Entre inteligência artificial, crise climática na Amazônia e saúde emocional, Bett Brasil debate os desafios mais urgentes da educação
Recebendo diariamente milhares de pessoas, a Bett Brasil, maior evento de Inovação e Tecnologia para a Educação da América Latina, neste terceiro dia (07), foi palco de um importante anúncio voltado ao futuro da educação e ao desenvolvimento sustentável da região Norte do país e aprofundou ainda mais nos debates da educação contemporânea: em um mundo acelerado pela inteligência artificial, o que permanece essencialmente humano e inegociável dentro da escola.
Na plenária principal, o psicólogo e escritor Rossandro Klinjey, cofundador e embaixador da Educa, conduziu uma reflexão direta sobre os limites da tecnologia na formação de estudantes e a importância do vínculo emocional dos educadores com os alunos, coisa que a Inteligência Artificial nunca vai tirar desses profissionais.
“A educação tem que entender que não podemos uberizar o processo, devemos preservar sempre que possível a identidade. O aluno vai lembrar da escola e do professor que o marcou emocionalmente. Uma analogia é o velório, naquele momento nos lembramos do cuidado, dos momentos juntos. Essa é a vinculação humana que mantém a escola viva. Temos que lembrar disso não só na Bett Brasil, mas todos os dias”, declarou Klinjey.

Rossandro Klinjey refletiu sobre os limites da tecnologia na formação de estudantes. Foto: Bett Brasil.
Consórcio Amazônia Legal
No estande da Saber Educação, o Consórcio Amazônia Legal recebeu um importante debate sobre os impactos da crise climática na educação, além de realizar o lançamento oficial das Cartilhas de Educação para Emergências Climáticas, iniciativa construída no âmbito da Câmara Setorial de Educação e que reúne os nove estados da Amazônia Legal, em parceria com o UNICEF, Instituto Unibanco, Saber Educação e Vozes da Educação.
Os materiais foram desenvolvidos para apoiar redes de ensino, gestores e educadores na preparação, resposta e recuperação diante de eventos climáticos extremos — uma realidade cada vez mais presente na rotina das escolas da região amazônica. A proposta é oferecer orientações práticas para garantir continuidade da aprendizagem, proteção dos estudantes e fortalecimento das comunidades escolares em contextos de emergência.
A iniciativa reforça o papel da educação como ferramenta estratégica e amplia a discussão sobre políticas públicas voltadas à resiliência das escolas em territórios vulneráveis.
“A crise climática deixou de ser um cenário distante e já interfere diretamente na rotina de milhares de estudantes da Amazônia. Enchentes, secas severas, queimadas e ondas de calor impactam o funcionamento das escolas, o acesso dos alunos às aulas e a segurança das comunidades escolares. Por isso, essas cartilhas surgem como uma ferramenta prática para apoiar redes de ensino e gestores na construção de estratégias de prevenção, com linguagem acessível e orientação prática, o material servirá como resposta para a recuperação, sempre respeitando as realidades locais da região amazônica”, destacou Vanessa Duarte, Secretária Executiva do Consórcio Amazônia Legal.

Parceria entre Consórcio Amazônia Legal e a UWC Brasil firmada durante reunião na Bett Brasil. Foto: Bett Brasil.
Outro anúncio de grande impacto, foi a assinatura da parceria entre o Consórcio Amazônia Legal e a UWC Brasil (United World Colleges) para a implantação de uma escola internacional na Amazônia. A iniciativa busca ampliar oportunidades educacionais na região e formar jovens lideranças em um ambiente multicultural, conectado aos desafios globais, à sustentabilidade e à inovação.
Atualmente, a rede UWC conta com 18 colégios ao redor do mundo e reúne estudantes de mais de 150 países, consolidando-se como uma das principais referências globais em educação internacional. A proposta para a Amazônia é criar uma escola integrada aos territórios locais, conectando ciência, cultura e natureza, além de promover intercâmbio entre diferentes culturas e fortalecer o desenvolvimento sustentável na região.
O projeto também prevê a valorização dos saberes amazônicos e a formação de estudantes preparados para atuar diante das transformações climáticas, econômicas e sociais que impactam o mundo contemporâneo.
“A Amazônia não foi uma escolha, essa escola precisava ser lá. A Amazônia convoca o nosso esforço para a educação nessa região - e precisa estar no centro das discussões globais também pela educação. Essa parceria representa um passo importante para criar oportunidades concretas para jovens da região, conectando desenvolvimento sustentável, inovação e formação de lideranças preparadas para atuar no mundo”, declarou Theotonio Monteiro - representante do UWC Brasil.
Congresso de Educação Básica
No Congresso de Educação Básica, o debate ganhou uma camada ainda mais atual ao abordar o impacto dos algoritmos e da desinformação na formação dos alunos. Dora Kaufman, professora da PUC-SP, e Alexandre Sayad, diretor da ZeitGeist e consultor da UNESCO, discutiram o papel da escola diante de uma realidade mediada por plataformas digitais.
Dora Kaufman reforçou que o debate ultrapassa a dimensão tecnológica e passa diretamente pela formação cidadã. “A escola precisa entregar três abordagens de educação: ‘educar sobre a IA, para a IA e também com a IA’. Estamos diante de um cenário de incertezas que exige novas competências humanas, digitais e éticas. Mais do que uniformizar o ensino, a inteligência artificial pode ajudar a personalizar a aprendizagem, desde que exista intencionalidade pedagógica e educação midiática consistente”, afirmou a professora.

Alexandre Sayad e Dora Kaufman durante painel no Congresso de Educação Básica. Foto: Bett Brasil.
De acordo com o consultor da UNESCO, não basta mais ensinar conteúdo. “Precisamos preparar os estudantes para compreender como a inteligência artificial influencia decisões, narrativas e relações sociais. O grande desafio agora é desenvolver letramento em IA e pensamento crítico para que crianças e adolescentes saibam interpretar, questionar e usar essas tecnologias com consciência”, destacou Sayad.
Prêmio EdTech Awards
Na Arena Startups, a cerimônia de premiação do EdTech Awards Bett Brasil reconheceu iniciativas que estão respondendo, na prática, a desafios como personalização do ensino, inclusão e engajamento, reforçando o papel do ecossistema de inovação na transformação da educação. Os vencedores do prêmio anunciados hoje foram: na categoria Product Market Fit: Prol Educa e na categoria Product Solution Fit: muda.

Prol Educa (à esq.) e muda (no centro da imagem à dir.) foram os vencedores da premiação. Foto: Bett Brasil.
Saúde mental nas escolas
A Bett Brasil também aposta no formato 'Aquário' promovendo debates que ampliam as perspectivas sobre os temas abordados, com participação ativa da plateia. Ao longo da experiência, o palco se transforma em um espaço compartilhado, onde palestrantes e participantes trocam conhecimentos de forma contínua.
A saúde mental, tema cada vez mais presente no noticiário e nas escolas, foi destaque na fala de Viviane Mosé, diretora da Usina Pensamento, dentro deste espaço. A especialista trouxe um diagnóstico contundente sobre o cenário atual.

Viviane Mosé ressaltou a importância do cuidado com as pessoas. Foto: Bett Brasil.
“Estamos vivemos um tempo de esgotamento emocional coletivo, e a escola está no centro desse processo. Não basta incorporar tecnologia, é preciso reorganizar a escola para cuidar das pessoas que estão dentro dela”, declarou Mosé.
Entre reflexões profundas e soluções concretas, o terceiro dia de evento deixou claro: em meio à revolução tecnológica, o maior desafio da educação não é apenas inovar, é não perder de vista aquilo que nenhuma máquina pode substituir.
Compartilhe nas redes sociais:
Categories
- Futuro da Educação
- Gestão Educacional

