Parceria entre escola e família amplia possibilidades de acompanhamento dos estudantes
A aproximação entre escola e família pode ir além das reuniões e do acompanhamento do desempenho acadêmico. Quando existe diálogo sobre as rotinas e o comportamento dos estudantes nos diferentes ambientes, os educadores conseguem reunir informações que ajudam a compreender necessidades específicas e buscar soluções de forma conjunta.
Para a consultora educacional da Disciplina Positiva Brasil Consultoria, Bete Rodrigues, a comunicação com as famílias precisa ser planejada e conduzida de maneira não impositiva. “Um dos caminhos é compartilhar práticas adotadas pela escola que também podem fazer sentido na rotina doméstica, especialmente aquelas relacionadas às habilidades sociais, de organização e higiene”, explica Bete.
Um exemplo é orientar as famílias sobre hábitos trabalhados na escola, como lavar as mãos antes das refeições ou escovar os dentes depois de comer, para que essas práticas também sejam valorizadas em casa e exista maior alinhamento entre os diferentes espaços frequentados pela criança.
“Acredito que a principal estratégia seria escolher bem quem é esse profissional que vai comunicar essa rotina aos pais e de que forma essa comunicação será feita. Eu recomendo que seja presencialmente, não seja por áudio ou por texto”, afirma.
Segundo Bete, a conversa precisa permitir que os responsáveis apresentem dúvidas, exemplos e percepções sobre o que acontece em casa. Para ela, esse contato também deve ocorrer em mais de um momento, permitindo que a escola avalie como as orientações foram recebidas e utilizadas pelas famílias.

Durante painel, Bete Rodrigues explicou a importância da parceria entre família. Foto: Bett Brasil.
Escuta ajuda a identificar dificuldades
A comunicação entre escola e família também pode contribuir para identificar dificuldades antes que elas se agravem. Para Bete, isso depende da disposição de ambos os lados para fazer perguntas sem transformar a conversa em um processo de acusação ou julgamento.
“Conseguimos construir um diálogo verdadeiro com perguntas que não são acusatórias ou em tom de julgamento, mas são perguntas verdadeiras, em que você quer saber o que acontece naquele outro espaço”, afirma.
A escola pode buscar informações sobre aspectos da rotina doméstica que ajudam a compreender o comportamento do estudante, como sono, alimentação, momento de estudo e uso de telas. Ao mesmo tempo, os profissionais podem compartilhar com os responsáveis situações observadas no ambiente escolar.
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Para a consultora, a troca de informações permite observar relações entre comportamentos apresentados em casa e na escola. O objetivo é construir, a partir desses dados, estratégias conjuntas de acompanhamento do aluno.
“Quando a escola traz os fatos e os pais também compartilham o que acontece em casa, conseguimos estabelecer um diálogo verdadeiro, baseado em uma escuta ativa e empática. Assim, é possível compreender melhor a situação e buscar soluções juntos”, explica. Bete.
Acolhimento como ponto de partida
O acolhimento da família é outro aspecto destacado pelo coordenador pedagógico bilíngue do Centro de Educação Integrada, Leonardo Xavier. Para ele, a escola precisa compreender a demanda apresentada pelos responsáveis antes de definir como irá atuar.
“Entendo que as estratégias mais efetivas iniciam no acolhimento da família. Entender qual é a demanda que aquela família apresenta, entender qual é o problema que precisa ser solucionado e, a partir daí, encontrar estratégias assertivas para resolver isso”, afirma.
Na avaliação de Xavier, esse processo deve partir de informações concretas sobre a situação apresentada pela família, evitando decisões baseadas apenas em percepções. A partir da identificação da demanda, escola e responsáveis podem buscar alternativas em conjunto.

Leonardo Xavier destacou a relevância do acolhimento das famílias por partes das escolas. Foto: Bett Brasil.
Ele também defende que antecipar a comunicação sobre uma dificuldade permite envolver a família na busca por alternativas antes que o problema se agrave. Entre as possibilidades, o coordenador pedagógico cita o apoio em casa, atividades complementares ou aulas particulares, de acordo com a necessidade identificada. O ponto central, segundo o coordenador, é que a família esteja envolvida desde o início do processo.
“Assim que identificar dificuldade do aluno, apresentar para a família e implicá-la nesse processo de resolver junto com a escola”, diz.
A comunicação contínua, baseada na escuta e no compartilhamento de informações, permite que escola e família tenham uma compreensão mais ampla das necessidades dos estudantes. Nesse modelo, a participação dos responsáveis deixa de estar restrita a momentos formais e passa a integrar o acompanhamento cotidiano do desenvolvimento dos alunos.
Este conteúdo tem como base a participação de Bete Rodrigues, consultora educacional da Disciplina Positiva Brasil Consultoria, e Leonardo Xavier, coordenador pedagógico bilíngue do Centro de Educação Integrada, com moderação de Mirella Araújo, colunista do Jornal do Commercio (PE), na Jornada Bett Nordeste 2026.
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