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20 jan 2023

Inovação curricular com impacto social

Simone Loureiro Brum Imperatore
Inovação curricular com impacto social
A curricularização da extensão configura-se como potência para a articulação de experiências de aprendizagem com pertinência social


 

O termo inovação está presente em todas as áreas e segmentos da sociedade, em especial no ambiente empresarial, referindo-se à implementação de novos produtos ou melhoria significante em itens existentes, novos processos ou métodos nas práticas do negócio. Segundo a Lei de Inovação, o conceito é definido como “introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo e social que resulte em novos produtos, serviços ou processos ou que compreenda a agregação de novas funcionalidades ou características a produto, serviço ou processo já existente que possa resultar em melhorias e em efetivo ganho de qualidade ou desempenho”.

No que tange à educação, o vocábulo tem sido adotado como sinônimo de mudança e reestruturação educacional (modificação de propostas curriculares e disrupção de práticas educacionais), redefinição da relação professor-aluno e do processo avaliativo, reconfiguração e diversificação de cenários de aprendizagem, metodologias ativas, tecnologias aplicadas à educação, transformação digital, gestão acadêmico-administrativa ágil etc.

Mas quero abordar um olhar diverso de inovação. Parafraseando o conselheiro Luiz Roberto Cury, em palestra ministrada no CBESP 2022, entendo como ele, que “a maior inovação na educação superior é aquela com foco no desenvolvimento das regiões de inserção das instituições”. 

Penso a inovação na educação desde a sua ancoragem em um novo paradigma: educação como instrumento de enfrentamento aos desafios do mundo contemporâneo e de resolutividade de problemas emergentes da realidade em permanente mutação. Do que advém a ampliação do conceito de inovação enquanto cocriação de soluções alternativas e equânimes, desenvolvidas na interação com a comunidade, para problemas de interesse coletivo, visando à inclusão social.

Nessa perspectiva, a extensão tem a potencialidade de possibilitar novos meios e processos de produção, inovação e socialização de conhecimentos, compartilhamento de experiências e práticas sociais, permitindo a ampliação do acesso aos saberes, acadêmico e popular, e o desenvolvimento tecnológico e social do País (FORPROEX, 2012).  A ação extensionista gera valor social através do desenvolvimento de redes colaborativas que trabalhem, por exemplo, no:

a)  enfrentamento às assimetrias regionais;

b)  promoção da ecoeficiência operacional das empresas de todos os portes e empreendimentos autogestionários;

c)  apoio à economia solidária;

d)  concepção de produtos sustentáveis;

e)  desenvolvimento de tecnologias que contribuam para a qualidade de vida da população e justiça ambiental;

f)  inclusão socioprodutiva;

g)  letramento digital;

h)  equidade de gênero;

i)  renovação socialmente inclusiva de bairros/cidades para o envolvimento da comunidade na concepção de leis, controle social e prestação de serviços públicos;

j)  governança participativa e multifatorial na ação pública;

k)  desenvolvimento artístico, geração e difusão de processos e produtos que contribuam para o desenvolvimento das artes como fenômeno, valor e conceito;

l)  ampliação e fortalecimento das ações de democratização do conhecimento científico;

m)  valorização dos saberes dos povos tradicionais etc.

A orientação para a transformação social gera a transformação da própria instituição de ensino superior, da prática docente e da proposta curricular, em um processo permanente de retroalimentação. Aproxima a instituição do universo laboral e das questões contemporâneas, incrementa a articulação da graduação e pós-graduação, gera organicidade na gestão acadêmico-administrativa, descontrói pedagogias de subalternização de saberes, rompe a invisibilidade de coletivos populares, promove a diversidade sociocultural e defende a pluralidade de territórios de conhecimentos. 

A curricularização da extensão, portanto, ao ressignificar a práxis educativa, contribui para uma instituição de ensino socialmente inovadora e com efetivo impacto social.

 

Sobre a autora:


 

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*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Bett Brasil.

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