Bett UK

20-22 Jan 2027

Bett Brasil

05-08 Mai 2026

Bett Asia

23-24 Setembro 2026

Bett USA

8-10 November 2027

Bett Blog

06 mai. 2026

Ensino superior se reinventa com inovação, IA e foco em empregabilidade

Redação Bett Blog
Ensino superior se reinventa com inovação, IA e foco em empregabilidade
Foto: Bett Brasil
Debates apontam avanço de aplicações de IA, novas estratégias de receita e o desafio de alinhar formação acadêmica às demandas do mercado, mantendo o protagonismo do professor

A transformação do ensino superior esteve no centro dos debates do Fórum Ahead CIEE – Ensino Superior, realizado durante a Bett Brasil 2026. Pela primeira vez em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), o encontro reforçou o papel das instituições acadêmicas na formação conectada às demandas do mercado de trabalho.

Um dos painéis do Fórum abordou o avanço da inteligência artificial no ensino superior já se materializa em aplicações concretas que ganham espaço no mercado educacional, como plataformas que personalizam trilhas de aprendizagem, sistemas que analisam desempenho acadêmico em tempo real, assistentes virtuais para apoio ao aluno e ferramentas que auxiliam professores na produção de conteúdo.

Para a diretora de pós-graduação da FIAP, Andrea Paiva, a inteligência artificial já faz parte da estrutura acadêmica há tempos, mas o que muda agora é a escala. Segundo ela, a maioria dos cursos da instituição já incorpora o uso de IA de alguma forma, seja na grade curricular ou nos recursos técnicos da plataforma. Ainda assim, a diretora ressalta que o avanço exige responsabilidade e compreensão.

“No fim do dia, precisamos formar pessoas com pensamento crítico, qualidade e eficiência, e isso não é papel da IA, é papel do professor”, afirmou.

Ahead 2026

Já a diretora de Higher Education para a América Latina da Pearson, Heloisa Avilez, falou sobre os investimentos da empresa em ferramentas que incentivam o aluno a fazer perguntas, organizam conteúdos em bibliotecas digitais e constroem trilhas de aprendizagem individualizadas.

Segundo a especialista, o reforço no desenvolvimento desse tipo de tecnologia veio após uma pesquisa em instituições de ensino de países como México e Colômbia. “Perguntamos aos nossos clientes desses países o que eles esperavam de uma ferramenta de tecnologia voltada ao ensino, e os pontos mais citados foram: redução da evasão, necessidade de aumento na retenção de alunos e melhora no desempenho acadêmico. A partir disso, começamos a aprimorar nossa base de inovação”, disse.

Apesar do avanço, o debate também foi marcado por preocupações sobre o futuro do trabalho e o medo da substituição de profissionais pela inteligência artificial. No entanto, para as especialistas, o papel do professor permanece central e acima de qualquer tecnologia.

“A inovação amplia possibilidades, mas não substitui a capacidade humana de mediação, análise crítica e construção de conhecimento”, destacou a reitora do UniSenai Paraná, Fabiane Franciscone. Segundo ela, sem planejamento estratégico, a adoção pode gerar efeitos negativos, como dependência excessiva de tecnologia, ameaça cibernética e vazamento de dados.

“Estamos coexistindo com toda essa mudança que vem acontecendo é isso demanda investimento e bons gestores para a tomada de decisão. Devemos nos permitir experimentar e usar essa tecnologia, mas com consciência e intencionalidade”, enfatizou.

Alternativas de receita

Outro tema de destaque do primeiro dia do Fórum Ahead CIEE – Ensino Superior foi o avanço de universidades como agentes de inovação, por meio de iniciativas como Corporate Venture Capital (CVC).

Esse movimento tem o objetivo de reposicionar as instituições de ensino superior como protagonistas no ecossistema de inovação. Mais do que formar alunos, as universidades passam a atuar como hubs que conectam startups, empresas e investidores. Ainda assim, o cenário brasileiro é incipiente.

“No Brasil, no mercado de ensino superior, apenas três instituições se arriscaram na formação de frentes de Corporate Venture Capital (CVC) em um universo de mais de 2 mil instituições de ensino”, afirmou o CEO e vice-reitor do Grupo Integrado, Jeferson Vinhas Ferreira.

Fórum Ahead CIEE

A instituição paranaense é um exemplo dessa tendência. Com um fundo inicial de R$ 5 milhões, estruturado com apoio do Founders Club, o grupo direciona investimentos para startups dos setores de agronegócio, tecnologia e saúde.

Outro exemplo vem do Grupo Marista que criou a Rosey Ventures, um fundo com a previsão de investir R$ 30 milhões em startups early stage, especialmente edtechs e healthtechs. Segundo o diretor da Rosey Ventures, Guilherme Skaf Amorim, o fundo busca sinergia com unidades do grupo, como FTD Educação e PUCPR, consolidando um modelo em que inovação e negócio caminham juntos.

A estratégia reflete uma lógica que vai além do retorno financeiro. “O CVC tem como core rentabilizar a operação, mas um dos pontos principais é o fit estratégico e a conexão comercial com o grupo”, destacou Amorim.

Ao reunir discussões sobre inovação, tecnologia e empregabilidade, o Fórum Ahead CIEE evidenciou um ensino superior em plena transição — mais conectado ao mercado, orientado por dados e impulsionado por novas tecnologias, mas ainda ancorado no papel insubstituível do fator humano.

Compartilhe nas redes sociais:


 

Voltar ao Bett Blog
Loading