Censo Escolar 2025: Brasil perde 1 milhão de alunos na educação básica, mas avança no tempo integral
O Brasil registrou 46.018.380 matrículas na educação básica em 2025, segundo dados preliminares do Censo Escolar, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O número representa uma redução de 2,3% em relação a 2024, quando o país contabilizava 47.088.922 estudantes. Uma queda de aproximadamente 1 milhão de alunos em um ano.
Realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o levantamento reúne informações de 178 mil escolas públicas e privadas em todo o território nacional e serve como principal termômetro das políticas educacionais.
O ensino médio concentra a maior retração. O número de matrículas caiu 5,3% entre 2024 e 2025, alcançando o menor nível dos últimos dez anos. Hoje, são 7,3 milhões de estudantes nessa etapa.
A redução foi puxada pela rede pública, enquanto a rede privada apresentou leve crescimento de 0,6% no mesmo período.
O Estado de São Paulo teve peso decisivo nesse cenário. Dos 425 mil alunos a menos no ensino médio público brasileiro, 259 mil são de escolas paulistas, o que representa cerca de 60% do total da queda nacional. Embora concentre aproximadamente 20% dos estudantes dessa etapa no país, o estado foi responsável pela maior parte da retração.
Considerado historicamente um dos maiores desafios da educação básica, o ensino médio enfrenta altos índices de evasão. Em 2024, apenas 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados. Entre os 20% mais pobres, esse percentual caía para 72%, segundo dados do Todos Pela Educação. As informações sobre evasão referentes a 2025 ainda não foram divulgadas.
Indicadores de distorção idade-série
Outra explicação para a queda no número de matrículas, de acordo com o MEC, é a redução das taxas de repetência e a melhoria dos indicadores de distorção idade-série.
"Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para que eles concluam, eu reduzo o número de matrículas.", apontou o ministro da Educação, Camilo Santana.
Os dois fenômenos, segundo ele, indicam maior eficiência do sistema educacional do país. Para o ministro, o Censo Escolar mostrou que a educação brasileira conquistou avanços significativos em 2025.
A distorção idade-série — indicador que mede a proporção de estudantes com dois anos ou mais de atraso escolar — diminuiu de 27,2% em 2021 para 14% em 2025 no ensino médio. O dado sugere que mais alunos estão cursando a série adequada à própria idade.
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Programas de permanência ainda sem resultados consolidados
Uma das principais apostas do governo federal para enfrentar o abandono escolar é o programa Pé-de-Meia, lançado em 2024. A iniciativa prevê incentivos financeiros para estudantes do ensino médio permanecerem na escola e tem custo estimado em R$ 12 bilhões.
Até o momento, contudo, ainda não há dados consolidados que permitam avaliar o impacto direto do programa sobre os índices de permanência e matrícula.
Os dados de matrículas são informados ao MEC pelas secretarias dos Estados e podem sofrer influência de mudanças de políticas regionais ou de questões de cadastro. Há divergências também na forma de contabilizar jovens que têm uma frequência baixa, mas não abandonaram totalmente a escola.
Tempo integral avança e atinge meta do PNE
Se por um lado as matrículas diminuíram, por outro o país avançou na ampliação da jornada escolar. O Censo Escolar 2025 aponta o maior percentual de estudantes em tempo integral dos últimos quatro anos.
Na rede pública, a proporção de matrículas presenciais em tempo integral com jornada igual ou superior a sete horas diárias subiu de 15,1% em 2021 para 25,8% em 2025, um crescimento de 10,7%.
Com esse resultado, o Brasil atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que prevê atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica da rede pública em tempo integral. No ensino médio, o aumento também foi expressivo, passando de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025.
O resultado é atribuído, em parte, ao investimento de R$ 4 bilhões no Programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023 para apoiar estados e municípios na ampliação da jornada escolar.
O desafio estrutural
Os dados do Censo Escolar refletem não apenas políticas educacionais, mas também transformações demográficas. O Brasil vive um processo de envelhecimento populacional, com redução da base da pirâmide etária — justamente a faixa etária de 0 a 19 anos.
Hoje, dos 46 milhões de estudantes da educação básica, cerca de 9 milhões estão matriculados na rede privada e os demais na rede pública.
A queda no número total de alunos pode indicar melhorias no fluxo escolar e efeitos demográficos naturais, mas também acende um alerta sobre permanência e atratividade da escola, especialmente no ensino médio.
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