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Diversidade precisa orientar as práticas da escola

Redação Bett Blog
Diversidade precisa orientar as práticas da escola
Foto: Bett Brasil
Especialistas defendem o enfrentamento de barreiras atitudinais, a formação dos educadores e a adoção de estratégias pedagógicas acessíveis para garantir a participação e a aprendizagem de todos

Reconhecer a diversidade como parte do processo de aprendizagem implica repensar práticas, relações e estruturas presentes no cotidiano escolar. Para especialistas da área de educação inclusiva, esse movimento passa pelo enfrentamento do capacitismo, pela formação dos educadores e pela construção de estratégias que considerem as diferentes características e necessidades dos estudantes.

Para a coordenadora geral do Mais Diferenças – Educação e Cultura Inclusivas, Carla Mauch, uma das principais barreiras para a construção de uma cultura escolar baseada em participação e equidade é o capacitismo.

“Entendo que uma das barreiras principais é o capacitismo. Então, o convite é que a comunidade escolar como um todo, desde os gestores, trabalhe muito fortemente com práticas anticapacitistas”, afirma.

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A formação dos profissionais da educação também é apontada por Carla como uma frente necessária. Além de preparar os educadores, ela defende que esse processo seja acompanhado pela adoção de práticas pedagógicas diversificadas, acessíveis e inclusivas.

“Pode parecer pouco quando olhamos para cada uma dessas ações isoladamente, mas, se iniciarmos um trabalho articulado a partir dessas premissas, conseguiremos avançar muito na construção de uma educação de qualidade para todas as pessoas”, complementa.

Carla Mauch

Carla Mauch explicou os desafios atuais para uma educação realmente inclusiva. Foto: Bett Brasil.

Mais do que criar estratégias específicas para determinados grupos, Carla defende uma mudança na forma como a escola compreende seus estudantes e profissionais. A diversidade, nessa perspectiva, deve ser considerada desde o planejamento das práticas escolares.

“É mudar a chave, é partir da premissa da diversidade, partir da premissa de que cada sujeito é singular e único, não só os estudantes com deficiência, mas conjugar diferença com igualdade”, afirma.

Essa perspectiva também envolve reconhecer que a aprendizagem acontece nas relações estabelecidas dentro da escola. Para Carla, valorizar as diferenças não significa deixar de lado a dimensão coletiva da educação. “Quanto mais a gente tiver essas estratégias de acolhimento, mais conseguiremos avançar”, diz.

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Barreiras atitudinais

A necessidade de enfrentar as barreiras que impedem a participação dos estudantes também é destacada pela diretora da Diretoria de Educação Especial e Inclusão da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Maraína Fernandes. Para ela, a principal dificuldade está nas atitudes e concepções que ainda sustentam uma cultura capacitista.

“A maior barreira que a gente enfrenta hoje é a barreira atitudinal. Temos uma barreira cultural capacitista instalada e, por mais que a gente vença as barreiras de acessibilidade arquitetônica, de comunicação, de acessibilidade, se a gente não vencer a barreira atitudinal, não avança”, afirma.

Na avaliação de Maraína, mudanças estruturais e recursos de acessibilidade são importantes, mas não são suficientes quando não existe uma compreensão coletiva sobre o direito à inclusão e sobre o valor da diversidade.

Maraína Fernandes

Para Maraína Fernandes, a barreira atitudinal é um dos empecilhos na inclusão escolar. Foto: Bett Brasil.

Escola também aprende com a diversidade

Para que a diversidade seja incorporada ao processo de aprendizagem, Maraína aponta uma mudança na própria relação entre escola e estudante. Em vez de esperar que o aluno se adapte a uma estrutura previamente estabelecida, a instituição deve identificar e eliminar as barreiras que dificultam sua participação e aprendizagem.

“A escola precisa compreender que a diversidade nos ensina. Então, eu aprendo com a diversidade e transformo a escola onde estou, tornando-a acessível e vencendo as barreiras para que o estudante aprenda”, explica.

Essa perspectiva, segundo a diretora, desloca a responsabilidade de adaptação do estudante para a própria escola. “Não é o estudante que precisa se encaixar na escola. A partir do momento que a escola como um todo entende que a diversidade é uma maneira de aprender e de melhorar, aí, sim, estamos falando de inclusão”, conclui.

A construção de uma cultura escolar baseada em participação e equidade, portanto, envolve tanto a revisão de atitudes quanto a preparação dos profissionais e a organização de práticas pedagógicas capazes de acolher diferentes formas de aprender.

Este conteúdo tem como base a participação de Carla Mauch, coordenadora geral do Mais Diferenças – Educação e Cultura Inclusivas, e Maraína Fernandes, diretora da Diretoria de Educação Especial e Inclusão da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, na Jornada Bett Nordeste 2026.

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