Educação inclusiva ganha protagonismo na Bett Brasil com soluções baseadas em IA, acessibilidade e personalização do ensino
A educação inclusiva ocupa um espaço cada vez mais central no debate educacional brasileiro — e isso se reflete diretamente nos corredores da Bett Brasil. Impulsionadas pelo crescimento expressivo das matrículas e por novas diretrizes públicas, empresas e edtechs apresentam soluções que prometem transformar a forma como as escolas atendem estudantes com deficiência, transtornos do desenvolvimento e altas habilidades.
Dados do Panorama da Educação Especial 2025, do Instituto Rodrigo Mendes, mostram a dimensão dessa mudança: entre 2015 e 2024, o número de matrículas na educação especial mais que dobrou, saltando de 930 mil para 2,07 milhões de estudantes.
Hoje, 92,6% desses alunos estão incluídos em classes comuns. O perfil também mudou — estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) passaram de 5,6% para 44,2% das matrículas no período, indicando novos desafios para as redes de ensino.
Esse cenário é reforçado por políticas recentes, como o decreto nº 12.686, de outubro de 2025, que instituiu a nova Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. Na prática, cresce a demanda por ferramentas que apoiem professores na personalização do ensino e é exatamente essa lacuna que os expositores da Bett Brasil buscam preencher.
Uma das apostas é a plataforma da edtech Vínculo, capaz de adaptar o conteúdo pedagógico de acordo com as necessidades de cada aluno. A Plataforma utiliza dados pedagógicos e laudos clínicos (se houver) para estruturar o Plano Educacional Individualizado (PEI) de cada estudante com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O professor também pode subir na plataforma o seu plano de aula e pedir para que seja adaptado individualmente para cada aluno em cada turma.
“Trouxemos para a feira uma inteligência artificial específica para educação especial inclusiva. É uma tecnologia proprietária, disponível tanto como produto quanto via API”, afirma o fundador da Vínculo, Rafael Anselmo. Segundo ele, a solução já impacta mais de mil estudantes em cerca de 350 escolas públicas e privadas. A origem da plataforma é pessoal: “Meu filho Bernardo, com síndrome de Down, foi o principal motivador. Uma experiência escolar difícil acabou se transformando em solução”.
Outro destaque é a FTD Educação, que amplia o uso de inteligência artificial em sua plataforma gratuita “FTD com Você”. A ferramenta reúne geração de atividades, planos de aula e materiais pedagógicos, além de um agente de inclusão voltado à adaptação de conteúdos para alunos com autismo, TDAH, dislexia e deficiência intelectual.
“A FTD Educação também apresenta o Flui, solução para avaliação e desenvolvimento da fluência leitora com tecnologia Google Cloud AIRA, que realiza diagnóstico automatizado e escalável. O sistema classifica alunos em oito níveis de fluência, gera relatórios por turma, escola e rede, além de guias práticos de recomposição de aprendizagem. Já alcança 75 municípios, 700 escolas públicas e mais de 9 mil estudantes”, destaca a diretora de Marketing e Sucesso do Cliente da FTD Educação, Roberta Perazzo Campanini.
No campo da avaliação, a plataforma MAIA (Método Acessível para Inclusão e Aprendizagem) lança uma ferramenta inédita que permite criar e adaptar provas acessíveis. O professor pode enviar uma avaliação já existente ou desenvolver uma nova, definindo critérios de acessibilidade para diferentes perfis de alunos.
“Trazer essa ferramenta para a Bett Brasil é colocar a avaliação no centro de uma discussão urgente: ela ainda exclui. O que a MAIA propõe é inverter essa lógica, criando avaliações que já consideram as diferentes formas de aprender, diz a sócia fundadora da MAIA, Leide Maia.
A acessibilidade também se expande para conteúdos e experiências imersivas. O Grupo Elo apresenta um catálogo editorial totalmente acessível, com recursos de audiodescrição e Libras, além de soluções em realidade virtual e aumentada para incentivar a leitura e também apoiar estudantes neurodivergentes.
“Percebemos que era preciso atender às necessidades de pais, alunos e professores. O direito de acesso ao livro e o prazer da leitura são nossas principais bandeiras”, afirma o CEO do Grupo, Marcos Araújo.
Na SAS Educação, a novidade para a Bett Brasil é a plataforma “Jornada de Inclusão do SAS Educação", uma solução que integra conteúdos didáticos, recursos digitais e apoio inteligente de IA com foco em aprendizagem inclusiva. A ferramenta trabalha a acessibilidade de forma transversal em todo o material (da educação infantil ao ensino médio), oferecendo conteúdos adaptados, suporte à formação docente e acompanhamento das escolas para atender à diversidade dos estudantes.
“A educação inclusiva vai muito além de um laudo. Nosso compromisso é garantir que todos os estudantes aprendam, respeitando suas diferentes formas de aprender. A tecnologia entra como uma aliada para potencializar o trabalho do professor e apoiar as escolas na construção de um ensino realmente acessível e diverso”, afirma a especialista em soluções educacionais da SAS, da Arco Educação, Vanessa Costa.
Já a Diponto Sistemas de Alerta traz uma abordagem voltada ao ambiente escolar, com a linha DIPONTO SMART, que adapta sinais sonoros para estudantes com hipersensibilidade auditiva, como aqueles com TEA, TDAH ou síndrome de Down. A tecnologia permite ajustar frequências, volumes e até substituir alarmes por músicas ou avisos humanizados.
"Nossa missão na Bett Brasil 2026 é mostrar que a tecnologia de alerta não precisa ser um trauma. Ela pode ser um instrumento de cuidado. Estamos levando para as escolas a mesma precisão que nos conferiu a certificação ISO 9001, mas com um olhar voltado para a empatia e o bem-estar dos alunos”, declarou a empresa.
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