando estratégias que funcionassem para a sua realidade. E isso é importantíssimo: a gente “tirar o chapéu” para o professor que se reinventou, já que os órgãos oficiais, como o MEC, não apresentaram nenhuma proposta, até porque ninguém tinha resposta correta para esse desafio. O professor não deixou a “peteca cair” e isso foi muito incrível! Em relação ao papel do professor nesse novo contexto, diria que foi fundamental. Eu conheço escolas que eram muito preparadas tecnologicamente, mas que não souberam lidar com o momento da pandemia. Então, a tecnologia veio para ajudar bastante, mas o que fez a diferença é o que o professor produziu com essa tecnologia. Temos o exemplo do Professor Alberto Rodrigues, do interior de São Paulo, que fez hologramas com o celular cortando capinhas de CD para montar a estrutura necessária e os alunos pudessem vê-lo. Literalmente em cima do celular, um holograma claro. Então, olha quantas ideias criativas podem ser executadas com materiais simples! Portanto, não foi a tecnologia que, literalmente, fez a diferença, mas sim o que o professor fez com os poucos recursos que tinha.  Até porque, vale lembrar, muitos alunos não têm acesso à internet. Então, foi preciso pensar em estratégias para que o aluno pudesse continuar a receber o conteúdo. O educador, enfim, é que fez a diferença e, nesse contexto, a tecnologia foi o meio, o aparato para isso.

 

 

Transformação talvez seja uma das palavras mais pertinentes no atual contexto do nosso país. Na sua visão, quais as transformações possíveis e desejáveis que os professores podem ajudar a promover, com base nas suas práticas?

 

Prof. Jayse: A palavra-chave do momento, realmente, é transformar. O professor precisou entender o contexto em que nós estávamos e, depois, repensar a sua prática, o que, aliás, é um exercício sempre desejável. Foi necessário encontrar metodologias que funcionassem e, principalmente nesse período de pandemia, olhar também as realidades à sua volta. Alunos e pais que perderam o emprego, por exemplo: o que é que eu posso fazer pra tentar amenizar essa situação? Muitas vezes, parece que a escola é um mundo à parte e isso não é verdade. Está tudo interligado. Então, os conteúdos também precisam levar em consideração isso, o contexto socioemocional, garantir que o aluno se sinta bem na escola. Essas transformações de visão não devem estar focadas somente no conteúdo, mas também na metodologia e sem esquecer a realidade: como eu posso passar esse conteúdo de uma maneira divertida, para ajudar o aluno a superar os desafios desse momento? Tenho procurado trazer essas reflexões para a minha prática pedagógica e tem dado muito certo, porque levam em consideração também o querer do aluno. Ou seja, as práticas estavam dentro da Pedagogia, dentro da proposta pedagógica da escola, mas ligadas com o que os alunos gostam: filmes, séries, vídeos….então, sempre pense nisso: o que é que o aluno tem? Paulo Freire falava muito sobre isso: a bagagem que o aluno traz para a escola, como é que eu posso aproveitá-la para impulsionar esse aprendizado? Portanto, essa é uma prática inovadora e transformadora: utilizar as habilidades que os alunos trazem para a escola e “colá-las” com o pedagógico.

 

 

Quem é o Professor Transformador, que possibilita conectar a Educação a um presente e futuro desejáveis? 

 

Prof. Jayse: O Professor Transformador é aquele que traz consigo uma habilidade essencial para o Século XXI: cultivar a criatividade, transformando os seus alunos em pessoas criativas. Eu sempre penso nisso: não posso ter alunos criativos se eu não sou criativo. E é a partir daí que esse professor vai dar um salto de qualidade, mostrando que é alguém que está totalmente disposto a ouvir, aprender e também errar. Durante muito tempo se pensou que o professor fosse o detentor de todo o saber e foi aí que a gente mais ficou engessado. Quando digo que eu não sei, mas que estou aberto a aprender com o meu aluno e as habilidades que ele traz, isso faz uma diferença muito grande. É aí que o aluno se sente seguro pra gente não só fazer o presente, mas também botar aquele pé no futuro: prepará-lo não só para o mercado de trabalho, mas para ser alguém criativo, que é uma das habilidades que o século XXI mais pede. 

 

 

E a escola, como pode ser essa escola que possibilita conectar a educação a um presente e futuro desejáveis?

 

Prof. Jayse: É preciso repensar a estrutura escolar, lembrando que ela se mantém, durante muitos séculos, quase que imutável. Fala-se até em “escola do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI”. Então, essa balança tem que se equilibrar e aí a escola tem um papel fundamental. Porém, a escola em si não muda sozinha: a gente precisa de políticas públicas. É muito importante requerer isso em lei, ou seja, que a escola tenha aparato tecnológico mínimo, que a formação do professor realmente seja continuada, e não apenas aquela inicial, quando se conclui o curso de Pedagogia. A escola, enfim, tem que andar com o professor e, principalmente, antenada com o aluno. Eu sei que essa mudança vai ocorrer aos poucos, mas é super necessário esse debate, para que a escola seja, literalmente, a segunda casa. E para ser a segunda casa, ela tem que ser atrativa.

 

 

Que mensagem você deixa para os professores e professoras que superam desafios diários para empreender uma educação transformadora?

 

Prof. Jayse: Precisamos, sobretudo, empoderar os professores! Então, a mensagem que eu deixo é: professor, você já fez a diferença hoje? E como é que a gente faz a diferença? Acreditando que é possível. Por isso, professor, acredite: o teu papel é fundamental! Não esperem que vá cair do céu uma resposta mágica. Na Educação, não existe “bala de prata” e a gente também não vai “reinventar a roda”. Por isso, o ideal é olhar para a tua escola, para a tua sala de aula e identificar: o que é que vem funcionando? E se não está tão legal, pergunte ao seu aluno:  como seria interessante que essas aulas acontecessem? Isso é empreender, é trabalhar com o nosso cliente que, é claro, é o nosso aluno! Então, é preciso se aproximar, entender as suas angústias e desejos e, a partir daí, planejar as suas aulas. Um bom Projeto Político-Pedagógico (PPP) também ajuda bastante, fazendo com que a sua sala de aula esteja antenada com seus alunos, a escola e a realidade à sua volta. Então, professor, vai lá e transforme! Você é quem faz esse Brasil ir pra frente!

 

Para finalizar, gostaríamos que fizesse um convite aos educadores de todo o Brasil para que participem do Prêmio Professor Transformador 2021:

 

Prof. Jayse: Olá educadores e educadoras de todo o Brasil. Eu sou o Professor Jayse Ferreira e tô passando aqui pra te fazer um convite imperdível. Que tal ter tua prática pedagógica divulgada numa plataforma para todo o país conhecer e, de quebra, ainda levar R$ 7 mil por isso? Esse é o Prêmio Professor Transformador 2021! Vai lá e faz tua inscrição, já estão abertas e vão até o dia 1o de dezembro. Não perde tempo! São quatro categorias que serão premiadas e, principalmente, a oportunidade de divulgar o trabalho excepcional de professores como você que está me ouvindo, pra gente inspirar mais pessoas nesse “Brasilzão”. Eu aguardo todos vocês, não perca essa oportunidade! Eu tenho certeza que você vai transformar muito a Educação no País. Vai lá e te inscreve agora!

 

Vamos juntos transformar a educação brasileira dando voz e palco para os professores transformadores. Inscrições para na 2ª edição de Prêmio Professor Transformador no link https://significare.org.br/premio/


Conhecendo melhor o Professor Jayse:

Jayse Ferreira sempre estudou em escolas públicas e foi o primeiro de sua família a concluir um curso superior. Graduou-se em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, há mais de 12 anos, atua como professor nos níveis Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), lecionando em escolas públicas da rede municipal de Pedras de Fogo (PB), onde reside; e em Itambé (PE), pela rede estadual. 

 

O Prof. Jayse se dedica à aplicação mais dinâmica das diversas linguagens artísticas, em especial a Fotografia e o Cinema. Desenvolveu o projeto chamado “Eu sou uma obra de arte: Etnias do Mundo”, que visa resgatar a autoestima e a autovalorização étnico-racial dos educandos. Venceu duas vezes o Prêmio Professores do Brasil: em 2014, na categoria Ensino Médio, e em 2017, na categoria Inovação Pedagógica. Em 2019 foi escolhido como um dos 50 melhores professores do mundo pelo Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação. 



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