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12 fev. 2026

Universidade empreendedora: o que muda quando a inovação vira estratégia institucional

Redação Bett Blog
Universidade empreendedora: o que muda quando a inovação vira estratégia institucional
Foto: Freepik
Instituições de ensino superior que assumem o papel de articuladoras de ecossistemas empreendedores podem transformar sua gestão e ampliam o repertório dos estudantes para gerar impacto real

A ideia de universidade inovadora deixou de ser apenas um slogan institucional. Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas e novas demandas do mercado e da sociedade, instituições de ensino superior (IES) são desafiadas a ir além de projetos pontuais e discursos inspiradores.

Tornar-se, de fato, um hub de inovação implica rever estruturas de governança, fortalecer a cultura empreendedora, diversificar fontes de financiamento e estabelecer parcerias estratégicas que resultem em impacto concreto.

O CEO do Centro Universitário Integrado (Campo Mourão -PR), Jeferson Vinhas, explica que o conceito de universidade empreendedora foi base de sua tese de doutorado desenvolvida na PUC-SP com período na Leuphana University, na Alemanha, na qual defendeu a tese internacionalização da universidade empreendedora.

Ele elenca cinco elementos centrais para caracterizar efetivamente uma universidade empreendedora. O primeiro é a chamada “periferia expandida de desenvolvimento”: “O desenvolvimento não pode ocorrer apenas dentro da universidade. É preciso haver uma preocupação genuína com a transformação da comunidade e do entorno”.

O segundo ponto é o fortalecimento do núcleo de direção. “A universidade empreendedora nasce com o tom do topo. A liderança precisa entender que essa é uma diretriz estratégica”, afirma.

O terceiro aspecto é a cultura empreendedora integrada. “É fundamental que a mentalidade empreendedora esteja incorporada em toda a comunidade acadêmica”, explica.

O quarto elemento é a diversificação da base de financiamento. “A universidade empreendedora não depende exclusivamente das mensalidades. Ela estabelece parcerias com empresas, investe em um ecossistema próprio de inovação e desenvolve novas frentes de receita”.

Por fim, Vinhas destaca o papel do centro acadêmico estimulado. “Não basta falar em inovação no discurso. É preciso criar oportunidades reais para que o estudante empreenda, teste ideias, participe de projetos e se veja como protagonista dentro desse ecossistema”, conclui.

Jeferson Vinhas na Bett

Jeferson Vinhas será um dos palestrantes do Fórum Ahead CIEE – Ensino Superior. Foto: Divulgação.

Na prática, isso pode significar um reposicionamento radical da relação entre aluno e instituição. “A provocação que deixo é: estamos preparando nossos estudantes apenas para serem funcionários ou para terem repertório suficiente para escolher entre ser empregado, empreendedor ou empresário?”, questiona.

No Centro Universitário Integrado, ele cita como exemplo a existência de um fundo de Corporate Venture Capital (CVC), que destina parte da receita da instituição para investir em startups de alunos, professores e colaboradores.

“O estudante pode entrar como consumidor de um curso e sair como sócio da universidade. Quando investimos em uma ideia acelerada dentro do nosso ecossistema, estamos dizendo que acreditamos naquele projeto e naquele aluno”, finaliza Vinhas.

Parceria universidade e empresa

Se, por um lado, a transformação passa por dentro da universidade, por outro, ela se concretiza nas conexões com o mercado. Para o diretor da Hotmilk (ecossistema de inovação da PUCPR), Marcelo Moura, os modelos de parceria mais eficazes são aqueles que combinam estratégia, execução e continuidade. “O impacto concreto acontece quando a parceria é desenhada como jornada, e não como ação isolada”, afirma.

Entre os modelos mais efetivos, ele destaca as parcerias de pesquisa e desenvolvimento aplicado, nas quais empresas cocriam soluções com pesquisadores e laboratórios; programas estruturados de inovação aberta, com provas de conceito e validação conjunta; e iniciativas de corporate–startup engagement, nas quais a universidade atua como curadora e facilitadora da relação entre corporações e startups.

Outro eixo relevante é a formação de lideranças. “Sem líderes preparados, a inovação não se sustenta. A capacitação estratégica conecta o conhecimento acadêmico às decisões reais do negócio”, diz Moura.

Marcelo Moura

Marcelo Moura destaca a parceria entre universidades e empresas. Foto: Divulgação.

Ele também ressalta a importância de ambientes compartilhados de inovação, como hubs e laboratórios, onde a convivência contínua entre universidade, empresas e startups acelera conexões e aprofunda projetos.

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Para Moura, a pergunta que deve orientar as instituições neste momento é direta: “Se o nosso conhecimento não estivesse limitado aos muros da universidade, que problemas reais da sociedade e do mercado ele estaria resolvendo hoje?”.

Segundo ele, a inovação universitária só se completa quando gera transformação fora do campus, seja em forma de soluções tecnológicas, novos negócios, políticas públicas ou desenvolvimento social.

Ao assumir o papel de hub de inovação, a universidade deixa de ser apenas transmissora de conhecimento e passa a atuar como articuladora de ecossistemas, investidora, parceira estratégica e agente ativo de desenvolvimento.

Esse tema estará em debate no Fórum Ahead CIEE – Ensino Superior, realizado durante a Bett Brasil 2026, maior evento de Inovação e Tecnologia para a Educação da América Latina, que acontece de 5 a 8 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas aqui.

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