Novo PNE exige capacidade de execução nas redes de ensino, segundo especialistas
Transformar as metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE) em ações concretas depende da capacidade das redes de ensino de diagnosticar suas necessidades, definir prioridades e acompanhar os resultados das políticas implementadas, de acordo com especialistas durante painel na Jornada Bett Nordeste.
“O maior desafio que todas as redes têm é a capacidade institucional de conseguir colocar em prática tudo que é necessário para atingir as metas estabelecidas no PNE”, afirma o secretário municipal de Educação de Porto Alegre e presidente do CONSEC, Leonardo Pascoal.
Segundo Pascoal, as diferenças entre as redes também precisam ser consideradas na implementação das políticas. Redes maiores, especialmente de capitais e grandes cidades, tendem a contar com maior capacidade para desenvolver as ações previstas, enquanto municípios menores podem depender mais do apoio técnico de outras instâncias.
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Diagnóstico define prioridades
Antes de estabelecer quais ações devem ser colocadas em prática, os gestores precisam identificar a situação de cada rede em relação às metas previstas no Plano. Na avaliação de Pascoal, esse levantamento é o ponto de partida para definir onde concentrar esforços.
“Cada rede terá uma realidade diferente, vai ter redes que estarão com uma situação pior em relação a acesso, por exemplo, ou a permanência, enquanto outras vão estar em relação a nível de aprendizagem, de proficiência dos estudantes”, exemplifica.
A partir desse levantamento, a gestão pode identificar quais áreas apresentam maior necessidade de intervenção e onde existem possibilidades de obter resultados mais rapidamente. A ideia, segundo o secretário, é não esperar o encerramento do período de vigência do plano para verificar seus efeitos.

Leonardo Pascoal explicou os desafios do novo PNE durante painel na Jornada Bett Nordeste. Foto: Bett Brasil.
O presidente da Undime Bahia, Anderson Passos, também aponta o diagnóstico como ponto de partida para o planejamento das ações. Para ele, é necessário compreender a situação atual da rede antes de estabelecer onde se pretende chegar.
“Para que as metas do PNE tenham impacto real na aprendizagem dos estudantes, é preciso que o planejamento das ações seja monitorado e avaliado durante todo o processo. Esse acompanhamento permite identificar, ao longo da execução, quais estratégias estão funcionando e quais precisam ser modificadas”, diz Passos.
Participação da comunidade na política educacional
Para o gerente geral de Inovação na Educação do Recife, Marcelo Dantas, a implementação do novo PNE também passa pela participação da sociedade civil e da comunidade escolar na construção das políticas educacionais. Segundo ele, um dos desafios está em reunir diferentes atores em torno de uma agenda educacional comum.
“O novo PNE é muito ousado, mas faz uma imposição aos municípios de fato de trazer a sociedade civil organizada e a própria comunidade escolar para essa co-construção”, afirma.

Marcelo Dantas ressaltou a importância da sociedade civil na construção das políticas educacionais. Foto: Bett Brasil.
Na avaliação de Dantas, ouvir profissionais da educação e representantes da sociedade pode contribuir para identificar necessidades e expectativas relacionadas à educação. “Acho que colocar todo mundo em torno dessa mesma agenda talvez seja muito desafiador, mas acho que é uma grande oportunidade”, diz.
Dados apoiam decisões
A definição das prioridades também pode ser orientada pelos dados produzidos pelas avaliações educacionais. Dantas destaca que as informações disponíveis ajudam os gestores a identificar necessidades e direcionar as políticas.
O gerente geral de Inovação na Educação do Recife acrescenta que os dados precisam ser considerados junto à escuta de quem participa diretamente do processo educacional. Para ele, estudantes, professores e outros profissionais da área têm expectativas que também devem ser incorporadas ao planejamento.
“A construção desses espaços de diálogo e de escuta são muito importantes para a construção de políticas públicas sólidas”, afirma.
A combinação entre diagnóstico, evidências, formação das equipes, capacidade de execução e participação da comunidade aparece, assim, como um dos pontos centrais para que as metas estabelecidas no PNE sejam acompanhadas por ações concretas nas redes de ensino.
Este conteúdo tem como base a participação de Leonardo Pascoal, Anderson Passos e Marcelo Dantas na Jornada Bett Nordeste 2026.
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