Jornada Bett Nordeste encerra edição com recorde de participação e debates sobre o futuro da educação
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A 4ª edição da Jornada Bett Nordeste, promovida pela Bett Brasil em parceria com o Sinepe-PE, registrou recorde de público, reunindo mais de 2,2 mil participantes nos dias 27 e 28 de agosto, no Recife Expo Center, em Recife (PE). Considerado um dos maiores encontros de educação da região, o evento contou com a presença de educadores, diretores, gestores e especialistas para debater temas como inovação, equidade e o futuro da educação
Ao longo dos dois dias, os visitantes tiveram acesso a mais de 40 empresas expositoras, que apresentaram produtos, soluções e inovações educacionais. A programação também contou com mais de 60 palestrantes e mais de 20 horas de conteúdo, distribuídos em três auditórios simultâneos, e guiados pelo tema central “Uma nova aprendizagem para construir futuros regenerativos”.
A palestra “Socioemocional é saúde: o que a escola tem a ver com isso?”, da trilha de Cuidado, teve mediação do professor Ricardo Rico, da Escola Técnica Estadual Dom Bosco com o médico, educador, escritor e apresentador de televisão Jairo Bouer; e a psicóloga do Colégio Apoio e professora na Faculdade Pernambucana de Saúde, Rafaella Cursino.
Em paralelo, foi discutido o tema “Ambiente seguro para aprendizagem: o papel da convivência afetiva na educação”, da trilha de Convivência, com o psicólogo André Daconti Menezes e o professor de Ciências Humanas Márcio Krauss. Ambos discutiram as formas de lidar com o aspecto socioemocional em ambientes escolares, destacando a importância de um olhar acolhedor e sistêmico para alunos e profissionais.
O psiquiatra Jairo Bauer ressaltou que, em uma sociedade marcada pela pressa, pressão e cobranças excessivas, os impactos emocionais chegam diretamente às novas gerações, provocando insegurança, ansiedade e dificuldades de convivência.
“É preciso trabalhar a escuta ativa, a empatia e estratégias que ajudem os estudantes a lidar com suas emoções. A gente dedica muito tempo à aparência, mas pouco às nossas emoções. Quantas vezes você para e se pergunta: como eu estou hoje? Se eu estou mal, há quantos dias eu estou mal e por quê? Esse é o primeiro passo para cuidar da saúde mental”, afirmou Bauer.
"Antes de tudo, você precisa saber quem você é para construir uma relação verdadeira com o outro. É necessário ouvir, proporcionar um espaço democrático e perceber a realidade que nos cerca. Com saúde, conseguimos fazer as coisas de forma efetiva, com uma postura equilibrada e construtiva. Precisamos construir pontes, mediar conflitos e levar a sério o desenvolvimento socioemocional, trazendo inclusive os pais para essa construção. O ambiente de ensino deve ser acolhedor tanto para os alunos quanto para os profissionais da educação. É preciso ter um olhar sistêmico e humano, porque um sistema com profissionais adoecidos constrói indivíduos adoecidos", afirma Krauss.
O secretário adjunto e superintendente executivo da SEDUC/PI, Rodrigo Torres, destacou o “Case Piauí: Superchoque Educacional e Tecnológico”, da trilha de Consciência, apresentando ações que combinam tecnologia, inclusão e formação de competências para o futuro. “O ensino de robótica está presente em 150 escolas, com plataformas digitais para inglês e programação, cursos técnicos em desenvolvimento de sistemas, marketing digital e audiovisual, além do incentivo a olimpíadas de conhecimento e monitoria. Modernizamos a infraestrutura, conectividade e governança de dados para viabilizar essas iniciativas”, destaca.
A palestra “Será que a educação pública JÁ PERDEU a onda da Inteligência Artificial?”, realizada na trilha de Consciência, trouxe reflexões sobre como a IA está impactando a educação e quais caminhos devem ser seguidos para que as escolas públicas não fiquem para trás.
O coordenador de Inovação e professor da Proz Educação/UFPE, Luciano Meira, a analista educacional sênior da Cesar School Tanci Simões e o professor da FGV Alexandre Schneider discutiram a necessidade de repensar práticas pedagógicas, currículos e métodos avaliativos diante de um cenário em que a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta, mas um novo paradigma cognitivo.
“A adoção da IA exige intencionalidade pedagógica, formação docente e mudanças profundas na forma de ensinar e aprender, para que as escolas preparem os alunos tanto para avaliações tradicionais quanto para o mercado de trabalho”, finalizou Luciano Meira.
No painel “Cabe todo mundo no mundo”, da trilha de Convivência, a mãe atípica e influenciadora Raquel Camara Cabral compartilhou sua vivência ao lado do filho Marcello, que tem síndrome de Down, experiência que divide com mais de 880 mil seguidores em seu perfil no Instagram.
Por meio dessa rede, ela promove reflexões sobre respeito às diferenças e a importância de enxergar a pessoa antes da deficiência, valorizando potencialidades com leveza, empatia e afeto. “A inclusão não é um favor, é um direito. Quando entendemos isso, conseguimos construir um mundo onde todos caibam e sejam vistos pelo que são, não pelas limitações”, destacou Raquel. Sua fala inspirou famílias e educadores a repensarem o papel da escola e da sociedade na criação de espaços realmente inclusivos, onde a convivência, pertencimento e escuta estejam no centro.
A palestra contou também com a presença do grupo T21 Pernambuco, representado pela fundadora Isabelle Mendonça. “A palestra foi maravilhosa e trouxe uma representatividade imensa. É muito importante para nós sermos ouvidos e fazer parte do todo, porque a inclusão na educação ainda é um grande desafio. Espaços como esse dão visibilidade, promovem diversidade e ajudam a compreender as demandas reais das famílias”, ressaltou Isabelle.
Uma das últimas discussões do dia foi “Dinheiro na Escola: como falar de educação financeira de forma que faça sentido?” da trilha de Consciência, mediada pelo coordenador de projetos e soluções educacionais da Cesar School, Nicollas Freitas, e a especialista e educadora financeira Malu Lira, que destacou a importância de abordar a questão de forma lúdica e significativa, conectando o conteúdo à realidade dos estudantes.
“Contar histórias é uma estratégia poderosa para tornar o aprendizado mais acessível e engajador. Eu acredito que a melhor maneira de ensinar é sempre pelas histórias, no meu programa de ensino, a gente usa muito do lúdico, das artes. Então, a gente pega contos de fadas e transforma nos contos milionários, como a Chapeuzinho no Vermelho que aprende a sair das dívidas. O dinheiro não deve ser visto como vilão nem herói, mas como um recurso que ajuda cada estudante a se tornar protagonista da própria vida e alcançar seus sonhos”, exemplificou Malu.
A diretora de conteúdo da Bett Brasil, Adriana Martinelli, destacou a relevância do encontro para aproximar inovação e práticas educacionais ao contexto local com discussões sobre inteligência artificial, inclusão e diversidade, além da forte presença da educação pública com pautas voltadas à gestão e liderança. “O evento é uma oportunidade de conectar profissionais, promover debates e apresentar soluções que impactam diretamente a educação. Essa jornada acontece justamente para que a gente consiga colocar as pessoas em contato, fazer conexões, aprendizagens, trazer inovação e novos debates”, afirmou.
O evento promoveu reflexões fundamentais sobre os caminhos para transformar a educação diante dos desafios atuais, trazendo insights práticos e estratégias para impulsionar a aprendizagem. A participação na Jornada Bett Nordeste foi marcada por aprendizado e troca de experiências, como destaca o congressista Rodrigo Pimentel, psicólogo escolar do Colégio Contato em Maceió. “Acho que foi uma experiência muito boa. Tivemos palestras ricas, uma proposta próxima dos palestrantes, o que nem sempre acontece em outros eventos, e um comprometimento com a fundamentação teórica. A programação foi leve, com atividades curtas, bem organizada e pontual. Se houver oportunidade nos próximos anos, a gente vem também”, afirmou.
A Jornada Bett Nordeste contou com o apoio de diversas empresas que estão transformando o setor educacional no Brasil. Entre elas, estão a B.Uni, fintech do Grupo Ser Educacional homologada pelo Banco Central, oferece soluções financeiras voltadas ao desenvolvimento de escolas e de sua cadeia produtiva. A Fluencypass, edtech especializada no círculo completo da fluência em inglês, atende tanto instituições quanto o público em geral. O Grupo Elo Editora reforça a importância da inclusão ao levar literatura infantojuvenil para todas as regiões do país. A Multitude, sistema de ensino lançado na Bett Brasil deste ano, chega para engajar estudantes com uma proposta prática e de fácil implementação. A Somos, maior empresa de educação básica do Brasil, contribui com um portfólio robusto de selos editoriais. O Systemic amplia o acesso ao ensino bilíngue em escolas públicas e privadas, oferecendo acompanhamento pedagógico, formação de professores, materiais e plataformas digitais. Já a Faculdade Cruzeiro do Sul marca presença com sua reconhecida tradição no ensino superior, reforçando o compromisso com a formação de qualidade em todos os níveis da educação.
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