Inteligência Artificial avança, mas o papel do professor segue acima de qualquer tecnologia, dizem especialistas
O professor deve perder espaço em uma sala de aula cada vez mais autônoma? Estaria a sociedade cada vez mais dependente da IA generativa? O avanço acelerado das tecnologias digitais e da inteligência artificial está obrigando escolas e instituições de ensino a repensarem não apenas ferramentas pedagógicas, mas também o próprio papel humano dentro da educação.
A necessidade de preparar estudantes em um mundo cada vez mais automatizado, sem comprometer habilidades cognitivas, criativas e socioemocionais, é uma das discussões sobre o futuro da aprendizagem entre especialistas da área.
Na Arena Startups, da Bett Brasil, o superintendente de Educação do SESI Nacional, Wisley João Pereira, o enterprise account manager da AWS Amazon Web Service, Rodrigo Madeira, e o especialista em comunidades e ecossistemas de inovação do SENAI Nacional, Lucas Sousa, debateram os desafios da transformação digital na educação e os impactos das novas tecnologias no comportamento de estudantes e profissionais.
Com mais de 20 startups expositoras, mais de 35 palestrantes e 18 sessões de conteúdo, a Arena Startups, a iniciativa reforçou seu papel como vitrine de soluções transformadoras para a educação.
Entre os patrocinadores, a Nuage, consultoria especializada em serviços de TI e nuvem, parceira AWS, leva sua expertise em serviços de TI, computação em nuvem, dados e GenAI, apoiando instituições de ensino na construção de ambientes escaláveis, seguros e orientados por dados.

Especialistas discutiram a transformação digital na educação em painel na Arena Startups. Foto: Bett Brasil.
Já o SESI e o SENAI apresentam um ecossistema de inovação voltado à formação de estudantes e profissionais preparados para os desafios da nova economia, fortalecendo a indústria nacional por meio de educação, tecnologia e desenvolvimento de capital humano qualificado.
A escola
Ao abordar a rápida evolução tecnológica dentro das escolas, Wisley João Pereira, destacou que a formação de professores se tornou uma das pautas mais urgentes da educação contemporânea. Segundo ele, o uso de ferramentas digitais só produz resultados efetivos quando acompanhado por preparo pedagógico adequado. “Nunca foi tão fundamental a formação de professores como agora”, afirmou.
Porém, já é sabido que a escassez de docentes é um desafio global. A UNESCO estima que serão necessários 44 milhões de novos docentes até 2030 para garantir a educação básica universal. “Pensando nisso e para enfrentar essa demanda, o SESI Nacional vem ampliando iniciativas de capacitação, incluindo um centro de formação com aproximadamente 450 professores que são agentes multiplicadores em todo o país”, enfatizou.
O executivo também chamou atenção para os efeitos do excesso de estímulos digitais sobre crianças e adolescentes. Segundo ele, países que avançaram rapidamente no uso de telas agora passam a discutir formas de reduzir e administrar melhor esse consumo.
Mudança de método
Outro ponto levantado por Pereira é o método de ensino. Segundo o especialista, a educação brasileira ainda permanece excessivamente focada na reprodução de conteúdo, deixando em segundo plano competências ligadas à criatividade, pensamento crítico e desenvolvimento socioemocional.
Ele defendeu ainda que a inserção de novas tecnologias no ambiente escolar deve ocorrer de maneira planejada e alinhada à prática pedagógica. “Nenhuma tecnologia deve entrar na sala de aula se o professor não estiver apto a utilizá-la com intencionalidade”, ressaltou.
Impacto cognitivo

Rodrigo Madeira explicou os impactos cognitivos do uso excessivo da IA. Foto: Bett Brasil.
A discussão sobre inteligência artificial e o seu uso ganhou um olhar mais crítico na apresentação de Rodrigo Madeira. O representante da AWS Amazon Web Services compartilhou insights observados durante sua presença no SXSW 2026, realizado em Austin, no Texas, e afirmou que cresce internacionalmente a preocupação sobre os impactos cognitivos do uso excessivo da IA.
Segundo Madeira, a automatização acelerada exige reflexões sobre a preservação da autonomia intelectual humana. “Hoje existe uma preocupação real com a soberania cognitiva e com a preservação da capacidade humana de pensar criticamente em um ambiente cada vez mais automatizado”, afirmou.
O representante da AWS também alertou para os riscos de atrofia cognitiva decorrentes da dependência excessiva de ferramentas automatizadas, especialmente entre os jovens.
“Existe um risco importante de atrofia cognitiva quando deixamos de exercitar determinadas capacidades humanas por excesso de dependência tecnológica. Como iremos garantir esse pensamento crítico nos jovens que já estão totalmente expostos a isso é um tema que devemos refletir com seriedade”, disse.
Apesar dos avanços da inteligência artificial, o especialista ressalta que grande parte das competências humanas permanece insubstituível. Segundo ele, cerca de 15% do trabalho cognitivo é “digitalizável”, enquanto outros 85% permanecem exclusivamente humanos.
Encerrando a discussão, Lucas Sousa apresentou dados de uma pesquisa realizada pelo SENAI Nacional em parceria com a Neo-UFRGS, que analisou tendências educacionais entre 2024 e 2026.
Segundo Sousa, o levantamento identificou crescimento expressivo de tecnologias ligadas à inteligência artificial generativa em apenas dois anos, especialmente plataformas baseadas em LMS (Learning Management System) e agentes autônomos.

Lucas Sousa trouxe dados de pesquisa sobre IA realizada pelo SENAI Nacional em parceria com a Neo-UFRGS. Foto: Bett Brasil.
Ao mesmo tempo, ferramentas que antes dominavam os debates sobre inovação educacional, como gamificação, detecção de plágio e plataformas de autoria de conteúdo, passaram a perder relevância. “O cenário tecnológico muda muito rapidamente e isso exige atualização constante das instituições de ensino”, afirmou.
Sousa também destacou que fatores sociais e humanos aparecem entre as principais tendências educacionais mapeadas pelo estudo, reforçando o papel central do professor no processo de transformação da aprendizagem.
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