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23 abr 2024

Primeiro dia da Bett Brasil traz debates sobre inteligência artificial, cidadania e gestão na educação

Redação Bett Blog
Primeiro dia da Bett Brasil traz debates sobre inteligência artificial, cidadania e gestão na educação
Maior evento de Inovação e Tecnologia para Educação na América Latina reúne todo ecossistema educacional no Expo Center Norte, em São Paulo; visitação é gratuita

Com o tema “Inovação com propósito: educação em diálogo com as transformações sociais”, a 29ª edição da Bett Brasil teve início nesta terça-feira (23), em São Paulo. Com mais de 300 marcas expositoras e 400 palestrantes nacionais e internacionais, o maior evento de Inovação e Tecnologia para Educação na América Latina reuniu toda a comunidade educacional, entre professores, gestores, diretores, autoridades públicas e empresas do ensino básico ao superior e seguirá até sexta-feira (26), no Expo Center Norte, em São Paulo.

Durante a cerimônia de abertura, a diretora da Bett Brasil, Claudia Valério, enfatizou a importância do evento para a educação brasileira e ressaltou a relevância da temática escolhida, mostrando sua aplicabilidade durante a feira, assim como no dia a dia da comunidade escolar.

“A Bett Brasil é um momento de celebração de todas as iniciativas em prol da educação pública e privada. E quando nós percebemos que conseguimos unir toda a comunidade: escolas, professores, educadores, escolas, gestores e as soluções educacionais, sabemos o quanto nosso trabalho tem sentido e que estamos no caminho certo. A temática deste ano é inovação com propósito e educação em diálogo com as transformações sociais, centrado na educação inclusiva e de qualidade, buscando igualdade e oportunidades de aprendizado ao longo da vida para todos”, disse.

Claudia-Valerio-Bett-Brasil-2024

A executiva destacou também que o trabalho de todo um ano para fazer a Bett Brasil acontecer possui um propósito ainda maior: “Os temas apresentados no evento transpassam diversos outros assuntos, incluindo inteligência artificial, conectividade e outras  tecnologias desenvolvidas para apoiar a educação brasileira. São quatro dias de muito networking, de oportunidades de negócio, oportunidades de falas, oportunidades de conexões para que cada um aproveite esses dias de inspiração e conhecimento podendo multiplicar o conhecimento adquirido aqui”, salientou.

Estudante, professor, mercado e governo

Para começar a edição de 2024 com chave de ouro, a Bett Brasil promoveu uma roda de conversa com atores do universo da educação. Um dos convidados especiais foi o professor Francisco Leitão Freitas, que leciona história do Núcleo de Ensino da Unidade de Internação de Santa Maria (DF) para jovens que estão em cumprimento de medidas socioeducativas. Leitão Freitas é um dos finalistas do Prêmio Educador Transformador, com o projeto RAP (Ressocialização, Autonomia e Protagonismo), uma iniciativa que usa o hip hop como base para o estímulo à aprendizagem.

Professor-Prêmio-Educador-Transformador

Durante a conversa, o professor reforçou que inovação não é apenas tecnologia, mas também é buscar novas formas de ensinar. “A abordagem também deve ser inovadora. Temos o desafio de entender e estimular o jovem ao aprendizado de múltiplas formas”, disse. Durante o encontro, Francisco revelou que na juventude também teve problemas com o ambiente escolar. “Eu não fui um aluno exemplar, eu reprovei duas vezes e fiquei afastado da escola por alguns anos por não me sentir acolhido, eu era muito tímido. Por isso, reforço que educadores e unidades de ensino devem fazer um pacto: a escola deve acolher, afinal, o jovem não é um problema; o jovem é uma potência”.

Uma escola inclusiva também é o desejo do estudante Lucas Coelho, de 14 anos. Ele faz parte do Projeto Juventude Bett e está no 1º ano do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho, em São Paulo, onde é bolsista.

O Projeto Juventude Bett incentiva estudantes do Ensino Médio de escolas públicas e privadas a explorarem tendências e inovações educacionais na Bett Brasil. A iniciativa é uma colaboração da Bett Brasil com o Instituto Criar e CESAR School para o suporte técnico e criativo. Na Bett, 24 estudantes terão uma programação, nos quatro dias de evento, que inclui visitas a estandes de expositores, participação em palestras e workshops para a criação de conteúdos audiovisuais que traduzam as próprias percepções do evento. Os estudantes terão acesso a uma sala de trabalho equipada para desenvolver o projeto.

Estudantes-Bett-Brasil

Filho de uma professora da rede pública, Lucas foi convidado pela Bett Brasil para dar sua visão sobre como seria a escola ideal. “Acredito que a escola ideal deva ser primeiramente humana e inclusiva. Estimular o pensamento crítico entre os alunos, utilizar a arte e a música como instrumentos de aprendizado e também ser participativa, ter o aluno no centro do debate educacional”, disse.

O estudante falou ainda sobre a importância e a marca que os bons professores deixam em nossas vidas. “Jamais esquecerei da professora Teka, que me incentivou a escrever meus poemas. Uma vez ela leu um texto meu e o adicionou em uma prova. Depois disso, emoldurou e me deu. Foi muito gratificante”.

Integrante da roda de conversa, o conselheiro Fiscal do CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e secretário de Estado de Educação, Cultura e Esportes do Acre, Aberson Carvalho, reforçou a importância da tecnologia na construção de uma educação ‘mais ideal’.

“A educação pública do País passa por um processo de transformação. A pandemia trouxe desafios que nos colocaram em um novo momento educacional, da mudança de uma academia conservadora, do professor no quadro, da lousa e do giz, para a inserção da tecnologia, não só com laboratórios de informática, por exemplo, mas também com equipamentos tecnológicos, como tablets, entre outros itens que compõem essa relação. Tudo isso mostra que a tecnologia é acessória à relação pedagógica e faz parte do processo de aprendizagem”

Abertura-Bett-Brasil-

Outro ponto referendado pelo secretário é sobre a percepção e o respeito à individualidade dos estudantes. “Hoje, quando falamos em equidade, o grande desafio da educação é justamente de os docentes, as escolas e os gestores escolares olharem para a perspectiva do aluno, sem a cultura de que somos donos do conhecimento, que vem de cima para baixo. É preciso ter essa relação do ensino-aprendizagem e não perder de vista que o ator principal é o estudante”, reforçou.

Já a diretora de EDU Industry Advisor Americas da Microsoft, Vera Cabral, falou sobre como a democratização da tecnologia é importante para que a gente alcance alguns resultados. Falou também sobre a visão dela sobre o que é inovação na educação.

“A grande chave da discussão, e o que nos move, é a inovação. A gente vem de um modelo de educação muito rígido, muito quadradinho, que não contempla diferenças. A educação precisa ser humana e usar a tecnologia, isso é muito importante”, disse.

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Entretanto, Vera salientou que a tecnologia é uma ferramenta para ajudar na democratização da educação. “A tecnologia não faz a educação, quem faz a educação são os educadores e os estudantes. A tecnologia tem recursos que magnificam significativamente todo esse movimento de inovação que falamos. E, particularmente, agora que a gente tem esse desenvolvimento da inteligência artificial generativa, é um momento muito importante para a gente refletir sobre como essas tecnologias podem democratizar a educação e transformar a educação além de torná-la muito mais equitativa e fazer uma educação para todos, que inclua todos”, completou Vera.

Inteligência Artificial e educação

O uso da Inteligência Artificial no contexto educacional e social foi um dos temas que marcou o primeiro dia da Bett Brasil. Fabio Campos, educador e pesquisador na New York University (EUA), e Ivan Claudio Pereira Siqueira, coordenador do bacharelado interdisciplinar em Humanidades da Universidade Federal da Bahia, debateu como a Inteligência Artificial pode estabelecer uma conexão com a inteligência humana e qual a melhor forma de uso desta tecnologia. O painel foi mediado por José Brito, diretor na Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação).

Fabio Campos iniciou o debate dizendo que existe uma tensão entre engenharia e pedagogia que não deveria existir, fazendo alusão à resistência de algumas instituições às novas tecnologias. “A melhor forma de introduzir uma inovação de forma segura nas escolas é testando primeiro na sala dos professores e depois na sala de aula. Feito isso, as vantagens são muitas”, destacou.

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Durante o debate, Ivan Siqueira reforçou a importância da pergunta às plataformas de Inteligência Artificial bem elaboradas e qualificadas, para que estas não sejam usadas meramente como chats de perguntas e respostas simples. “Existe um estudo na Alemanha que diz que o uso dessas ferramentas sem elaboração durante o período inicial de formação educacional pode afetar o desenvolvimento cognitivo de crianças. Por isso, o fato mais importante nesse universo é saber perguntar. Pergunta precisa de elaboração, de análise e avaliação”.

Como dica de aprimoramento para esse processo, Fabio destaca o uso da IA generativa de imagens. “Um ótimo recurso para aprimorar o refinamento das perguntas pelos alunos são os programas de geração de imagem por Inteligência Artificial. Ao tentar criar um cenário, o aluno pode ir aprimorando sua cena com mais elementos, o que acaba estimulando a busca pelas perguntas mais assertivas”.

Os painelistas debateram ainda a necessidade de desenvolvimento no ensino nacional frente aos países em desenvolvimento e a regulamentação do uso das redes sociais e da Inteligência Artificial para melhor estabilidade da saúde mental de crianças e adolescentes, além de mais controle sobre informações verídicas e checadas.

Cidadania em pauta

O jornalista Milton Jung esteve na Bett Brasil para falar sobre seu último livro ‘É proibido calar! Precisamos falar sobre Ética e Cidadania com nossos filhos’. A publicação traz uma reflexão sobre a importância do diálogo intergeracional com base na experiência do próprio jornalista como pai e cidadão.

Jung reforçou a necessidade de nós, enquanto indivíduos, convivermos com pessoas que pensam e agem de formas diferentes, pois, somente assim, alcançaremos o desenvolvimento e a evolução. “A diversidade é uma necessidade para quem busca a criatividade. Nós não evoluímos quando estamos com pessoas que pensam como nós. Quando ninguém mais aceita ouvir o outro, cria-se o vazio, e isso é um problema, pois impede o desenvolvimento e a cidadania”, disse durante o painel.

Em seu livro, Jung destaca a importância de combater quatro lugares comuns para a sociedade, que são frases e argumentos utilizados com frequência para definir ou lidar com a juventude. São eles: “Adolescente é tudo igual”; “No meu tempo…”; “Ele só tem que estudar” e “Filho meu não leva desaforo para casa”.

Segundo o autor, tais afirmações mostram resistência à mudança e não respeitam o individualismo e as necessidades do outro, especialmente dos jovens. “Esses são lugares comuns que devem ser fortemente combatidos, tanto em casa, quanto na escola, como na sociedade. Nós, enquanto pais, devemos ser melhores do que os nossos pais foram para nós, bem como um professor não pode lecionar 30 anos da mesma forma”, e completa: “Se eu tiver a mesma opinião que tinha há 40 anos, é sinal de que eu não evolui nada”, completa.

A Bett Brasil segue até sexta-feira (26), no Expo Center Norte, em São Paulo. O credenciamento pode ser feito diretamente no local. A visitação é gratuita.

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