18 jan 2023

A educação do futuro está aqui, mas ainda precisa chegar para todos

Emilio Munaro
A educação do futuro está aqui, mas ainda precisa chegar para todos
Instituições de ensino necessitam expandir suas fronteiras, apoiando os estudantes na sua jornada de lifelong learning não apenas do muro para dentro, mas de forma híbrida, ocupando também os espaços de convívio virtual

Vivemos uma revolução que está transformando a forma como nos relacionamos, aprendemos e trabalhamos. Automação, inteligência artificial e de dados, realidade virtual e aumentada, 5G, entre outros. Tudo se converge em um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo. Mas esse novo mundo, representado pelo acrônimo VUCA, ou o contemporâneo BANI: frágil, ansioso, não linear e incompreensível, não está refletido na maioria das salas de aula da Educação Básica e Superior, pública ou privada, brasileira.

A educação sempre foi desenhada de acordo com o contexto da sociedade. A partir do século 18, com as inspirações do iluminismo, ela se tornou o principal agente para o desenvolvimento do pensamento racional no mundo. Essa função foi de extrema importância para o progresso; se estamos passando por uma revolução científica e tecnológica, é porque a ciência se ampara justamente nesse pensamento racional.

Mas o contexto mudou e as questões do século 20 se acumulam a novos problemas. Crise climática, migrações em massa, guerra, fome, fake news, isso sem mencionar o legado da pandemia do coronavírus, assunto para um outro artigo. 

O século 21 potencializou velhos problemas e escancarou novos desafios globais e urgentes, que demandarão das novas gerações competências além das cognitivas. Mais do que ler, escrever e memorizar, o mundo de hoje exige uma educação que fale com mentes e corações e que forme seres humanos conscientes de toda a complexidade do mundo, capazes de construir sua própria trajetória, de acordo com um propósito de vida explícito, respeitando ao próximo, acima de tudo. Afinal, ninguém precisa concordar ou discordar de alguém, mas sim, respeitá-la ou respeitá-lo em seu ponto de vista. 

Para isso, é necessário um novo currículo que vá além do desenvolvimento das habilidades cognitivas e abrace as competências socioemocionais de forma intencional, mas que também incorpore o pensamento computacional e as novas tecnologias em uma perspectiva de educação integral. Uma educação que considera o desenvolvimento das múltiplas dimensões de cada pessoa e que prepare crianças, jovens e adultos para este contexto do século 21 que elas irão enfrentar, ou melhor, já estão enfrentando!

Neste caminho, as instituições de ensino necessitam expandir suas fronteiras, apoiando os estudantes na sua jornada de lifelong learning não apenas do muro para dentro, mas de forma híbrida, ocupando também os espaços de convívio virtual.

Phygital

O ensino híbrido contribui para a construção de uma instituição de ensino mais inovadora, permeável à cultura digital e ao desenvolvimento de uma série de competências que são recrutadas quando se trabalha com metodologias mais centradas no estudante. Portanto, não estamos falando de uma proposta em que o estudante não se relaciona, não interage mais com professores ou colegas, mas sim, de uma proposta phygital que possui uma forte carga de ressignificação nas interações sociais vinculadas à aprendizagem.

Ao propor uma educação que avance para além dos muros e tempos escolares e desenvolva o estudante em todas as suas capacidades, o ensino híbrido permite uma educação 360, que responde aos desafios desse tempo. É urgente retomar esse papel revolucionário de cada uma das instituições de ensino. No entanto, muitos estudantes ainda têm dificuldade de acessar recursos digitais.

Por isso, é fundamental que a implementação do ensino híbrido caminhe ao lado do fortalecimento de políticas interessadas em reduzir as desigualdades educacionais e na formação de professores para atuar deste modo. Experiências de instituições de ensino, públicas e privadas, no Brasil e fora do país que investiram no ensino híbrido mostram a importância de se equipar para oferecer esse acesso aos estudantes em seu contraturno, por exemplo. 

A educação do futuro se faz agora

A pandemia do novo coronavírus evidenciou que o ensino híbrido pode ajudar a romper com o modelo tradicional de sala de aula ao estabelecer novas arquiteturas para o desenvolvimento integral. Mais do que incorporar as novas tecnologias e metodologias, no entanto, será necessário repensar a educação, para que ela possa dar conta das complexidades do mundo.

Uma educação que ensine crianças, jovens e adultos a resolverem problemas e apoie-os a encontrar seu propósito. Uma educação que forme jovens empreendedores, conscientes de seu papel na sociedade e motivados a desenvolver soluções criativas para os problemas do mundo que conhecemos hoje. Sem esse compromisso, não haverá ensino híbrido ou inovação, nem tampouco futuro. Temos pontos de partida... precisamos mais do que planejamento para estabelecer as faixas de chegada, temos, de fato, de colocá-los em prática! 

 

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*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Bett Brasil.

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