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13 fev. 2026

Educar com empatia é caminho para uma aprendizagem mais significativa

Redação Bett Blog
Educar com empatia é caminho para uma aprendizagem mais significativa
Foto: Freepik
Especialistas defendem que vínculos genuínos, comunicação não violenta e cultura do cuidado são condições estruturantes para o desenvolvimento cognitivo e humano nas escolas

Em um cenário educacional atravessado por múltiplas pressões — metas de aprendizagem, desafios disciplinares, desigualdades sociais e sobrecarga docente — cresce a compreensão de que ensinar vai além da transmissão de conteúdos.

Para a especialista em Comunicação Não Violenta (CNV) do Instituto Tiê, Carolina Nalon, e para a sócia-fundadora da Transverso Assessoria, Simone Andre, a construção de vínculos, a empatia e a inteligência emocional não são elementos acessórios, mas pilares do cuidado e, portanto, da própria aprendizagem.

As duas são palestrantes confirmadas da Bett Brasil e participam do painel “Cuidar para educar: empatia, escuta e inteligência emocional na escola”, no Congresso de Educação Básica, no dia 7 de maio, às 11 horas. A  programação completa da Bett Brasil pode ser conferida aqui.

Para Carolina, o primeiro passo para fortalecer vínculos genuínos é a intencionalidade. Em meio à aceleração do tempo e às demandas que recaem sobre o professor, é preciso decidir conscientemente que a construção de relações faz parte do trabalho pedagógico.

A Comunicação Não Violenta oferece, segundo ela, uma lente capaz de transformar o olhar sobre comportamentos considerados difíceis. Em vez de rotular o estudante como “problemático” ou “indisciplinado”, a proposta é compreender que todo comportamento expressa uma necessidade, ainda que de forma trágica. “O aluno que está gritando e/ou chamando atenção está mostrando alguma necessidade não contemplada”, explica.

Ao deslocar o foco do julgamento do comportamento para a escuta das necessidades em jogo, abre-se um novo campo de diálogo, que humaniza as relações e evita a “coisificação” do outro, esse aluno é isso, esse professor é aquilo — processo que, como alerta Carolina, está na raiz de toda violência.

Carolina Nalon

Para Carolina Nalon, a intencionalidade é essencial para fortalecer vínculos. Foto: Reprodução.

Simone amplia essa reflexão ao situar o debate no contexto das mudanças contemporâneas na concepção de aprendizagem. Se antes o foco estava centrado na memorização e na reprodução de conteúdos, hoje as diretrizes curriculares, consolidadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e na perspectiva da Educação Integral, reconhecem que aprender envolve dimensões cognitivas e socioemocionais indissociáveis.

Ela explica que: alfabetizar vai além de decodificar palavras e inclui a compreensão e o uso significativo da linguagem nas diferentes esferas da vida social; o pensamento matemático exige formular e resolver problemas; as ciências humanas demandam interpretação crítica; arte e corporeidade integram expressão, sensibilidade e construção de sentido.

“Nessa concepção ampliada, o cognitivo precisa integrar as dimensões socioemocionais que influenciam diretamente como se aprende, se engaja e se constrói conhecimento. Assim, vínculos, empatia, comunicação, cuidado, autogestão, autoregulação e outros aspectos socioemocionais fazem parte dos processos de aprendizagem de todas as áreas de conhecimento”, afirma Simone.

O impacto dessa mudança, contudo, ainda não foi plenamente incorporado às políticas de formação docente, que, segundo ela, muitas vezes não preparam os professores para cultivar essas competências na prática cotidiana.

Construção de vínculos reais

Na construção de vínculos genuínos com estudantes, Simone destaca quatro forças pedagógicas: reconhecer a identidade dos estudantes; investir na aprendizagem entre pares; garantir que cada aluno tenha ao menos um adulto significativo na escola; e assegurar que o conhecimento faça sentido para a vida.

“Esses vínculos se aprofundam quando há escuta ativa na escola, reconhecimento do sofrimento sem julgamentos e envolvimento dos estudantes nas decisões e na resolução colaborativa de problemas. Também é fundamental considerar dimensões estruturantes da identidade como gênero, raça/etnia e território, — não apenas como marcadores identitários, mas como fontes de potência e repertório cultural”, ressalta ela.

Simone Andre na Bett

Simone Andre explica como criar vínculos genuínos com os alunos. Foto: Divulgação.

Em situações de indisciplina ou sofrimento emocional, tanto Carolina quanto Simone convergem: empatia e comunicação não violenta deslocam o eixo da obediência para a compreensão.

A indisciplina deixa de ser apenas um problema a ser punido e passa a ser compreendida como sinal de desconexão ou conflito. Ao se sentir visto e respeitado, o estudante tende a reduzir reações defensivas, ampliar a autorregulação e assumir maior responsabilidade por suas escolhas.

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Olhar de cuidado para os professores

Cultivar uma cultura do cuidado, no entanto, exige olhar também para quem ensina. Carolina chama atenção para o mal-estar docente, marcado por sobrecarga, burnout, depressão e ansiedade.

Para ela, é urgente discutir condições estruturais, como tempo extraclasse, carga horária e remuneração, para garantir uma vida digna aos professores.

“Muitas escolas olham apenas para o tempo de aula e ignoram o volume de trabalho invisível que recai sobre o educador”, aponta.

Simone reforça que o cuidado com os estudantes começa pelo cuidado com os educadores. “Os gestores escolares podem lançar mão de estratégias leves, acolhedoras e potentes para dar suporte aos professores. Uma dessas estratégias é organizar encontros regulares e protegidos, com mediação cuidadosa, nos quais os professores sejam convidados a compartilhar como estão se sentindo e vivendo o trabalho, sem julgamento. Isso pode começar com perguntas simples (“o que tem sido mais difícil?”, “o que tem ajudado?”), combinados de escuta e celebração de pequenas conquistas do cotidiano”, explica ela.

Essas iniciativas podem inaugurar espaços de apoio mútuo, fortalecendo vínculos, confiança e senso de pertencimento na equipe escolar.

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