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Educação e trabalho para novos futuros

Redação Bett Blog
Educação e trabalho para novos futuros
Como articular Educação Básica e Superior e preparar indivíduos com as competências necessárias para o mundo contemporâneo?

Como você imagina o futuro da educação e do trabalho? Essa é uma pergunta que pode ser respondida por milhares de perspectivas diferentes, de acordo com a experiência pessoal de cada indivíduo. Porém, se há um consenso é que, embora seja impossível adivinhar com precisão o que ainda é desconhecido, o ponto de partida para começar a preparar qualquer futuro ideal é no ambiente escolar.

E, por essa razão, é essencial a evolução do cenário atual da educação, do ensino básico até o superior, para acompanhar toda a transformação social, econômica e digital que passamos nos últimos anos. O novo perfil de aluno que está na sala de aula de hoje precisa ser exposto a novas práticas pedagógicas, adaptadas para uma nova geração. Isso significa pensar na cultura digital já nativa das crianças e adolescentes, olhar com atenção o lado emocional e psicológico de cada um individualmente e considerar o desejo, cada vez mais latente, do aluno ser protagonista do seu aprendizado.

“As mudanças da educação no Brasil têm que ser disruptivas com a troca do paradigma de como ensinar e aprender e o próprio papel da escola como instituição social. As escolas, sejam instituições de educação básica ou superior, precisam da modernização de suas propostas pedagógicas em uma perspectiva híbrida, impulsionando de forma inteligente o autoestudo, valendo-se das modernas tecnologias e da inteligência artificial”, avalia Maria Inês Fini, presidente na Associação Nacional de Educação Básica Híbrida - Anebhi e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). 

Essa busca pela transformação na educação do país não será possível sem o diálogo ativo entre todos os atores do setor e a comunidade global. Parte do DNA da Bett Brasil, organizadora do maior encontro de Educação e Tecnologia da América Latina, é promover essas conversas entre gestores, professores, educadores e especialistas da área. Nesta 28ª edição do evento o tema central, escolhido para guiar todas as atividades, foi exatamente ‘Educação e Trabalho para Novos Futuros’. 

“Este tema foi escolhido em reconhecimento à necessidade de desenvolver soluções que integrem a educação básica, incluindo suas novas propostas e demandas, especialmente no contexto do novo Ensino Médio, com a educação superior e profissional e suas necessidades de inovação. É crucial que esses dois mundos se aproximem para que a educação esteja focada no desenvolvimento de indivíduos capazes de lidar com a complexidade do mundo contemporâneo e real. Muitas das profissões do futuro ainda não foram concebidas e, portanto, é essencial que a educação atual seja dinâmica e centrada no desenvolvimento de competências e habilidades amplas, dando aos jovens as condições necessárias para aprenderem a aprender”, explica Adriana Martinelli, diretora de Conteúdo da Bett Brasil.  

Na visão de Ana Paula Gaspar, especialista em tecnologia educacional, o principal desafio para a educação ser efetivamente um elo para o futuro dos alunos no mercado de trabalho é a redução das desigualdades de acesso enfrentadas por milhares de crianças e jovens no país. Ela cita, como exemplo de acontecimentos recentes que comprovam essa questão, o impacto da pandemia de coronavírus, responsável por revelar todo tipo de desigualdades sociais e o acesso limitado a novas tecnologias, como ferramentas de inteligência artificial, que têm o potencial de aprofundar ainda mais esse abismo. 

E quais são as competências para o mundo contemporâneo? 

A dinâmica do mercado de trabalho neste século XXI é orientada por ciclos cada vez mais rápidos, o que exige dos profissionais atualizações constantes e uma capacidade de adaptação em pouco tempo. Neste contexto, o desafio de pensar a educação para novos futuros ganha contornos mais complexos.    

O relatório “The Future of Jobs 2020”, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, apresentou as perspectivas para o mundo do trabalho até 2025 e apontou que a pandemia de coronavírus acelerou a chegada do futuro do trabalho. Segundo o relatório, nos próximos cinco anos, o mercado de trabalho exigirá um conjunto de conhecimentos e habilidades, além da parte técnica, que envolvem principalmente o pensamento analítico, a criatividade e a flexibilidade. São as famosas soft skills, já reconhecidas como premissas básicas para as profissões do futuro e que devem ser desenvolvidas desde a infância.   

socioemocional

“As competências socioemocionais são cada vez mais relevantes em nosso mundo atual, diante dos desafios crescentes na saúde mental, nas relações interpessoais e na capacidade de adaptação às mudanças. Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as 10 competências gerais indicam as demandas mais necessárias para que estudantes e futuros profissionais possam ser inseridos produtivamente na sociedade contemporânea. São habilidades que mobilizam conhecimentos, atitudes e valores para resolver desafios complexos da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”, ressalta Adriana. 

Ela ainda opina que, para trabalhar essas competências, tanto a educação básica quanto a superior precisam adotar uma abordagem pedagógica que priorize o aprendizado ativo e prático, proporcionando aos estudantes a oportunidade de experimentar, errar e aprender a partir de suas próprias experiências. 

Ana Paula concorda com Adriana que a BNCC deve ser usada como uma lista de referência, porque sintetiza de forma clara as competências necessárias no futuro das crianças e jovens de hoje. Ela destaca as quatro competências que mais apontam para o autodesenvolvimento no mundo contemporâneo: o ensino para o pensamento científico, crítico e criativo; a cultura digital com o entendimento sobre como as tecnologias funcionam para que todos consigam navegar no universo digital; o projeto de vida com a percepção sobre as relações próprias do mundo do trabalho, e o senso estético e repertório cultural.

“O senso estético e repertório cultural é uma competência, por vezes, sem muito destaque. Mas é muito importante que os estudantes tenham acesso a equipamentos culturais fora da sala de aula, uma vez que é fundamental pensar em outros espaços possíveis de educação. Acredito que é fundamental para as práticas de diversidade, respeito e convivência ética entre os cidadãos”, afirma Ana Paula. 

Do ponto de vista de Maria Inês, duas habilidades vêm em primeiro lugar no sentido de preparar os estudantes para o futuro: a resiliência e a adaptabilidade. “Para desenvolver todas essas capacidades na educação básica é preciso que a criança da educação infantil tenha a oportunidade de se desenvolver no aspecto físico, cognitivo, afetivo social e emocional. Além disso, ela precisa ser encorajada a pensar por ela mesma, fazer perguntas, observar a natureza, as relações e os papéis sociais, aprender a pensar sobre valores na família e na escola. Assim, essa criança começa a construir gradativamente sua autonomia durante o Ensino Fundamental e adiante a transformar isso em um protagonismo forte na altura do Ensino Médio”.

Ela complementa que o ideal é que o currículo da educação básica favoreça a alfabetização sólida, o letramento matemático e o domínio das estruturas sociolinguísticas e matemáticas. Porém, hoje, estamos ainda na fase de reivindicação dessas mudanças, que devem passar pela gestão da educação em todos os níveis e pela formação de professores e diretores.

"Já o Ensino Superior, enquanto espera por esses novos estudantes, tem que sustentar o movimento disruptivo em busca da mesma modernidade híbrida, com um desafio suplementar que é o acolhimento de jovens que não desenvolveram as competências para aprender a aprender e apresentam profundas defasagens na formação. A universidade brasileira tem o compromisso de criar estruturas curriculares que permitam aos seus estudantes repor estruturas que faltam para prosseguir com chances de sucesso no mundo do trabalho”, completa Maria Inês. 

Combate à evasão de alunos e defasagens de aprendizagem

Tratar de novos futuros sem atender as urgências do presente é, como diz o ditado popular, ‘tentar tapar o sol com uma peneira’. Os números registrados de evasão escolar e defasagem de aprendizagem no país são uma preocupação generalizada do setor de educação, que traz efeitos em cascata para os indivíduos afetados e contribuem para agravar as desigualdades sociais no Brasil.    

Uma pesquisa da UNICEF, divulgada no final do ano passado, revelou que dois milhões de meninas e meninos de 11 a 19 anos que ainda não haviam terminado a educação básica deixaram a escola no Brasil. Isso representa 11% de crianças e adolescentes nessa faixa etária fora das salas de aula no país. O levantamento “Educação brasileira em 2022 – a voz de adolescentes” foi realizado pelo instituto Ipec a pedido do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). 

Evasão escolar

“O país está diante de uma crise urgente na educação. Há cerca de dois milhões de meninas e meninos fora da escola, somente na faixa etária de 11 a 19 anos. Se incluirmos as crianças de quatro a 10 anos, o número certamente é ainda maior. E a eles se somam outros milhões que estão na escola, sem aprender, em risco de evadir. É urgente investir na inclusão escolar e na recuperação da aprendizagem”, declarou em comunicado Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.

As causas da evasão escolar são variadas e divergem de acordo com a faixa etária e condição social de crianças e adolescentes. Entre os motivos mais comuns estão problemas financeiros, impasses de logística para chegar na escola, dificuldades de aprendizagem e a falta de apoio familiar. Por essa razão, para promover o engajamento e a permanência dos estudantes na escola e universidade, é fundamental que estas estejam conectadas com o mundo real.

As soluções passam pelo fomento de políticas públicas de educação e ações no campo de metodologias de aprendizagem para atrair e manter os estudantes na escola. Ana Paula salienta que não é apenas combater a evasão, mas, também, a miséria no nosso país para garantir as condições básicas de frequência e permanência dos alunos nas escolas. Ela afirma que é um problema de solução sistêmica que deve estar endereçado a diferentes esferas do desenvolvimento social, saúde, cultura e segurança pública. 

“Há discussões sendo realizadas no Brasil e no mundo em relação a remuneração dos alunos como uma forma de incentivo à permanência na escola, sobretudo, para jovens de classes sociais menos privilegiadas. Existem alguns estudos para pensar como fazer isso ligando a remuneração diretamente à frequência com objetivo de conclusão do curso. Acredito ser uma estratégia viável que já foi testada em alguns países, incluindo o Brasil. Devemos estar atentos a essas evidências e colocar em prática com urgência o que já está funcionando”, aponta Ana Paula. 

Além das causas citadas acima, a falta de interesse dos alunos, em especial no Ensino Médio, também é uma das principais causas que levam os jovens a desistirem de frequentar a escola. 

Para Maria Inês, tornar a escola mais atraente é uma etapa obrigatória. “A escola com modelo do século XIX não tem mais atrativo ou significado para os jovens. E, com respeito a aqueles que evadiram, é preciso uma busca ativa para que retornem e que novas propostas de escolaridade formal se estruturem em torno das causas do abandono. Vale lembrar que em um país tão desigual como o nosso, é preciso coragem para investir em bolsas de permanência para que as juventudes sejam respeitadas como etapas de consolidação da formação”. 

Adriana destaca que os altos índices de evasão e desinteresse indicam que muitos jovens não conseguem perceber uma relação direta entre o que é ensinado e o mundo vivido por eles, levando-os a desistir dos estudos e buscarem trabalhos imediatos para gerar renda. Ela avalia que é necessária uma transformação no currículo e na estrutura das instituições de ensino.

“É preciso proporcionar um ambiente de aprendizagem agradável e acolhedor que atraia e mantenha os estudantes na escola e na universidade. É importante que os estudantes sejam ouvidos e respeitados para que se sintam pertencentes a uma instituição de ensino que valoriza a diversidade e respeita a individualidade dos alunos. Uma escola ou universidade inclusiva pode ajudar a criar um ambiente mais atrativo e engajador para os estudantes”, completa a diretora de Conteúdo da Bett Brasil.

 

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