Formação docente ganha espaço diante do avanço da inteligência artificial
A presença da inteligência artificial (IA) nas instituições de ensino amplia a necessidade de preparar professores para compreender, utilizar e supervisionar as ferramentas disponíveis.
Para a professora Fernanda Bérgamo, sócia-administradora da Bérgamo Cursos e Treinamento, a capacitação é um dos principais caminhos para que os educadores se apropriem das ferramentas. Segundo ela, as escolas precisam assumir um papel ativo nesse processo, oferecendo treinamentos que aproximem professores e coordenadores da IA.
Na avaliação da professora, o contato com ferramentas de inteligência artificial precisa deixar de ser apenas uma experiência pontual. O docente deve desenvolver familiaridade suficiente para compreender como esses recursos funcionam e utilizá-los de maneira adequada às suas atividades profissionais.
“O professor, por sua vez, não pode abrir mão de pesquisar, conhecer e dominar, cada vez mais, a nova realidade que já está promovendo uma verdadeira revolução em nossa sociedade. É necessário desenvolver o pensamento crítico e a capacidade de formular boas perguntas à IA, dando comandos claros — no fundo, uma competência de comunicação”, explica.
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A familiaridade com as ferramentas também é apontada como condição para que o professor consiga acompanhar a forma como os estudantes utilizam a IA. Na visão de Fernanda, apenas tomar conhecimento das plataformas não é suficiente: é necessário desenvolver domínio sobre elas.
“Tudo se resume a treinamento, muito treinamento. Apenas ‘tomar conhecimento’ das ferramentas de IA não é suficiente. Os profissionais precisam dominar a IA como dominam o seu smartphone, o seu processador de texto, as suas redes sociais para poder supervisionar a utilização da IA pelos alunos”, afirma.
Supervisão docente passa pela ética
A incorporação da inteligência artificial ao processo de aprendizagem também envolve questões relacionadas à ética e ao papel do professor na orientação dos estudantes. Para Fernanda, a IA pode contribuir para a construção do conhecimento e estimular a curiosidade, mas sua utilização precisa ser acompanhada pelos educadores.
“A Inteligência Artificial pode ser uma aliada na construção do conhecimento e, principalmente, no despertar da curiosidade do aluno. E aqui, a supervisão do professor é indispensável”, destaca.

Fernanda Bérgamo durante palestra na Jornada Bett Nordeste 2026. Foto: Bett Brasil.
Essa supervisão, segundo a professora, depende diretamente da preparação dos próprios docentes. Para orientar os alunos, o educador precisa conhecer as ferramentas que eles utilizam e acompanhar a evolução desse universo.
Ao mesmo tempo, a própria IA pode ser utilizada como recurso para apoiar a atualização dos professores. Fernanda cita como exemplo a possibilidade de consultar uma ferramenta de linguagem para identificar quais plataformas estão sendo mais procuradas pelos estudantes.
“Então, ao perguntar a uma LLM (Large Language Model, ou Modelo de Linguagem de Grande Escala) quais as principais ferramentas que os alunos estão buscando no mundo da IA, ele vai obter a resposta e vai poder se familiarizar com essa ferramenta, sem desperdiçar horas e horas em pesquisa que antes precisavam ser feitas”, afirma.
Formação precisa envolver toda a equipe
A preparação para o uso da inteligência artificial não se restringe ao professor individualmente. Na avaliação de Fernanda, as instituições de ensino precisam criar oportunidades para que toda a equipe pedagógica desenvolva familiaridade com as ferramentas e possa utilizá-las de maneira produtiva.
“A escola não pode se omitir de oferecer a maior quantidade de oportunidades para que a equipe esteja apta a dominar completamente o maior número de plataformas que viabilizem o trabalho de forma mais produtiva”, diz.
Fernanda pondera ainda que a inteligência artificial “não é uma moda que vai passar” e deve permanecer como parte da vida profissional em diferentes áreas. Por isso, preparar professores e estudantes para lidar com essas ferramentas exige uma formação contínua, que vá além do conhecimento inicial sobre as plataformas.
Este conteúdo tem como base a participação da professora Fernanda Bérgamo na Jornada Bett Nordeste 2026.
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