Uso de IA chega a 80% entre professores do Reino Unido, mas a confiança na tecnologia perde força
A inteligência artificial já é utilizada por 80% dos professores do Reino Unido em atividades relacionadas ao ensino, segundo a pesquisa AI in Education 2026: Working it out, realizada pela Bett UK em parceria com a Lenovo. O levantamento ouviu 1.033 professores entre 16 e 29 de junho de 2026, em pesquisa conduzida pelo YouGov e ponderada para representar os docentes britânicos.
O uso semanal da IA dobrou em um ano, passando de 26%, em 2025, para 52% em 2026. Entre os professores que utilizam a tecnologia, a principal aplicação é a produção de planos de aula, fichas de exercícios e outros recursos de aprendizagem, citada por 76%. A IA também é usada para elaborar cartas e e-mails para pais (39%) e relatórios de estudantes (39%). A correção de trabalhos ainda aparece pouco: apenas 8% recorrem à tecnologia para essa finalidade.
Os dados do relatório sugerem uma mudança na relação dos professores com a IA: depois de um período de rápida experimentação e adoção, começa a prevalecer uma postura mais pragmática sobre seus benefícios e limites.
“Os professores estão usando a IA mais do que nunca, mas o entusiasmo em torno da tecnologia parece estar diminuindo. Eles continuam recorrendo às ferramentas, mas já não esperam tanto delas”, afirma o diretor do Portfólio Bett, Duncan Verry.
Menos horas de trabalho?
Apesar dos ganhos de produtividade em tarefas específicas, a pesquisa mostra que a IA ainda não reduziu de forma significativa a jornada dos professores. 51% afirmam que a tecnologia diminuiu sua carga de trabalho, mas somente 35% dizem trabalhar menos horas. Outros 55% mantêm a mesma jornada.
Entre os usuários regulares, a economia de tempo mais comum é de uma a duas horas por semana. Os dados indicam que o tempo poupado em determinadas atividades costuma ser ocupado por outras demandas profissionais.
Uma diferença aparece entre faixas etárias: 41% dos professores com menos de 35 anos afirmam trabalhar menos horas com o uso da IA, ante 26% entre aqueles com mais de 55 anos.
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Expectativa de uso perde força
O levantamento também aponta uma queda na expectativa de ampliar o uso da IA. 47% dos professores esperam utilizar mais a tecnologia no próximo ano, contra 68% em 2025. A parcela que prevê um grande aumento caiu de 15% para 3%. Os dados indicam uma postura mais pragmática dos docentes após o rápido avanço da adoção.
Formação ainda é insuficiente
Embora 57% dos professores afirmem que suas escolas já adotaram IA para alguma finalidade, 41% dizem não ter recebido nenhum treinamento ou apoio de suas escolas para utilizar a tecnologia.
Entre aqueles que recebem formação, a frequência também é limitada: 16% afirmam receber treinamento uma vez por ano e apenas 2%, mais de uma vez por trimestre.
As políticas para orientar o uso da IA também são pouco disseminadas. Apenas 33% afirmam que a escola possui uma política sobre o uso da tecnologia pelos funcionários. Outros 48% dizem que não há uma política, enquanto 19% não sabem informar. Mesmo entre os que trabalham em instituições com regras estabelecidas, somente 18% afirmam compreendê-las bem.
IA coloca avaliação em discussão
A integridade acadêmica aparece como outra preocupação. 45% dos professores afirmam que usar IA em tarefas centrais do ensino faria com que se sentissem como se estivessem “trapaceando”.
Entre os estudantes, 30% dos professores disseram ter suspeitado, nas quatro semanas anteriores à pesquisa, que pelo menos um aluno havia entregue trabalho produzido com auxílio de IA sem autorização. No ensino secundário, o índice chega a 57%, contra 9% no primário.
Diante desse cenário, os professores também apontam mudanças na avaliação. 30% defendem manter trabalhos escritos com ferramentas melhores de detecção de IA, enquanto 29% preferem substituí-los por produção escrita supervisionada em sala de aula.
Os resultados mostram que, embora a IA já esteja incorporada à rotina de grande parte dos professores britânicos, formação, políticas claras e definição de usos continuam sendo questões centrais para sua adoção nas escolas.
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