Bett UK

20-22 Jan 2027

Bett Brasil

05-08 Mai 2026

Bett Asia

23-24 Setembro 2026

Bett USA

8-10 November 2027

Bett Blog

28 out. 2026

Saúde mental na escola exige prevenção, acolhimento e atenção ao bem-estar dos estudantes

Redação Bett Blog
Saúde mental na escola exige prevenção, acolhimento e atenção ao bem-estar dos estudantes
Foto: Magnific
Subtema da Bett Brasil 2027, “Coragem para ser” propõe uma reflexão sobre o papel das instituições de ensino na construção de ambientes seguros, capazes de acolher diferenças e favorecer a aprendizagem

A saúde mental dos estudantes está diretamente relacionada às condições de aprendizagem, às relações estabelecidas no ambiente escolar e ao desenvolvimento integral.

A neurocientista e CEO da Educação Inédita, Carla Tieppo, e o psiquiatra, neurocientista e presidente do Instituto Ame Sua Mente, Rodrigo Bressan, — ambos conselheiros da Bett Brasil — apontam que promover o bem-estar na escola passa por reconhecer sinais de sofrimento, fortalecer vínculos de confiança, apoiar os educadores e estabelecer parcerias com famílias e serviços de saúde.

O debate sobre saúde mental e bem-estar integra o subtema “Coragem para ser”, que será abordado na 32ª edição da Bett Brasil. Orientado pela ideia de aprender a ser, o pilar propõe uma reflexão sobre identidade, desenvolvimento humano, autonomia e formação integral, além de questões como competências socioemocionais, propósito e as relações entre tecnologia e humanidade.

Leia também:

Acolher sem rotular

Para Carla, um dos principais desafios das lideranças educacionais é reconhecer o sofrimento dos estudantes sem interpretá-lo automaticamente como indisciplina ou associar toda dificuldade a um diagnóstico.

Segundo ela, mudanças persistentes no comportamento, na participação e na frequência escolar merecem atenção, assim como situações de ansiedade, depressão, isolamento, bullying e discriminação.

A especialista ressalta que o bem-estar dos estudantes também está relacionado às condições em que vivem. Sono insuficiente, pressão por desempenho, conflitos familiares, violência e ausência de uma rede de apoio podem contribuir para o sofrimento emocional. No ambiente digital, as possibilidades de conexão convivem com riscos como a comparação constante e o cyberbullying.

“A liderança precisa perguntar: este estudante tem algum adulto de confiança na escola? Sente que pertence a esse lugar? Sabe onde buscar ajuda? A escola não substitui o atendimento em saúde mental, mas pode reconhecer sinais, acolher e construir caminhos de cuidado com as famílias e os serviços de saúde. E os educadores também precisam de apoio para cumprir esse papel”, explica Carla.

A atuação preventiva também é uma prioridade para Bressan. “Para os gestores e líderes educacionais, o desafio atual é mudar a chave da reação para a prevenção. Historicamente, as escolas costumam intervir apenas quando o sofrimento emocional do estudante culmina em crises graves. Precisamos construir uma cultura preventiva diária”, afirma Bressan.

Entre as medidas apontadas por ele, estão a capacitação de professores e equipes pedagógicas para identificar sinais sutis de estresse crônico, isolamento ou queda repentina de engajamento sem rotular os estudantes, o cuidado com a saúde mental dos profissionais da educação e a conscientização sobre os impactos do uso excessivo de telas e da privação de sono no desenvolvimento emocional e cognitivo dos jovens.

Rodrigo Bressan

Bressan destaca a importância da cultura de prevenção em saúde mental nas escolas. Foto: Reprodução.

O psiquiatra também destaca a necessidade de articulação entre escolas, famílias e serviços especializados para que os encaminhamentos sejam realizados de maneira responsável.

Ambiente escolar e condições para aprender

Além da identificação de sinais de sofrimento, a organização do ambiente de aprendizagem pode contribuir para o bem-estar dos estudantes. Carla pondera que o estresse intenso ou persistente pode prejudicar funções cognitivas importantes para aprender, como atenção, memória de trabalho e capacidade de organizar o pensamento.

A neurocientista defende que rotinas claras, expectativas compreensíveis e relações respeitosas com o erro fazem a diferença. “O desafio continua existindo, porém os estudantes precisam de condições para enfrentá-lo sem ameaça ou humilhação”, afirma Carla.

Leia também:

A especialista também chama a atenção para cuidados relacionados ao corpo, como a preservação do recreio, as oportunidades de movimento e o diálogo com as famílias sobre a importância do sono. Segundo ela, esses aspectos precisam estar presentes na organização do cotidiano, e não restritos a ações isoladas de conscientização.

Outra frente é o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como reconhecer emoções, pedir ajuda, ouvir o outro e resolver conflitos. “Isso pode aparecer em atividades cooperativas, conversas mediadas e programas com evidências de resultado, adequados à idade”, destaca.

Carla ressalta, porém, que não existe uma receita única para todas as crianças. As evidências da neurociência ajudam a compreender as condições que favorecem o desenvolvimento, mas precisam ser consideradas em conjunto com as práticas pedagógicas e as necessidades de cada estudante.

Carla Tieppo

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais ajuda no bem-estar nos estudantes, explica Carla. Foto: Reprodução.

Bressan também defende a incorporação de práticas de cuidado à rotina escolar. Entre as possibilidades estão a realização de pequenas pausas para autorregulação e respiração entre as aulas, a abertura de momentos para os alunos nomearem o que estão sentindo, o incentivo a trabalhos colaborativos que fortaleçam o sentimento de pertencimento e a oferta de oportunidades de movimento.

Para o presidente do Instituto Ame Sua Mente, essas iniciativas devem fazer parte de uma abordagem consistente, que valorize o bem-estar emocional como uma condição importante para a aprendizagem. “Quando a escola cuida do bem-estar emocional, a aprendizagem e o desenvolvimento integral acontecem de forma natural”, afirma Bressan.

Coragem para ser também é reconhecer vulnerabilidades

Para Bressan, o subtema ‘Coragem para ser’, incorporado à Bett Brasil 2027, convida as instituições de ensino a reconhecer a importância da segurança psicológica para o desenvolvimento humano.

Em um cenário marcado pela hiperconexão, pelas comparações nas redes sociais e pela cobrança por desempenho, o especialista defende a construção de ambientes em que estudantes e professores possam expressar emoções, reconhecer limites e lidar com erros sem medo de julgamento.

“Na educação contemporânea — que já é fortemente atravessada pela inteligência artificial e pela tecnologia —, ter coragem para ser é lembrar que a tecnologia deve servir à emancipação humana. A saúde mental não é um módulo extra do currículo ou um tema pontual de palestras; ela é a pré-condição biológica e emocional para qualquer aprendizagem sustentável”, conclui o psiquiatra.

Na perspectiva de Carla, a proposta de “Coragem para ser” envolve reconhecer quem somos, o que sentimos, nossos limites e aquilo que ainda precisamos aprender. Na educação, isso significa permitir que o estudante pergunte, discorde, experimente e diga que não entendeu, sem medo de ser humilhado.

O acolhimento das diferenças, ressalta a especialista, não elimina desafios ou regras, mas exige condições para que cada aluno possa participar e se desenvolver.

“Em um mundo que cobra respostas rápidas e desempenho o tempo todo, a escola tem um papel importante na construção de autonomia e pensamento crítico. ‘Coragem para ser’ se conecta à transformação porque nos convida a formar pessoas capazes de fazer escolhas, assumir responsabilidades e mudar de ideia, sem reduzir seu valor à nota que recebem”, finaliza a neurocientista.

Compartilhe nas redes sociais:

Categories

  • Estratégias de Aprendizagem
  • Gestão Educacional
Voltar ao Bett Blog
Loading