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08 jan 2021

Porque tecnologia não substitui o professor

Autora Convidada: Betina Von Staa
Porque tecnologia não substitui o professor


 

Muitos professores têm medo de serem substituídos por tecnologia. Faz sentido: tantos já foram demitidos quando se implantou Educação a Distância em uma instituição, que parece que a tecnologia é um inimigo a ser combatido para se preservar os empregos dos professores. Mas a situação não é tão simples assim.

Muitos alunos também acham que a qualidade da educação vai diminuir com a adoção de tecnologia. Faz sentido: já viram tantas situações em que professores são substituídos por pdf e ainda assim considera-se que estão em um curso. Com uma oferta dessas, parece, novamente, que a tecnologia é inimiga da educação de qualidade.

A consequência da má adoção de tecnologia ou do puro desconhecimento do seu poder, faz muitas organizações serem contra a tecnologia na educação. E haja regulação de carga horária, e grupos que se opõem à adoção de tecnologias das mais variadas na educação, tanto em situações híbridas quanto a distância.

O fato é que tecnologia não substitui o professor. Ela pode estar substituindo professores em alguns contextos, ou gerando demissões equivocadas, mas, de alguma maneira, o professor se faz necessário em processos educacionais que envolvem tecnologia: Programas de educação a distância ou desenvolvedores de softwares educacionais precisam de professores para definir os objetivos de aprendizagem, criar e organizar os conteúdos e desenvolver as estratégias didáticas. Os conteúdos digitais podem ser distribuídos em escala, e aí precisamos, novamente, de professores-tutores para acompanhar a aprendizagem dos alunos, resolver dúvidas, motivá-los. É quando faltam professores em alguma etapa desse processo que a educação perde a qualidade. Eles não precisam estar em sala de aula, mas há muito serviço a ser feito junto à disponibilização de conteúdos digitais  de qualidade.

Pode-se insistir na redução de docentes quando se adota tecnologia, observando que a EAD atinge mais alunos com menos professores, e isso é verdade. Por outro lado, nossa demanda por educação é tão grande, que dar acesso a mais alunos sempre vale a pena. E quem conclui Ensino Médio é candidato ao Ensino Superior, quem conclui Ensino Superior é candidato a pós-graduação, e todos podem se beneficiar de cursos livres em diferentes momentos das suas vidas. Aprender é sempre bom para o indivíduo e a sociedade, e, quanto mais as pessoas estudam, mais continuarão estudando e mais professores serão necessários em diferentes tipos de cursos.

É importante que os professores compreendam essa migração de oportunidades que está ocorrendo na educação. Com a pandemia, inúmeras escolas e universidades estão contratando coordenadores de informática – pessoas que consigam ajudar a instituição a entrar e se manter no mundo digital. Há startups de educação surgindo em diversas áreas. A reforma do Ensino Médio permite 40% da carga horária online, mas aumenta a carga horária total e diversifica os itinerários formativos. Haverá demanda para professores online e presenciais em disciplinas jamais imaginadas.

Ao observar essas tendências, compreender seus pontos fortes, identificar habilidades técnicas e interpessoais que precisam desenvolver (e desenvolvê-las), os professores poderão encontrar oportunidades das mais variadas na área da educação, pois elas são e serão crescentes.  Talvez não estejam nos currículos tradicionais nem na sala de aula convencional, mas muitas já existem e outras estão para ser inventadas.

 

 

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