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Avaliação do desempenho dos professores: como realizá-la de maneira efetiva?

por Júlio Furtado
Avaliação do desempenho dos professores: como realizá-la de maneira efetiva?
Confira cinco aspectos a serem considerados na avaliação de desempenho docente

A aprendizagem do aluno é um processo diretamente ligado a três instâncias: a ação do aluno, a ação do professor e a ação da escola. Quando o aluno não aprende, podemos dizer que essas três instâncias dividem a responsabilidade. 

A ação do aluno pode ser gerida através do processo de avaliação da aprendizagem, que visa, num primeiro nível, detectar o que foi aprendido. A ação do professor é objeto do processo de avaliação do desempenho docente que tem, na sua essência, o objetivo de detectar o quanto as atitudes do professor potencializam ou não a aprendizagem do aluno. Por fim, a forma de funcionamento da escola como um todo é outro fator corresponsável pelo quanto um aluno aprende. 

Avaliar a efetividade dos processos que compõem a escola e a forma como eles se inter-relacionam é o principal foco da avaliação institucional. O gestor escolar precisa estar atento à gestão dos três níveis de avaliação e deve construir um plano de execução e acompanhamento de cada instância. Especial atenção, porém, deve ser dada à avaliação do desempenho docente, em função da complexidade dos elementos envolvidos e das relações que o compõem.

A aprendizagem dos alunos não pode ser o único parâmetro de avaliação do desempenho dos professores, pois a aprendizagem depende de diversas variáveis, dentre elas do repertório cultural que com o qual chega à escola, que por sua vez está ligado ao nível socioeconômico. Outra variável é a infraestrutura e a disponibilização de recursos de aprendizagem. A ação do professor é a principal variável da aprendizagem do aluno, mas está longe de ser a única.

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Um componente fundamental de uma avaliação do desempenho docente é estabelecer a participação dos avaliados na definição de critérios e metas. Esse passo é essencial para que o corpo docente apoie a avaliação, encarando-a como uma oportunidade pedagógica e não como uma ameaça. 
A condução do processo deve ser transparente e os resultados precisam alimentar uma estrutura de apoio e de formação continuada. Somente dessa forma, os professores não se sentirão ameaçados e os comportamentos de resistência serão minimizados. 

Outros cuidados essenciais a serem considerados são evitar que a atividade seja percebida pelos professores como um mecanismo de controle e levar em conta o contexto vivido pelos docentes juntamente com as experiências bem-sucedidas já realizadas.  

Os cinco aspectos a serem considerados na avaliação de desempenho docente são:

  • Empenho do professor para que o aluno aprenda: nesse aspecto, avalia-se a atitude do professor no sentido de mudar os caminhos metodológicos, ao perceber que determinado caminho não está levando os alunos à aprendizagem.
  • Conhecimento teórico e metodológico sobre os conteúdos que lecionam: esse item avalia o nível de conhecimento do professor a respeito do conteúdo que ensina e sua habilidade de mediação didática com os conteúdos. Entendemos como mediação didática a capacidade de “traduzir” o conteúdo para o aluno numa linguagem que ele entenda.  
  • Criação de clima favorável à aprendizagem: esse quesito avalia as habilidades de interação pessoal do docente e o quanto ele as coloca a favor da criação de um relacionamento saudável e facilitador da aprendizagem. 
  • Avaliação contínua do progresso dos alunos e consequentes mudanças quando necessárias: nesse ponto, observa-se as habilidades do professor de manter integrados momentos de aprendizagem e momentos de avaliação, num processo dinâmico e atento. 
  • Empenho na melhoria contínua e desenvolvimento profissional: esse item considera as atitudes do professor no sentido de se auto aperfeiçoar e sua visão de crescimento na área profissional.  

Casos as etapas sejam seguidas, a probabilidade de resistência é mínima. No entanto, ao surgirem, precisam ser encaradas como naturais ao processo e devem ser geridas com habilidade e empatia. 

Em geral, devemos tratar caso a caso, convidando o professor para um diálogo franco em que ele possa expor tudo o que pensa e sente com relação ao processo de avaliação de desempenho. É fundamental mostrar que o objetivo é a busca do aperfeiçoamento e não o julgamento ou a punição. Isso precisa estar claro no processo e ser reafirmado a todo o tempo.

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*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Bett Brasil.
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