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03 mar. 2026

Mind the gap (da IA na Educação)

por Flávia Bravin
Mind the gap (da IA na Educação)
Foto: Bett UK
Na Bett UK, entendemos que um dos riscos da IA é gerar um comportamento de pular etapas críticas do desenvolvimento intelectual

Na minha participação na Bett UK (21 a 23 de janeiro de 2026), uma coisa ficou clara: a inteligência artificial pode aumentar ainda mais os gaps dos alunos e entre eles e seus professores. Assim como no metrô londrino, o uso desatento, passivo e sem consciência da IA pode gerar acidentes sérios de percurso. Saltos apressados (ou atalhos) aumentam ainda mais o risco em educação.

Representando a Cogna e a Saber com o olhar da educação pública, tive a oportunidade de, junto com secretários de educação, fazer diversas visitas técnicas. A palestra do professor da London School of Economics (LSE), Jon Cardoso-Silva, brasileiro e referência em IA na educação, foi GENIAL, para citar o modelo que ele criou, usando o acrônimo para GENerative IA (em português mesmo) tools as a catalyst for Learning.

Jon nos mostrou que o gap com o qual devemos nos preocupar (yes, mind the gap again) não é pelo uso da IA em si. É pelo risco da IA gerar o comportamento de pular etapas críticas do desenvolvimento intelectual.

Quando os alunos se preocupam mais com o resultado, a nota, do que com a jornada. Isso os leva a usar a IA como um atalho, substituindo seu processo de aprendizagem e o esforço para desenvolver habilidades críticas, amadurecer como estudante. Como disse o poeta espanhol Antonio Machado, "Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”. O aluno até consegue uma boa nota com IA, mas abre mão da riqueza da jornada do conhecimento.

É aqui que entra um ponto fundamental e, para mim, um dos mais potentes do debate na Bett UK: a IA também pode ser uma aliada de uma educação mais humana. A IA amplia o papel do professor, se houver uso consciente, o protagonismo do aluno nos estudos. Ou seja, com intencionalidade, a IA vira um “parceiro de diálogo”, potencializando as capacidades humanas.

Quando usada com intenção pedagógica, a tecnologia apoia, personaliza e acelera processos, ao mesmo tempo em que libera tempo e energia dos educadores para aquilo que é insubstituível: a relação, a escuta, o olhar atento para cada estudante. Pensar o aluno como um indivíduo singular deixa de ser discurso e se torna prática. O fator humano volta a ocupar o centro da experiência educacional.

É uma mudança e tanto na educação. Escolas que não chamarem a responsabilidade e urgência de repensar seus modelos criarão lacunas cada vez maiores nos trilhos, num trem (ou trAIn) de altíssima velocidade, que a cada ciclo tecnológico acelera ainda mais.

Sobre a autora:


Artigo publicado originalmente no PublishNews.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Bett Brasil.

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