Bett UK

22-24 Jan 2025

Bett Brasil

28/Abr a 01/Mai 2025

Bett Asia

2-3 Out 2024

Bett Blog

30 abr 2024

Fórum de Gestores promove debates essenciais para gestão escolar na educação básica

Redação Bett Blog
Fórum de Gestores promove debates essenciais para gestão escolar na educação básica
Líderes de instituições de todo o país dialogam sobre temas em alta e inovações para educação básica durante a 29ª edição da Bett Brasil

O Fórum de Gestores, consolidado como um ambiente para geração de ideias e soluções em gestão educacional, reuniu visões estratégicas do ensino público e privado durante a 29ª edição da Bett Brasil. A educação inclusiva e os desafios de contemplar direitos e deveres foram alguns dos temas relevantes abordados.

Liliane Garcez, coordenadora-geral da Diretoria de Políticas de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva do Ministério da Educação, discorreu sobre o trabalho que a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), vem fazendo para garantir a universalização do acesso a estudantes com necessidades especiais.

“Estamos dando prioridade absoluta para a educação infantil e dando atenção para quem nunca teve: quilombolas e indígenas. O sistema ainda é muito desigual, e temos que combater as desigualdades de olho nas transformações sociais”, relatou Liliane. Estiveram presentes também no painel  José Antonio Figueiredo Antiório, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP); Luciana Winck Correa, vice-diretora educacional do colégio Marista João Paulo II; e Deigles Amaro, especialista em Gestão Educacional no Instituto Rodrigo Mendes.

Outro tema foi o engajamento das famílias na escola e no aprendizado dos filhos. Para Roberta Bento, especialista na relação de família e escola e cofundadora do SOS Educação, “debates como esse são fundamentais, porque está muito difícil para a escola enfrentar sozinha os desafios que ela tem na educação dos nativos digitais. A família também está vivendo esses desafios em casa. E o caminho para educar esses nativos digitais para darem conta dos desafios que eles terão passa pela parceria família-escola. A solução é família e escola juntos, de mãos dadas”, disse Roberta.

Fórum de Gestores - painel sobre família nas escolas

O futuro do trabalho

Outro debate relevante abordou as transformações no mundo do trabalho, somadas às mudanças climáticas. Longe de tentar fazer previsões de profissões do futuro, que sempre falham, ou falar de competências desejáveis – já catalogadas em mais de 300 –, os debatedores trouxeram pontos-chave de como empresas e cidadãos responderão a um contexto muito mais complexo de transformações e adaptações da sociedade.

Foi consenso entre os debatedores que a educação é um ponto de convergência para superar cenários adversos. “O futuro das profissões é amplo e temos que formar jovens alinhados a esse novo mundo, cientes que novas e positivas transformações devem partir do homem”, declarou Lucília Guerra, diretora de capacitação técnica, pedagógica e de gestão do Centro Paula Souza.

Instados cada um a priorizar apenas uma competência como fundamental para os jovens, os debatedores apontaram solidariedade, pensamento crítico e criatividade.

Solidariedade foi a competência eleita por Luciano Meira, professor colaborador da CESAR School. “Para mim, solidariedade não é um valor abstrato, mas algo que ganha materialidade prática no dia a dia. Aposto muito em nossa competência de continuamente redesenhar futuros”.

Luciano Meira - professor colaborador da CESAR School

Para exemplificar solidariedade na prática, Meira apontou uma reflexão feita com técnicos e técnicas de enfermagem. “Ao invés de estudar como as doenças respiratórias estão afetando os pulmões da população (e passar a estudar pulmões), mudamos o foco para como acolher a população idosa com problemas respiratórios. Isso muda totalmente o objetivo e a maneira como se faz o trabalho, incorporando a solidariedade”, disse.

Para Rafael Gioielli, diretor de impacto social e ambiental da empresa Mombak, o pensamento crítico é a competência fundamental para os jovens. “Temos que provocar o professor sobre a sua missão, que é preparar cidadãos, e deixar jovens melhores para o planeta, já que as gerações anteriores não conseguiram deixar um planeta melhor para esses jovens”.

Já para Lucília Guerra, a criatividade é competência imprescindível na busca por novas soluções. “Temos que levar isso para a formação dos docentes, e mudar a forma como ensinamos -- diferentemente da forma como nós aprendemos no passado”.

Estudantes com altas habilidades

Reconhecer e orientar alunos com altas habilidades e superdotação (AHSD) são desafios equivalentes aos de inclusão de estudantes com deficiência de aprendizagem, como foi consenso em outro debate do Fórum.

Alunos com altas habilidades também requerem um ambiente propício de reconhecimento e orientação. É importante fornecer suporte educacional adequado para promover o desenvolvimento e maximizar o potencial desses alunos.

Ana Cecilia Melo, diretora-presidente voluntária do Instituto Apontar, destacou a importância de a escola ter um programa específico para crianças com altas habilidades. “É tão importante porque com os seus pares a criança se sente livre para participar e fazer perguntas que estavam represadas, por ela se sentir diferente dos colegas”.

Ana Cecilia Melo na Bett Brasil 2024

Para Renan Ferreirinha, secretário municipal de educação do Rio de Janeiro, o debate é de grande importância para a sociedade. “Até porque se fala muito pouco sobre altas habilidades no Brasil. É um público que, infelizmente, acaba sendo muito marginalizado porque não tem os estímulos necessários de políticas públicas para manter essa turma engajada na escola”.

“A criança com altas habilidades precisa ter um estímulo extra. Se ela achar a escola desestimulante e chata ela vai acabar abandonando os estudos. E esse é o pior cenário possível, porque tem muitos caminhos na sociedade que são indesejáveis e que ficam de olho em quem tem altas habilidades”, disse o secretário.

Neurociência para promover inclusão

Explorar o potencial da neurociência para ampliar a inclusão nas escolas foi a experiência compartilhada por duas especialistas.

Para Carolina Videira, presidente da Turma do Jiló, organização que é um ecossistema de ações inclusivas, apenas fazer o básico, com uma ferramenta consolidada e reconhecida, já representaria um grande avanço na inclusão apoiada em neurociência.

“Até hoje poucos professores conhecem a principal ferramenta, desenvolvida ainda nos anos 80 e utilizada até hoje, que é a Dua – Desenho Universal de Aprendizagem. Ela fornece múltiplas formas de representação de conteúdo, ação, expressão e engajamento dos alunos”, contou Carolina.

Segundo a especialista, uma aula baseada em Dua vai atender a todos, e não apenas a alunos com necessidades especiais. “Quando a gente é capaz de ensinar ao diferente, todos os alunos se beneficiam”, enfatizou Carolina, para quem o direito a educação não é um favor e não pode ser um privilégio.

Carolina Videira na Bett Brasil 2024

Telma Pantano, neurocientista e psiquiatria do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), discorreu sobre como o cérebro aprende, suas capacidades e limitações, bem como sobre a capacidade de concentração e atenção de crianças e adultos.

O máximo de tempo que o cérebro de um adulto consegue manter o foco de atenção é de 12 a 14 minutos. Em uma criança esse tempo não passa de 4 a 5 minutos. Quando se pensa na inclusão com base no processamento cerebral, é preciso refinar estratégias de atenção para atender necessidades em ansiosos, TDH, TEA e outros, nos quais esse tempo de atenção é ainda menor.

Segundo a neurocientista, “o ponto básico das neurociências é que não há uma regra ou modelo de aprendizagem. Quem dá a funcionalidade do cérebro é a interação do indivíduo com o ambiente. Não é o ensino que vai dar motivação, mas sim o significado que o ambiente da escola representa para a criança. É o vínculo dela com esse ambiente que vai motivá-la a aprender”, explicou Telma. O Fórum de Gestores contou com o apoio da Microsoft, isaac, Systemic Bilingual e SOMOS Educação.

Compartilhe nas redes sociais:

Categories

  • Gestão Educacional
Voltar ao Bett Blog
Loading