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Especialistas defendem universidades mais conectadas ao mercado e às transformações sociais

Redação Bett Blog
Especialistas defendem universidades mais conectadas ao mercado e às transformações sociais
Foto: Bett Brasil
Aulas práticas, vivências com empresas e dinâmicas de habilidades comportamentais foram alguns dos pontos levantados pelos palestrantes durante a Bett Brasil

As rápidas transformações do mercado de trabalho, impulsionadas pela tecnologia, pelas mudanças sociais e pelas novas demandas profissionais, estão exigindo uma revisão profunda no papel das universidades. O tema foi discutido durante um dos painéis do Fórum Ahead CIEE - Ensino Superior na 31ª edição da Bett Brasil.

O encontro reuniu o diretor-presidente da Porto Digital, Pierre Lucena, a diretora de estágios e carreiras da UNIP, Melissa Larrabure, a co-fundadora da Quark, Ana Uriarte, e o superintendente do CIEE, Rodrigo Dib, que debateram os impactos das mudanças educacionais e a necessidade de aproximar o ensino superior das demandas reais do mercado.

Durante sua participação, Lucena destacou que o ensino superior vive um momento de forte transição, marcado pela queda histórica na procura por alguns cursos tradicionais, como Administração, além de um crescente desengajamento dos estudantes.

Segundo ele, muitas instituições ainda operam dentro de uma lógica ultrapassada, na qual a universidade é tratada como objetivo final, e não como ferramenta de desenvolvimento profissional e social. “A universidade precisa deixar de ser vista como fim e passar a ser compreendida como meio para a construção de oportunidades e transformação de vida”, afirmou.

O diretor-presidente da Porto Digital, que também é professor da Universidade Federal de Pernambuco, chamou a atenção para o alto índice de desemprego entre jovens e para a dificuldade das universidades em lidar com deficiências educacionais acumuladas desde a educação básica.

“Hoje querem exigir que a universidade resolva problemas estruturais que começam no ensino fundamental e médio. Existe uma defasagem importante na formação de base desses estudantes, mas não podemos colocar isso na conta das universidades ”, destacou.

Pierre Lucena

Pierre Lucena abordou a transição da universidade para o mercado de trabalho. Foto: Bett Brasil.

Dib concordou com Lucena. “A formação de base ainda é um dos grandes desafios da educação brasileira. Muitos jovens chegam ao ensino superior com defasagens importantes que precisam ser consideradas nesse processo de transição”, afirmou.

Ao abordar iniciativas voltadas à inclusão e empregabilidade, o Lucena citou o programa Embarque Digital, criado pela prefeitura do Recife em parceria com a Porto Digital, para ampliar o acesso de jovens ao ensino de tecnologia. A iniciativa oferece bolsas para estudantes de escolas públicas que obtiveram bom desempenho no Enem, mas ainda não conseguiram ingressar na universidade.

Segundo o especialista, o programa contribuiu diretamente para dar mais oportunidades aos jovens, especialmente aos negros, pardos e de baixa renda.

Representando a UNIP, Melissa reforçou a importância de aproximar empresas do ambiente universitário para tornar a formação mais prática e conectada às exigências profissionais atuais.

Para ela, os estudantes precisam vivenciar experiências concretas ainda durante a graduação, com contato frequente com empresas, dinâmicas e oportunidades reais de mercado.

“É importante levar as empresas para dentro da universidade para que os alunos entendam o mercado de trabalho de forma prática e consigam visualizar caminhos possíveis para a carreira”, explicou.

Dib no CIEE

Rodrigo Dib e Melissa Larrabure comentaram os desafios dos universitários no mercado de trabalho. Foto: Bett Brasil.

Melissa também destacou que a nova geração possui um perfil altamente estimulado, o que exige estratégias mais dinâmicas de engajamento e aprendizagem. “O jovem de hoje precisa que você mostre o caminho. É uma geração superestimulada, que demanda experiências, vivências e abordagens imersivas, capazes de prender sua atenção”, afirmou.

Na mesma linha, Ana apresentou o trabalho desenvolvido pela Quark, startup voltada à capacitação de estudantes do ensino médio e técnico em habilidades comportamentais para o mercado de trabalho. A executiva destacou a importância de desenvolver competências socioemocionais alinhadas às novas exigências profissionais, principalmente para alunos de baixa renda.

Ana Quark

Ana Uriarte destacou a importância das competências socioemocionais alinhadas às novas exigências profissionais. Foto: Bett Brasil.

Encerrando o painel, Rodrigo Dib abordou os impactos das mudanças regulatórias no ensino superior Dib acredita que a nova legislação educacional deve provocar uma retração no crescimento do ensino a distância e fortalecer novamente a busca pelo ensino presencial.

Ao longo do debate, os participantes defenderam que o futuro das universidades depende da capacidade das instituições de promover formações mais práticas, conectadas ao mercado e alinhadas às expectativas dessa geração.

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