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Educação parental reforça parceria entre famílias e educadores

Redação Bett Blog
Educação parental reforça parceria entre famílias e educadores
Foto: Bett Brasil
Tema foi destaque no Conexão Bett com a educadora Bete Rodrigues, que defende diálogo, acolhimento e formação de pais e responsáveis como caminhos para prevenir a violência e fortalecer o desenvolvimento das crianças

A relação entre famílias e escolas nunca esteve tão em evidência no debate educacional brasileiro. O assunto esteve no centro do episódio do Conexão Bett, que recebeu a diretora e consultora educacional da Disciplina Positiva Brasil, Bete Rodrigues, para uma conversa sobre os impactos da parentalidade positiva, os desafios da relação entre famílias e escolas e os aspectos da Lei da Parentalidade Positiva, sancionada em 2024.

Para Bete, o avanço desse debate está diretamente ligado à preocupação crescente da sociedade sobre a formação das novas gerações. Segundo ela, os sinais de alerta aparecem diariamente em notícias, redes sociais e até em produções audiovisuais que retratam situações antes distantes da infância e da adolescência, como casos de agressividade extrema, sofrimento emocional e suicídio.

“Hoje, o mundo inteiro está atento ao tipo de adultos que estamos formando”, afirmou. Para a especialista, o desenvolvimento saudável de crianças e jovens não pode ser atribuído apenas às famílias ou às escolas. “A educação é uma responsabilidade coletiva da sociedade”.

Ela explica que o conceito de educação parental diz respeito justamente à formação de pais, mães e responsáveis para lidar de forma mais consciente e equilibrada com a criação dos filhos. Embora o tema seja consolidado em diversos países, no Brasil a discussão ganhou força mais recentemente, acompanhada pelo crescimento de profissionais especializados na orientação parental.

Na avaliação da educadora, um dos fatores que aceleraram esse movimento foi a percepção de que criar filhos exige aprendizado contínuo. “Antigamente, acreditava-se que não era necessário estudar para ser pai e mãe. Hoje, os pais entendem que vivemos em um mundo muito mais complexo”, destacou.

Neste sentido, Bete reforça a importância de buscar orientação qualificada e práticas educativas mais respeitosas. Ela defende uma educação baseada no equilíbrio entre limites e acolhimento, distante tanto de posturas autoritárias quanto permissivas. O objetivo é formar cidadãos mais conscientes, empáticos e preparados para lidar com os desafios sociais do futuro.

Assista ao episódio completo aqui:

Desafios na relação entre escola e família

Apesar da importância dessa parceria ser amplamente reconhecida, a relação entre escolas e famílias ainda enfrenta obstáculos importantes. Para Bete, um dos principais problemas é a falta de comunicação efetiva entre os dois lados.

Ela observa que tanto pais quanto educadores vivem rotinas exaustivas, o que dificulta a construção de espaços de diálogo mais consistentes. Ainda assim, considera fundamental que ambos se aproximem das realidades uns dos outros.

“Pais e mães precisam compreender um pouco mais das questões pedagógicas, enquanto os profissionais da educação também precisam entender melhor o contexto das famílias”, explicou.

Entre os exemplos citados por ela estão os conflitos recorrentes em grupos de WhatsApp escolares, onde reclamações e julgamentos frequentemente substituem conversas diretas com coordenação, orientação ou direção pedagógica. O foco deveria estar menos na busca por culpados e mais na construção conjunta de soluções.

Dentro dessa lógica, ela também critica modelos tradicionais de reuniões escolares centradas exclusivamente em notas e desempenho acadêmico. Segundo Bete, esses encontros poderiam ser oportunidades mais amplas para compreender o contexto emocional e familiar dos estudantes, permitindo que escola e responsáveis atuem de maneira integrada diante dos desafios cotidianos.

Uma lei que propõe prevenção e responsabilidade coletiva

Ao comentar a Lei da Parentalidade Positiva, Bete Rodrigues classificou a iniciativa como um marco importante para o país. Para ela, a legislação reconhece oficialmente a necessidade de apoiar famílias na construção de relações mais saudáveis com crianças e adolescentes.

A proposta da lei, segundo a educadora, não significa ausência de limites, mas a adoção de práticas educativas não violentas, respeitosas e equilibradas. “Estamos falando de uma educação com firmeza e gentileza ao mesmo tempo”, resumiu.

Outro ponto destacado por ela é o caráter preventivo da legislação. A lei busca reduzir casos de violência doméstica por meio de orientação, conscientização e fortalecimento dos vínculos familiares, envolvendo União, estados, municípios e toda a sociedade nesse processo.

Na mensagem final, Bete Rodrigues reforçou que educar crianças e adolescentes é uma tarefa coletiva e que ninguém precisa enfrentar esse desafio sozinho. “Todos nós podemos desenvolver novas habilidades e ajudar a construir uma sociedade menos violenta, mais respeitosa e harmoniosa”, afirmou.

Para ela, preparar as novas gerações vai além do desempenho acadêmico. Significa formar crianças criativas, emocionalmente saudáveis e capazes de enfrentar problemas que ainda nem existem. “Nós não sabemos quais serão as profissões do futuro nem os desafios que virão. Precisamos preparar as crianças de hoje para construir um mundo melhor amanhã”, finalizou.

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