Turismo educacional leva a aprendizagem para além da sala de aula
Visitas a cidades históricas, atividades em meio à natureza e experiências de imersão cultural podem ampliar as possibilidades de aprendizagem dos estudantes. Essas vivências, quando integradas ao planejamento pedagógico, aproximam os conteúdos curriculares da realidade e incentivam o contato com diferentes contextos culturais, históricos e sociais.
Para o diretor do Forma Conhecer, segmento de turismo pedagógico e educacional do Grupo Forma Turismo, Cesar Leonel, o principal diferencial dessas experiências está na intencionalidade pedagógica e na forma como a experiência é construída. “Para integrar uma viagem ao projeto da escola, é necessário definir o que os estudantes deverão investigar, quais conteúdos serão mobilizados e como as descobertas serão retomadas depois”, explica.
O diretor de Produto do NR, Kito Vivolo, destaca que as experiências podem ser planejadas tanto para aprofundar conhecimentos curriculares quanto para desenvolver habilidades socioemocionais. Uma imersão em inglês, por exemplo, pode incluir o contato com pessoas de outras culturas, enquanto outras propostas podem incluir dinâmicas de liderança, escuta ativa, autoconhecimento e trabalho em equipe. “É o objetivo educacional que orienta a construção da experiência”, afirma.
Já a diretora pedagógica do Sítio Santa Ângela, Roberta Fardin Bianchi, ressalta o potencial das vivências para aproximar os conteúdos estudados das experiências concretas dos alunos.
“Na experiência educacional, os conteúdos estudados nos livros finalmente ganham vida. Sentir aromas diferentes, apreciar e vivenciar a natureza em sua plenitude, interagir com culturas e realidades fora da rotina — e comparar tudo isso com o que foi trabalhado em sala de aula — é algo absolutamente mágico e transformador para a aprendizagem”, diz.
Assim, a escolha do destino deve partir dos objetivos de aprendizagem definidos pela escola e considerar as experiências que aquele ambiente pode proporcionar. Visitas a espaços históricos, atividades em meio à natureza ou vivências culturais podem estimular a observação, a investigação e o contato com diferentes formas de viver e compreender o mundo, desde que estejam articuladas ao planejamento pedagógico.
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Planejamento pedagógico orienta o roteiro da viagem
O planejamento de uma experiência de turismo educacional começa pela definição dos objetivos de aprendizagem e precisa considerar a faixa etária, os conhecimentos prévios e as necessidades dos estudantes. Segundo Leonel, a escolha do destino deve estar alinhada aos temas que a escola pretende trabalhar, com atividades que estimulem a observação, a investigação e a participação dos alunos.
Outro ponto essencial, segundo o diretor da Forma Conhecer, são os cuidados operacionais necessários para que os alunos participem das atividades em condições adequadas. “A estrutura operacional é igualmente relevante: transporte, acompanhamento, seguro, procedimentos para emergências e comunicação com os responsáveis”, observa.
Essa organização também pode ser pensada a longo prazo. Vivolo defende que as viagens devem fazer parte de uma jornada educativa contínua, com experiências que acompanhem o desenvolvimento dos estudantes e ampliem gradualmente as possibilidades de aprendizagem. Em vez de atividades isoladas no calendário escolar, a proposta é construir um percurso que articule diferentes vivências ao longo da trajetória dos alunos.

Turismo educacional pode contribuir no processo de aprendizagem dos estudantes. Foto: Freepik.
O envolvimento dos professores é fundamental nesse processo, inclusive daqueles que não acompanham os alunos durante a viagem. São eles que podem introduzir os temas, despertar a curiosidade e estimular perguntas que serão exploradas ao longo do roteiro.
“As boas viagens começam muito antes do embarque: começam quando o aluno conhece uma história, se interessa por um lugar ou formula uma pergunta que vai poder investigar durante a experiência”, afirma Vivolo.
O diretor da NR cita como exemplo uma viagem a Foz do Iguaçu, que pode ser preparada nas aulas de geografia a partir do estudo dos países, das fronteiras e dos processos históricos que formaram a região. No local onde Brasil, Argentina e Paraguai se encontram, os estudantes têm a oportunidade de observar como esses conceitos se relacionam com a circulação de pessoas, os idiomas, o comércio e os encontros entre culturas. Dessa forma, o conteúdo estudado em sala ganha uma dimensão concreta.
Roberta destaca a importância da continuidade do trabalho pedagógico após a viagem. Para ela, as experiências precisam ser retomadas em sala de aula para que os alunos compartilhem suas percepções, debatam o que vivenciaram e aprofundem os conhecimentos adquiridos.
“A jornada educacional não termina no transporte de volta para casa. O que foi visto, sentido e vivenciado no campo precisa ser retomado, debatido e desdobrado na sala de aula, garantindo que o conhecimento se consolide de forma profunda e estruturada”, afirma.
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Expansão do segmento traz desafios de acesso
O turismo educacional apresenta sinais de expansão e diversificação no Brasil, segundo os entrevistados. Escolas de diferentes regiões têm incorporado viagens e saídas pedagógicas ao planejamento escolar.
Roberta associa o aumento da procura à valorização de metodologias ativas e ao alinhamento das atividades às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“A BNCC exige que as escolas superem o modelo tradicional de transmissão de conteúdos e adotem metodologias ativas que coloquem o estudante no centro do processo de aprendizagem. Nesse contexto, o turismo educacional se consolida como uma estratégia indispensável para contemplar as competências gerais da educação básica”, afirma.
Segundo ela, as escolas buscam parceiros especializados capazes de desenvolver roteiros com intencionalidade pedagógica, segurança e atividades adequadas aos objetivos curriculares.
Leonel também observa uma diversificação das propostas, que abrangem desde visitas a museus e cidades históricas até experiências relacionadas à ciência, à cultura e ao entretenimento. Como indicador da atuação de seu grupo, ele informa que a Forma Turismo registrou crescimento de 20% entre 2025 e outubro de 2026. Para o executivo, a expansão do segmento depende da capacidade de demonstrar a contribuição das experiências para o projeto pedagógico das instituições.
Já Vivolo destaca a ampliação da procura em diferentes regiões do país. “Antes, essa procura ficava muito concentrada no Sudeste e, depois, foi ganhando espaço nas capitais. Hoje, vemos escolas de cidades e regiões mais distantes dos destinos tradicionais, inclusive da região Norte, buscando experiências educacionais pelo país”, afirma.
Apesar desse movimento, o acesso às experiências ainda representa um desafio, especialmente para as escolas públicas. Vivolo ressalta que os custos de deslocamento podem inviabilizar atividades com potencial educativo, sobretudo em localidades isoladas ou com poucos estudantes para dividir as despesas. Nesse contexto, ampliar o acesso ao turismo educacional também exige considerar as condições financeiras e logísticas das instituições.
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