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05 mai. 2026

Primeiro dia da Bett Brasil 2026 coloca decisões urgentes sobre o setor educacional no centro do debate nacional

Redação Bett Blog
Primeiro dia da Bett Brasil 2026 coloca decisões urgentes sobre o setor educacional no centro do debate nacional
Foto: Bett Brasil
O novo Plano Nacional de Educação, Inteligência Artificial, inclusão e propósito no trabalho foram alguns dos temas em destaque nesta terça-feira (05)

O primeiro dia da Bett Brasil 2026, maior evento de Inovação e Tecnologia para a Educação da América Latina, foi marcado por discussões sobre os principais desafios, avanços e oportunidades da educação brasileira, muitos deles já no centro do debate público, como financiamento, implementação de políticas públicas, inteligência artificial, inclusão e o papel do educador em um cenário em rápida transformação.

No Auditório de Educação Básica, o painel sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2024–2034) trouxe um olhar pragmático sobre o que está por vir. Em um momento em que o país discute metas, indicadores e financiamento da educação, os especialistas reforçaram que o desafio não está apenas na formulação do plano, mas na sua execução. Participaram Helio Daher, secretário de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul; Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime; Petrucio Ferreira, dirigente municipal de educação e presidente da UNDIME-RN e Região Nordeste e Leonardo Pascoal, Secretário Municipal de Educação de Porto Alegre. “A educação não avança apenas com metas, avança quando a meta encontra orçamento, gestão e prioridade”, afirmou Helio Daher.

Petrucio Ferreira afirmou durante o painel que quem faz educação precisa dialogar, construir pontes e fazer com que todas as arestas sejam diminuídas.

O painel apontou o impacto direto do PNE na gestão escolar, destacou a importância da avaliação, monitoramento e trabalho contínuo, além do foco na aprendizagem com equidade. Também foram discutidas decisões estruturais como: alocação de recursos, formação docente e definição de prioridades, que precisam começar agora para evitar que o novo plano repita gargalos históricos não resolvidos.

“Temos uma evolução na construção desse plano e ele acerta muito em colocar a aprendizagem como elemento central”, pontuou Leonardo Pascoal.

Luiz Miguel Garcia destacou o papel da educação como uma política de equidade: “Equidade significa fazer diferente para promover o mesmo acesso”.

Já no Fórum de Gestores, a discussão sobre o “mix de inteligências” necessário para transformar a escola ganhou contornos ainda mais concretos ao conectar o avanço da inteligência artificial com os desafios estruturais da educação. O painel realizado por Luciano Meira, Professor da Proz Educação e Silvio Meira, Cientista-chefe da TDS.company, trouxe a provocação de que não basta incorporar tecnologia, é preciso garantir acesso, estratégia e capacidade de uso para que ela, de fato, gere impacto.

Em um cenário marcado por desigualdades, o debate reforçou que a transformação educacional passa por decisões mais conscientes sobre como integrar inovação, pedagogia e gestão. “Não adianta a inteligência artificial avançar se não criarmos condições para que todos tenham acesso às mesmas oportunidades de desenvolver competências e habilidades. A tecnologia pode reduzir custos, mas, sem equidade, ela também pode ampliar desigualdades”, destacou Luciano Meira.

Silvio Meira trouxe o conceito de mundo “fígital” que integra o físico, o digital e o social, para provocar uma reflexão sobre a distância entre o cotidiano das pessoas e a realidade das escolas. “Hoje, vivemos experiências completamente integradas, mas a escola ainda não conseguiu interpretar isso dentro da sua lógica. O desafio é reconstruir práticas pedagógicas para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem”, afirmou Sílvio.

De acordo com os irmãos Meira, a tecnologia só gera valor quando combinada à inteligência humana e à capacidade de articulação dentro dos ecossistemas educacionais.

Inclusão na educação

A inclusão também ganhou protagonismo no Fórum de Gestores, com o painel sobre neurodiversidade avançando além do discurso e propondo mudanças estruturais no ambiente escolar. A mediação foi da jornalista e apresentadora Bruna Macedo, e o debate reuniu Kadu Lins, CEO do Instituto do Autismo e da Universidade da Inclusão, e Telma Pantano, fonoaudióloga e psicopedagoga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Os especialistas reforçaram que inclusão não pode ser tratada como uma adaptação pontual, mas como uma revisão profunda de cultura, currículo e práticas. A neurodiversidade não pede apenas acolhimento, exige transformação nas relações, na escola e na comunidade.

“O grande desafio hoje é fazer com que um ensino verdadeiramente adaptado chegue a todos. Inclusão passa por entender cada estudante, fazer os ajustes necessários e construir caminhos possíveis dentro de cada contexto. Isso também envolve confiança das famílias e o preparo da escola para apoiar o aluno, inclusive no desenvolvimento emocional diante das mudanças e dos desafios do ambiente escolar”, afirmou Kadu Lins.

Para Telma Pantano, o ponto de partida está na compreensão de como o cérebro aprende - e das diferentes formas como isso acontece. “Aprender não é um processo simples. Exige estímulo, constância e condições adequadas de atenção. E isso não acontece da mesma forma para todos. Quando falamos de neurodivergência, estamos reconhecendo essas diferenças. A escola precisa entender essas características e criar estratégias para lidar com elas, porque a diversidade sempre existiu, o que muda agora é o nosso nível de compreensão sobre ela”, destacou Telma.

Ainda no campo da transformação humana, a palestra de João Branco, especialista em marketing e ex-CMO do McDonald’s, foi uma verdadeira inspiração para os educadores refletirem sobre o papel do propósito no trabalho.

João Branco abriu sua fala na Bett Brasil com uma provocação à plateia: "Qual é o seu trabalho?" e respondeu com uma visão que vai além do cargo ou função de cada um: "O seu trabalho não é só onde você vai trocar tarefas feitas por salário. Seu trabalho é ser útil, usando seus talentos, dons e habilidades para colocar em prática o que pode melhorar a vida do outro. As intenções importam. Trabalhe com a intenção certa, de servir, ajudar e amar ao próximo”, disse o especialista. Em um cenário em que educadores enfrentam desafios crescentes, da sobrecarga à necessidade de reinvenção em sala de aula, a discussão sobre significado e engajamento ganhou destaque na Bett Brasil.

O papel da inteligência artificial na educação

No Summit IA na Educação, a discussão avançou para um dos pontos mais sensíveis da atualidade: quem toma as decisões na era da inteligência artificial? O painel abordou temas como ética, vieses algorítmicos e o risco de delegar decisões pedagógicas à tecnologia, debates que acompanham o avanço acelerado da IA no mundo todo.

Ao longo da conversa, com Guilherme Cintra, da Fundação Lemann; Américo N.Amorim, pesquisador em educação, e Gi Santos, da Humania, foi discutido como manter o professor no centro da mediação do aprendizado, evitando a delegação excessiva de decisões para a tecnologia.

“O que a IA pode permitir são bons diálogos, boas conversas. Não tem nada mais ancestral que a tecnologia do diálogo. Se confunde o domínio do conhecimento, a saber ensinar, mas a IA ainda não se provou ser maior que o professor e não sei se queremos que ela se prove”, comentou Guilherme Cintra.

Encerrando a agenda de debates do dia, uma roda de conversa sobre proteção e educação no ambiente digital trouxe um alerta importante: formar cidadãos digitais exige diálogo contínuo entre escola, família e sociedade. Em um contexto de aumento de riscos online, o tema ganha ainda mais relevância para gestores e educadores.

Ao longo do dia, ficou evidente que, mais do que tendências, os temas discutidos já fazem parte da realidade das escolas e exigem respostas concretas.

Segundo dia de evento

A Bett Brasil apresenta uma programação robusta que inclui mais de 450 palestrantes nacionais e internacionais, distribuídos em 13 auditórios simultâneos. As atividades contemplam congressos, fóruns e arenas temáticas, com formatos inovadores de interação, como Aquário, Roda de Conversa e Sala de Aula Invertida. 

Entre os destaques do segundo dia está o lançamento dos destaques do relatório OCDE “Digital Education Outlook 2026 – Exploring Effective Uses of Generative AI in Education”, publicação de referência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além da cerimônia do Prêmio Educador Transformador, iniciativa em parceria com o Sebrae e o Instituto Significare, que vai revelar os vencedores e valorizar quem transforma a educação todos os dias.  A programação da Bett Brasil segue até o dia 08 de maio, com visitação gratuita.

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