Recomposição na prática: caminhos para avançar na aprendizagem
Nos últimos anos, a educação brasileira enfrentou um dos maiores desafios de sua história recente. A pandemia alterou rotinas, afastou estudantes da escola e evidenciou desigualdades que já faziam parte do sistema educacional. Esse período deixou marcas profundas na aprendizagem, e os dados ajudam a dimensionar esse cenário. De acordo com o Ministério da Educação apenas 35% dos estudantes do Ensino Fundamental atingiram níveis adequados em Língua Portuguesa e, em Matemática, esse percentual cai para 18% (BRASIL, 2024).
Diante desse cenário, ganha força o debate sobre a recomposição das aprendizagens: uma estratégia estruturada para garantir que os estudantes consolidem as aprendizagens ao longo de sua trajetória escolar.
Em 2025, o Governo Federal instituiu o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, com foco em apoiar redes de ensino na identificação das defasagens, reorganização curricular e implementação de estratégias alinhadas às aprendizagens. Essa iniciativa evidencia que a recomposição das aprendizagens se consolidou como uma prioridade nacional. Ao mesmo tempo, sua efetivação nas redes de ensino exige apoio técnico, organização de dados e estratégias estruturadas que possibilitem transformar diretrizes em ações concretas no cotidiano escolar.
Recuperação, reforço escolar e recomposição das aprendizagens
Historicamente, a educação brasileira já buscou formas de apoiar estudantes com dificuldades de aprendizagem. Desde a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) (Lei nº 4.024/1961), já havia preocupação com o rendimento escolar, embora sem detalhamento sobre estratégias de recuperação.
Foi a partir de legislações posteriores (Lei nº 5.692/1971) e a atual LDB (Lei nº 9.394/1996), que mecanismos de recuperação passaram a ser mais estruturados, prevendo atividades de reforço ao longo do ano letivo e oportunidades adicionais para que os estudantes alcançarem os objetivos de aprendizagem. Dessa forma, tais iniciativas, como a recuperação da aprendizagem e o reforço escolar, passaram a estar no radar de gestores e professores na busca por melhores resultados, e ainda, melhorias na qualidade do ensino.
A recuperação da aprendizagem está geralmente associada à ações pontuais, muitas vezes realizadas ao final de um período letivo. Seu foco costuma estar na revisão de conteúdos não assimilados, oferecendo ao estudante uma nova oportunidade de alcançar os objetivos mínimos estabelecidos, por meio de atividades e avaliações extras.
Por outro lado, o reforço escolar, também presente em práticas escolares, aprofunda o estudo de determinados conceitos em ações contínuas e personalizadas. Trata-se de intervenções individualizadas, geralmente em turmas menores no contraturno.
Mesmo com todo o esforço, essas ações de forma isolada, podem não ser suficientes para suprir as defasagens de aprendizagem.
A recomposição das aprendizagens propõe uma mudança de lógica. Em vez de concentrar esforços em momentos específicos, ela se estrutura como um processo contínuo, integrado ao currículo e orientado por evidências. Parte do diagnóstico das aprendizagens, considera os diferentes níveis de desenvolvimento dos estudantes e organiza intervenções pedagógicas ao longo do tempo, com foco no avanço real e progressivo.
Essa diferença não é apenas terminológica, mas pedagógica. Enquanto a recuperação e o reforço tendem a olhar para o que ficou para trás, a recomposição busca compreender o ponto de partida de cada estudante para promover aprendizagens mais consistentes e duradouras.
Assim, a recomposição das aprendizagens pode ser entendida como um conjunto de ações pedagógicas intencionais, contínuas e organizadas, voltadas a identificar e superar defasagens no processo de aprendizagem. Esse movimento inclui a utilização de dados das avaliações das redes e das escolas para reorganizar o currículo e planejar intervenções em sala de aula.
Recomposição na prática
Essa mudança de perspectiva dialoga com o conceito de aprendizagem significativa, proposto por David Ausubel. Para o autor, a aprendizagem acontece de forma mais consistente quando o novo conhecimento se conecta ao que o estudante já sabe, permitindo a construção de sentidos e não apenas a memorização de conteúdos (AUSUBEL, 2003).
Quando essa conexão não ocorre, o aprendizado tende a ser superficial e pouco duradouro, o que ajuda a explicar por que estratégias baseadas apenas na revisão de conteúdos nem sempre são suficientes para superar as lacunas existentes.
Nesse sentido, recompor aprendizagens exige compreender o ponto de partida de cada estudante e criar condições para que o aprendizado faça sentido ao longo do tempo. Ou seja, é fundamental a consolidação de habilidades mesmo que de anos anteriores, para que seja possível a progressão da aprendizagem.
Na prática, esse processo passa por três movimentos fundamentais: avaliação, análise e ação:
- Avaliação: identifica quais habilidades foram consolidadas e quais ainda precisam ser desenvolvidas, oferecendo um diagnóstico do ponto de partida dos estudantes.
- Análise: transforma os dados em informação pedagógica, permitindo identificar padrões, níveis de aprendizagem e definir prioridades.
- Ação: organiza intervenções em sala de aula, com foco na priorização de conteúdos curriculares, na diferenciação por nível e no avanço contínuo dos estudantes.
Embora esse caminho seja cada vez mais reconhecido, colocá-lo em prática de forma estruturada ainda é um desafio para muitas redes. As avaliações existem e os dados são coletados, mas nem sempre se transformam em orientações claras para o trabalho pedagógico.
Além disso, quando a interpretação dos resultados, a diferenciação dos níveis de aprendizagem e a definição das intervenções ficam concentradas apenas no professor, há uma sobrecarga significativa para a docência. Se faz necessário reorganizar o percurso de aprendizado, a partir de um planejamento pedagógico consistente, articulando professores e gestores.
Sem uma organização que conecte diagnóstico, currículo e ação, os dados tendem a se fragmentar, o que dificulta a tomada de decisão e limita o impacto das estratégias de recomposição.
Como o FOCUS ajuda com a recomposição das aprendizagens
É nessa perspectiva que surge o FOCUS, uma solução educacional desenvolvida para apoiar redes de ensino na recomposição das aprendizagens de forma estruturada, contínua e alinhada às necessidades reais dos estudantes.
O trabalho começa com o diagnóstico da rede, a partir da análise dos currículos estaduais ou municipais e dos dados de aprendizagem já disponíveis, a organização das habilidades por período letivo com prioridades claras, para que o professor saiba exatamente o que trabalhar em cada momento do ano.
Na sequência, é sugerida uma sequência de conteúdos a ser trabalhada de forma progressiva, alinhada ao currículo da rede, com indicação da quantidade de aulas para cada etapa e integração ao material didático já adotado, sugerindo para o professor qual capítulo utilizar para cada objetivo.
Assim, a cada nova avaliação (diagnóstica ou formativa) que a rede já aplica, os alunos são agrupados por nível de aprendizagem e o percurso de aprendizagem é atualizado, indicando, por turma, o que precisa ser recomposto. Esse processo também permite identificar, com mais precisão, onde estão as lacunas e definir o ponto de partida da recomposição.
Por fim, para os conteúdos com maior defasagem, são entregues planos de ação prontos: com passo a passo para o professor, estratégias diferenciadas por nível de aprendizagem e orientação sobre quando e como aplicar.
Essa estrutura possibilita a definição de estratégias mais adequadas para cada turma, considerando seus diferentes desempenhos no processo de recomposição. Assim, em vez de propor o mesmo percurso para todos, torna-se possível planejar intervenções e planos de aula mais alinhados às necessidades reais dos estudantes.
A recomposição das aprendizagens exige transformar o diagnóstico em ação no cotidiano das escolas. Com organização, intencionalidade e apoio estruturado, torna-se possível orientar melhor o trabalho pedagógico e promover avanços reais. Nesse processo, o FOCUS contribui ao apoiar redes e professores na construção de caminhos mais consistentes para a aprendizagem.
por Júlia Hobold, Vanessa Benites e Patricia Ferreira
*Conteúdo sob responsabilidade exclusiva do anunciante.
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Bett Brasil.
Referências:
AUSUBEL, David Paul. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.
BRASIL. Decreto nº 12.391, de 28 de fevereiro de 2025. Institui o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Guia para implementação da recomposição das aprendizagens. Brasília, DF: MEC, 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens: contexto e orientações. Brasília, DF: MEC, 2024.
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